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Desperdício: matéria‑prima correta evita perdas na indústria gráfica Imprimir E-mail
Escrito por Fabiane Staschower   
Qua, 28 de Outubro de 2015


A imprensa e as as­so­cia­ções têm levantado com frequência o assunto sustentabilidade, discutindo como utilizar menos matéria-​­prima na produção das embalagens, apontando materiais de fontes renováveis e processos mais econômicos, que utilizam menos energia e água, entre outros assuntos.
Atual­men­te, a abordagem com relação à sustentabilidade está mais voltada às finanças, já que todas as ações visam à economia de insumos durante a produção. Essa redução é um dos principais pontos buscados pelas in­dús­trias brasileiras para uma produção mais limpa e, principalmente, rentável.
A matéria-​­prima, especificamente o papel-​­cartão, impacta expressivamente nas finanças da empresa e seu desperdício normalmente é ignorado. Porém, muitas vezes atitudes simples podem trazer ótimos resultados. Nosso objetivo aqui é apontar alguns itens nos quais é possível diminuir o desperdício.
Escolha de materiais
A escolha de um ma­te­rial de qualidade frequentemente está atrelada a produtos mais caros. Contudo, é necessário colocar na ponta do lápis todos os gastos re­la­cio­na­dos a essa escolha. Geralmente, um ma­te­rial de qualidade tem melhor desempenho nos equipamentos — tanto nas impressoras quanto no corte e vinco —, evitando paradas de máquinas durante a produção, além do fato de tornarem o acerto mais simples. Como consequência, temos a redução do tempo de produção, do consumo de recursos e da perda de matéria-​­prima, sem contar a garantia de uma embalagem final com maior qualidade.
Aqui também cabe ressaltar a importância da escolha dos materiais mais adequados para cada produto, com boa performance em todas as etapas de produção. Essa questão é ainda mais crítica no caso das embalagens de alto valor agregado, que acabam recebendo mais e mais insumos durante o processo produtivo. Se o ma­te­rial utilizado for ruim, ao final do processo a embalagem poderá ser inutilizada e todos os insumos nela adi­cio­na­dos também serão perdidos.
Dimensões corretas
Temos que prestar atenção em dois aspectos. Primeiro, a correta dimensão do cartucho para acon­di­cio­nar o produto. O tamanho real­men­te atende as necessidades do produto? Todas as abas de fechamento são ne­ces­sá­rias para a embalagem?
O lay­out da embalagem precisa ainda contemplar o processo de corte e vinco com a finalidade de acomodar o maior número de embalagens em cada faca, gerando menos aparas. Algumas vezes, uma pequena modificação não afeta o desempenho do cartucho, mas é su­fi­cien­te para acomodar melhor as embalagens em uma folha. Na maioria das vezes, o gráfico não interfere nesse ponto, mantendo a embalagen exatamente como o clien­te enviou. Sugerir me­lho­rias pode ser interessante, sobretudo quando a gráfica pode apontar detalhes que fazem com que ambos saiam ganhando.
Nessa etapa também é importante a construção de mocapes para analisar as corretas dimensões do cartucho, testando-​­o junto com o produto que será embalado. Dessa forma é possível verificar se as dimensões estão adequadas, colocando à prova a efi­ciên­cia da faca desenhada.
Gramatura
Em geral, os clien­tes especificam uma embalagem já determinando a gramatura do papel-​­cartão a ser utilizado. Contudo, é preciso atentar para a diversidade dos cartões disponíveis. Um cartão de 250 g/m2 de um fabricante pode possuir características diferentes de um produto com a mesma gramatura de outro fornecedor. Nesse caso, deve-​­se prestar atenção na rigidez do cartão, principal característica para o desempenho de uma embalagem. Assim, será possível escolher cartões semelhantes e utilizar a gramatura adequada para a confecção da embalagem.
Outro aspecto que deve ser levado em consideração é a diminuição de gramatura, que está re­la­cio­na­da, normalmente, à redução de custos. Uma redução sem estudo e sem teste pode acarretar uma perda maior durante a vida útil do produto. Uma embalagem mal projetada pode ser responsável pela queda de produtos e des­per­dí­cios em toda a cadeia de produção e logística. E o mais importante: pode até frustrar o consumidor. Essa etapa também é be­ne­fi­cia­da pela produção de mocapes.
Estocagem adequada
O papel-​­cartão é um ma­te­rial “vivo”, que pode ganhar ou perder umidade dependendo do am­bien­te em que está. Portanto, é importante estocá-​­lo em am­bien­tes apro­pria­dos e sempre protegidos até a entrada do ma­te­rial na máquina. Mesmo na espera para a próxima etapa de produção, o palete deve estar coberto para garantir a proteção do ma­te­rial, evitando o descarte das primeiras e últimas folhas.
Treinamento
Uma equipe bem treinada é capaz de cumprir sem esforço cada uma das etapas que destacamos neste artigo, transformando-​­se em agentes diretos da redução do desperdício por conhecerem o ma­te­rial, suas características, bem como a regulagem e especificações dos equipamentos.
Além dos pontos citados, vale destacar a importância da parceria com o fornecedor de matéria-​­prima, que pode auxiliar a gráfica ou o convertedor em todas as etapas. Em tempos bicudos como o ­atual, é importante somar com­pe­tên­cias. Isso porque a junção de conhecimentos facilita o processo e aumenta a probabilidade de sucesso.

Fabiane Staschower, engenheira química com mestrado em Embalagem pela Michigan State University, nos Estados Unidos, é executiva de Relacionamento com o Mercado da Ibema.

Artigo publicado na edição nº 94