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ABTCP profissionaliza sua administração Imprimir E-mail
Escrito por Tânia Galluzzi   
Ter, 22 de Abril de 2014

No ano passado a As­so­cia­ção Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP) adotou um novo modelo de gestão, abandonando o vo­lun­ta­ria­do na diretoria, pri­vi­le­gian­do a autonomia e a maior participação do as­so­cia­do. A direção executiva está agora a cargo de Darcio Berni, administrador de empresas com mais de 16 anos de atua­ção no setor, alguns deles como gerente geral co­mer­cial da Fibria. Nesta entrevista, ao lado do gerente técnico Claudio Chia­ri, engenheiro químico com 30 anos de ex­pe­riên­cia no setor de celulose e papel nas ­­áreas in­dus­trial e de serviços, ele fala das mudanças na entidade 
e projetos para 2014.

Em 2013 a ABTCP adotou um novo sistema de gestão, com o senhor assumindo a gestão executiva. Como foi esse primeiro ano e quais os principais projetos da ABTCP para 2014?
Darcio Berni – As mudanças envolveram a estrutura or­ga­ni­za­cio­nal e estatutária da entidade. Esse processo começou em 2008, na gestão do presidente Alberto Mori, cujo planejamento estratégico previa a contratação de um diretor executivo. Isso aconteceu em 2011, com Lairton Leo­nar­di na presidência, quando fui contratado. Em 2012 foram definidas as diretrizes do novo modelo de governança corporativa e aprovado o novo estatuto, ofi­cia­li­zan­do o término da gestão voluntária no comando da as­so­cia­ção, objetivando pro­fis­sio­na­li­zar o comando da entidade. No ano passado o novo estatuto entrou em vigor, com novas atribuições ao diretor executivo e aos conselhos diretor e executivo, agora com maior participação dos as­so­cia­dos, num modelo semelhante ao adotado pela Bracelpa.
As principais vantagens desse novo formato são a autonomia e a consequente rapidez na tomada de decisões. Nem os mais otimistas po­de­riam imaginar que a fase de adaptação que prevemos para 2013 seria tão fácil. Nossa principal preo­cu­pa­ção foi fazer com que o mercado, os nossos as­so­cia­dos, não sentissem as mudanças, 
e assim aconteceu.
Se a fase de transição foi muito tranquila, em 2013 o segmento de celulose e papel não respondeu às expectativas, o que acabou comprometendo algumas das atividades que ha­vía­mos programado. Aproveitamos então para promover uma rees­tru­tu­ra­ção interna, adequando produtos e serviços às expectativas de nossos as­so­cia­dos.


Darcio Berni

Quais os principais serviços da ABTCP?
DB – A ABTCP é uma entidade sem fins lucrativos, que tem a missão de promover o desenvolvimento tecnológico da cadeia produtiva de celulose e papel de forma sustentável e inovadora, por meio da capacitação técnica, informação e re­la­cio­na­men­to. Nosso principal produto é o Congresso e Exposição In­ter­na­cio­nal de Celulose e Papel, que em outubro passado reuniu seis mil pes­soas. Temos também as comissões técnicas, seis ativas atual­men­te, com a participação de fabricantes e fornecedores. No campo da formação pro­fis­sio­nal, atua­mos na es­pe­cia­li­za­ção da mão de obra, a partir de cursos abertos e cursos in company, além do ensino a distância. Temos ainda a pós-​­gra­dua­ção, com seis turmas neste ano, rea­li­za­da em parceria com a Universidade Federal de Viçosa e com o Mackenzie.
Além disso, a ABTCP edita a revista O Papel, que em abril de 2014 completará 75 anos de circulação no setor de celulose e papel. Não é para qualquer um completar e se manter no mercado durante tanto tempo. Só mesmo sabendo se modernizar para acompanhar as mudanças de hábitos dos leitores e da própria forma de abordagem da comunicação é possível atravessar e vencer os de­sa­fios de cada pe­río­do. Uma das principais ini­cia­ti­vas este ano em comemoração aos 75 anos da revista foi dar mobilidade maior para o con­teú­do a partir da veiculação da revista também em formato digital, mantendo a principal circulação que é impressa.

