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Eficiência energética: investir para economizar Imprimir E-mail
Escrito por Denise Góes   
Qui, 29 de Outubro de 2015

Em um cenário economicamente desfavorável, em que a palavra de ordem é cortar custos e minimizar os pre­juí­zos, a implantação de ações voltadas para uma maior efi­ciên­cia energética pode ajudar a indústria gráfica a ra­cio­na­li­zar o uso da energia elétrica e com isso gerar economia, evitando o desperdício. Efi­ciên­cia energética nada mais é do que obter o melhor desempenho dos equipamentos envolvidos na produção de um serviço, com o menor consumo de energia.
A preo­cu­pa­ção com o uso efi­cien­te e ra­cio­nal da energia não é recente. Com a crise do petróleo, na década de 1970, o mundo passou a buscar alternativas para a geração de energia, não só do ponto de vista econômico, em função da elevação dos custos dos recursos disponíveis, mas também am­bien­tal, já com a perspectiva de substituir fontes não renováveis por energia limpa. Há 30 anos o Brasil em­preen­de programas para incentivar a efi­ciên­cia energética. Um dos mais conhecidos é o Programa Na­cio­nal de Conservação de Energia Elétrica (Procel), coor­de­na­do pela Eletrobrás e cria­do em 1985 com o objetivo de incentivar o uso ra­cio­nal da energia elétrica. Em 2002, em parceria com a Confederação Na­cio­nal da Indústria (CNI) e as federações estaduais, surgiu o Procel Indústria, voltado para incentivar a efi­ciên­cia energética no segmento in­dus­trial. Os programas e projetos governamentais orien­tam uma política mais abrangente, mas o setor in­dus­trial, como a indústria gráfica, também pode, e deve, desenvolver planos de ação para obter melhor desempenho dos equipamentos e otimizar o uso das fontes de energia.

Indústria gráfica

O engenheiro elétrico e consultor Geor­ges Naguib foi um dos responsáveis por ações desenvolvidas e implantadas na gráfica da Editora Abril para atingir maior efi­ciên­cia energética e está fa­mi­lia­ri­za­do com o conceito de ra­cio­na­li­za­ção de energia para esse segmento. Naguib trabalhou por 27 anos na empresa e hoje atua como consultor. “Na verdade, é possível desenvolver algumas ações que são comuns para todas as in­dús­trias”, diz Naguib. “Mas nas gráficas destacam-​­se alguns pontos específicos dessa atividade. Um dos vilões dos gastos com energia elétrica, por exemplo, é a central de água gelada utilizada nas máquinas offset”. A central de água gelada também atende o ar-​­con­di­cio­na­do, tanto o usado para manter a temperatura am­bien­te quanto o utilizado nos processos gráficos.
O consultor explica que em certas si­tua­ções é preciso rever os manuais, deixar a rigidez de lado e alterar alguns conceitos. “Muitas vezes alterar em 0,5°C, aumentando de 6°C para 6,5°C a saí­da de água da central, por exemplo, já pode fazer diferença em termos de economia de energia. É preciso quebrar alguns paradigmas”.
Para Naguib é possível usar a mesma lógica ao ava­liar o fun­cio­na­men­to do ar-​­con­di­cio­na­do, aparelho que tem um alto consumo de energia, dependendo do am­bien­te em que está instalado. No caso do ar-​­con­di­cio­na­do de conforto, o consultor questiona: “É preciso manter a temperatura de 24°C, como pedem os manuais?”. De acordo com ele, em determinados momentos é preciso ne­go­ciar, tentar alterar a temperatura ou mesmo desligar o ar e manter apenas a ventilação.
Naguib cita o sistema de ar comprimido, utilizado em máquinas que envolvem pressão e rolos de impressão, nas máquinas offset, e nos sistemas pneumáticos de sopro, usados no acabamento. Esses sistemas apresentam um elevado consumo de energia elétrica e devem ser operados corretamente, usando os compressores de maneira efi­cien­te, diminuindo o ritmo para uma carga menor. “Na gráfica da Abril foi preciso separar as máquinas de ar comprimido. Dividimos a linha de sopro da linha de ar comprimido”, relata o consultor. No entanto, ele ressalta que essa decisão tem custo — a compra de duas máquinas —, e por isso envolve tomada de decisão e planejamento.

Iluminação
De acordo com Geor­ges Naguib, a efi­ciên­cia energética pode ser representada por duas pirâmides dispostas lado a lado de forma oposta. Uma delas representa os custos, e a outra, as ações. Ele explica que há muitas ações que têm baixo custo e outras, de grande porte, que envolvem um alto investimento. Cabe ao empresário ava­liar e definir as prio­ri­da­des.
Naguib ressalta que é fundamental instituir um programa de ge­ren­cia­men­to de gastos de energia, com acompanhamento e monitoramento do consumo, principalmente durante os pe­río­dos de maior demanda do parque gráfico.
Pode-​­se diminuir o número de lu­mi­ná­rias nos am­bien­tes de trabalho ou então trocar máquinas e motores mais antigos por outros modernos, que gastam menos energia. No primeiro caso, sem
dúvida o investimento será menor.
No caso da iluminação, o consultor aponta uma série de ini­cia­ti­vas para atingir uma boa economia de energia elétrica. “No caso da Abril, com a troca de lu­mi­ná­rias conseguimos economizar 11% de energia elétrica. Dependendo da instalação é possível chegar a 20% de economia”. Nesse caso também vale um estudo para ava­liar em que am­bien­tes da gráfica é possível trocar lâmpadas fluo­res­cen­tes, por exemplo de 40 w por 32 w, uma medida simples e de grande eficácia. A instalação de sensores de presença, de sensores fo­toe­lé­tri­cos (equipamentos que ligam ou desligam a iluminação dependendo da luz natural) e de interruptores setorizados também pode ser feita em locais como es­cri­tó­rios, banheiros e corredores.

Conscientização
Outra linha de ação, ainda dentro de um plano de implantação de efi­ciên­cia energética, está re­la­cio­na­da a atitudes dentro da empresa. Para isso, em alguns casos é preciso desenvolver campanhas internas de cons­cien­ti­za­ção para o uso ra­cio­nal de equipamentos, como elevadores, com o objetivo de economizar energia. Para o consultor, contudo, a ava­lia­ção do que se está disposto a gastar é o primeiro passo para qualquer plano de ação. Em geral, as empresas investem primeiro na produção. “A efi­ciên­cia energética ainda não é prio­ri­da­de para os em­pre­sá­rios. No embate entre manutenção e produção, a produção manda”, diz Naguib.
Por isso, ao colocar o tema da efi­ciên­cia energética em pauta, o consultor insiste na necessidade de ne­go­cia­ção, de chegar a um consenso. “O envolvimento de toda a equipe de produção e manutenção faz a grande diferença nos resultados do plano de ação de efi­ciên­cia energética de qualquer empresa”, avalia Geor­ges Naguib.

Artigo publicado na edição nº 94