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Legibilidade de textos impressos Imprimir E-mail
Escrito por Thiago Justo   
Qua, 19 de Agosto de 2015

Legibilidade é a facilidade de distinguir as letras impressas em uma página e a capacidade de distingui-​­las entre si. Para que um texto tenha essa qualidade, o leitor precisa identificar
suas letras de maneira rápida e precisa.
Quan­do lemos um texto, não observamos letra por letra, mas sim blocos de letras. Por essa razão, conseguimos identificar palavras conhecidas, mesmo quando estão fora de ordem.


Nossa leitura também é mais focada na metade su­pe­rior das letras. Sendo assim, conseguimos identificar melhor palavras grafadas em caixa alta e baixa (maiúsculas e minúsculas) do que palavras compostas somente em caixa alta. Também lemos mais rapidamente fa­mí­lias tipográficas que pos­suem maior di­fe­ren­cia­ção de formas em sua metade su­pe­rior.
É por esse motivo que tipos serifados costumam ser mais legíveis que os tipos sem serifa. As letras que compõem uma família de tipos sem serifa pos­suem formas bem parecidas entre si, enquanto os tipos serifados pos­suem os desenhos das letras bem mais distintos, fazendo com que seja muito mais fácil distinguir uma letra da outra.



Quan­do falamos de legibilidade de texto impresso, o grande fator será, sem dúvida, o tamanho. Quan­to menor o corpo do texto, mais difícil será sua leitura. Existe também a relação entre o tamanho do corpo do texto e sua altura. Para que uma letra seja legível, sua altura não pode ser muito pequena, pois isso atrapalha a distinção entre letras. Hastes ascendentes e descendentes muito pequenas também atrapalham na distinção entre letras, como nos pares p-​­q e h-​­n.
Tipos com tamanhos entre 8 e 11 pontos costumam ser bem legíveis, mas vai depender muito da altura da letra. Quan­to menor a altura, maior terá que ser o tamanho da letra para que ela seja legível. Tipos impressos com corpo menor do que 8 pontos costumam ser pouco legíveis. Caso precise usar tipos com menos de 8 pontos, opte por fa­mí­lias tipográficas que pos­suem uma grande altura para melhorar a legibilidade do texto.


Vou falar agora um pouco sobre como as principais tec­no­lo­gias de impressão se comportam ao reproduzir textos em corpos pequenos.
A melhor tecnologia para a reprodução de tipos pequenos é, sem dúvida, o offset. As caraterísticas de forma planográfica e tinta pastosa resultam em imagens impressas bem nítidas. Desse modo, os textos se apresentam com as bordas bem marcadas e regulares.
A rotogravura — sistema de impressão direto, com forma encavográfica e cilíndrica — possui certa dificuldade na reprodução de textos ou detalhes muito finos. Isso se deve às características da forma que, por ser encavográfica, reticula todos os elementos que compõem a página, inclusive os textos. É por essa razão que os textos impressos em rotogravura sempre pos­suem as bordas serrilhadas.


Outros fatores que dificultam a reprodução de textos pequenos são a velocidade de impressão (a rotogravura trabalha em altas velocidades), o tempo de es­coa­men­to da tinta — que é líquida — e as características da superfície do suporte a ser impresso.
De maneira geral, em rotogravura, é possível reproduzir textos sem serifa com tamanho de corpo su­pe­rior a 6 pontos. O tamanho mínimo para textos em negativo ou serifados deve ser maior, entre 8 e 10 pontos. Para reprodução de textos muito pequenos, é preciso aumentar a li­nea­tu­ra de gravação das imagens no cilindro impressor, de modo a minimizar o efeito de serrilha dos textos, resultando em bordas e contornos mais nítidos e, portanto, mais fáceis de ler.

A flexografia possui limitações de reprodução de textos pequenos semelhante às presentes em rotogravura. Trata-​­se também de um sistema de impressão direto, que utiliza formas relevográficas flexíveis, geralmente con­fec­cio­na­das em fotopolímeros, fixadas em cilindros rotativos, utilizando tintas líquidas e que imprimem em grande velocidade.