E os projetos para 2014?
DB – A capacitação técnica é fundamental. O Senai promove a formação básica e nós procuramos complementá-​­la. Neste ano estamos trabalhando intensamente para estruturar o processo de educação a distância via EAD e e-​­lear­ning e queremos maximizar o uso destes meios modernos de capacitação. Eles se tornam ainda mais importantes em um momento como o que estamos vivendo agora, com o início das operações de novas fábricas como as unidades da Eldorado e da Fibria, em Três La­goas, e 
da Suzano, em Imperatriz.
A 47ª edição do nosso congresso deverá vir com mais inovações em seu programa. Para tanto, estruturamos uma comissão de profissionais do setor de celulose e papel que estão nos ajudando a reformular a programação do congresso, gerando maior atratividade às sessões técnicas e eventos agregados. E isto envolve incluir apresentações relevantes, tanto do ponto de vista acadêmico quanto prático in­dus­trial e sobre gestão, mercado, ne­gó­cios e recursos humanos, entre outros temas importantes. Enfim, não queremos perder o caráter inovador dos projetos mostrados no congresso, mas desejamos trazer também para a programação o dia a dia, falando sobre uma diversidade maior de assuntos de interesse aos profissionais.

Agora, falando um pouco de tecnologia, quais os avanços recentes da indústria de celulose e papel que podem colaborar para melhorar a performance do papel para imprimir e escrever durante o 
processo de impressão?
DB – A atua­li­za­ção tecnológica na indústria de celulose e papel é contínua. Por se tratar de equipamentos de grande porte e produção ininterrupta, as me­lho­rias são incorporadas ao processo produtivo quando da rea­li­za­ção das paradas gerais para manutenção obrigatória das caldeiras, ou durante as paradas programadas para manutenção. A indústria está sempre ouvindo o mercado e, no caso do papel para imprimir e escrever, vem implementando me­lho­rias para oferecer pa­péis mais resistentes, que suportem a elevação na velocidade das máquinas impressoras. A indústria busca também consistência na qualidade e a melhoria nos perfis dos produtos, para responder inclusive à disseminação da impressão digital, que 
exige pa­péis de altíssima qualidade.

A quantas anda a pesquisa na produção de papel reciclado?
Claudio Chia­ri – Quan­do falamos da produção de papel reciclado, o maior problema está na coleta. Apesar de termos uma norma ABNT que regula a correta destinação dos materiais, não há como garantir a uniformidade do ma­te­rial pós-​­consumo. Assim, o processo de reciclagem tem de ser capaz de dar conta de qualquer ma­te­rial. Não há linhas separadoras que pro­por­cio­nem tratamento di­fe­ren­cia­do para cada tipo de papel. O que a indústria está analisando agora nessa área é o seu papel no âmbito da logística reversa, prevista pela 
Política Na­cio­nal de Re­sí­duos Sólidos.


Claudio Chiari

É correto afirmar que a demanda por papel reciclado com aparência de reciclado foi subs­ti­tuí­da pelo papel certificado? Essa mudança é benéfica do ponto 
de vista técnico e am­bien­tal?
CC – A alta demanda por papel reciclado foi im­pul­sio­na­da ini­cial­men­te pelo apelo de mar­ke­ting do produto, e com o passar do tempo foi subs­ti­tuí­do pelo entendimento do processo de produção do papel reciclado para imprimir e escrever. Em vá­rias si­tua­ções, como na fabricação de papel reciclado de melhor qualidade, pode ser mais oneroso produzir a partir de ma­te­rial reciclado do que de fibra virgem, principalmente devido aos problemas na coleta deste ma­te­rial.
Com certificações, como a FSC, o foco está na certificação da origem da matéria-​­prima, o que é válido, pois contempla aspectos sociais, ambientais e econômicos envolvidos na obtenção da matéria-​­prima. Para a indústria de celulose e papel não mudou nada. Há muito tempo a indústria está preo­cu­pa­da com o manejo florestal e com sua responsabilidade so­cioam­bien­tal.

Pelas características do segmento, acreditamos que a adequação às normas internacionais seja uma prática totalmente incorporada à indústria de papel e celulose. Está correto? Quais os de­sa­fios?
DB – Sim. A indústria de celulose e papel está acostumada a trabalhar dentro das normas técnicas por estar inserida em um mercado global. As normas fazem parte da cultura do setor. A ABTCP é o braço da ABNT na área de normalização. Somos responsáveis pela elaboração das normas técnicas, com comissões de estudo que reú­nem representantes dos fabricantes, da so­cie­da­de civil e do governo. Hoje temos 170 normas para o setor e mesmo quando não havia padrões brasileiros a indústria na­cio­nal lançava 
mão das normas internacionais.

 

Artigo publicado na edição nº 88