O impresso obtido em flexografia sempre apresenta o efeito squash. Esse borrão é consequência do uso da forma em alto relevo, que sofre um esmagamento durante o processo de impressão, devido ao fato de ser flexível.
Geralmente é possível reproduzir em flexografia textos sem serifa com corpo su­pe­rior a 6 pontos. O tamanho mínimo para textos em negativo deve ser maior — entre 8 e 12 pontos —, pois textos em negativo são mais vulneráveis aos ajustes de volume de tinta, que podem causar entupimentos, deixando-​­os ilegíveis. Tipos serifados também requerem corpo maior, pois serifas pequenas e detalhes finos são facilmente perdidos durante a impressão. Entre outros fatores que in­fluen­ciam na reprodução de textos pequenos em flexografia estão o tipo de substrato usado, a cobertura de tinta, a absorção de tinta pelo substrato e a pressão utilizada durante o processo de impressão.



A serigrafia — processo direto per­meo­grá­fi­co — também possui algumas limitações na reprodução de textos de corpos pequenos. As características desse processo resultam em impressos com uma ótima cobertura de tinta (possibilitando inclusive tinta com relevo) e bordas relativamente disformes, devido à trama do tecido usado como forma (tela) de impressão. Nesse sistema de impressão, a li­nea­tu­ra de impressão está diretamente re­la­cio­na­da com a quantidade de fios do tecido utilizado na tela de impressão.


Os pontos reproduzidos devem ser sempre maiores do que a largura de dois fios mais a abertura da malha do tecido. Quan­to mais fina a trama do tecido, mais difícil será a passagem da tinta e melhor será a reprodução de detalhes pequenos e finos, que não irão borrar, com um depósito grande de tinta pro­pi­cia­do por tecidos de tramas mais grossas.



Portanto, para reproduzir textos pequenos é preciso utilizar tecidos com fios e trama bem finos. O tipo de papel e tinta também terão grande in­fluên­cia no processo de impressão.
A impressão digital — sistema de impressão que não utiliza formas de impressão —, apesar da va­rie­da­de de tec­no­lo­gias de impressão, tipos de equipamentos e de tinta, também possui certas limitações na impressão de textos de corpo pequenos.



Impressoras eletrofotográficas — conhecidas como impressoras laser — que trabalham com toner em pó pos­suem a característica de reproduzir imagens com bordas relativamente irregulares e com muitos pontos avulsos, devido às partículas dispersas de toner que se depositam alea­to­ria­men­te no substrato de impressão. Dessa forma, as bordas dos textos impressos são sempre irregulares, dificultando a leitura de textos muito pequenos. Apesar dessas limitações, textos sem serifa com corpo su­pe­rior a 4 pontos são impressos com boa legibilidade.
Já as impressoras jato de tinta (inkjet) que utilizam tinta líquida como elemento entintador imprimem imagens com as bordas relativamente irregulares em função das gotas de tintas serem pulverizadas pelos bicos ejetores (nozzles) dos cabeçotes de impressão. Minúsculos pontos de tinta alea­tó­rios no impresso são consequência dessa característica do sistema de impressão inkjet.



Nesse sistema, a legibilidade de textos pequenos está diretamente ligada à resolução de impressão do equipamento e ao volume de tinta da gota expelida pelos bicos ejetores. Quan­to maior a resolução da impressora, menor o volume de tinta da gota formada, resultando em uma melhor impressão de textos pequenos e detalhes finos.
Dois fatores de grande in­fluên­cia na leitura do texto impresso são o contraste entre o texto e o fundo, e a escolha das cores utilizadas. No entanto, esse assunto é um pouco extenso e merece um outro artigo.

Thiago Justo é instrutor de pré-​­impressão da Escola Senai Theobaldo De Nigris.

Referências:
A guide to Graphic Print Production. Kaj Johansson, Peter Lundberg e Robert Ryberg, 2011.
First 5.0 – Flexographic Image Reproduction Specifications & Tolerances. FTA Flexographic Technical Association, 2014.
INKJET! Everything you need to know about inkjet history, technology, markets and products. Frank Romano, 2012.
Manual técnico para impressão serigráfica e estampagem têxtil. Sefar, 2000.
Pensar com tipos. Ellen Lupton, 2013.
Tecnologia de Produção Gráfica – Processo Rotográfico e Flexográfico. Senai-​­SP, 2011.

Artigo publicado na edição nº 93