home > Produção Gráfica > Gerenciamento de cores em papel reciclado
twitter
Banner Facebook

Parceiros

Gerenciamento de cores em papel reciclado Imprimir E-mail
Escrito por Marcel Froio   
Seg, 01 de Fevereiro de 2010

As normas ISO para o segmento gráfico cons­ti­tuem importante ferramenta para garantir o sucesso dessa padronização. Esses documentos abrangem procedimentos (por exemplo, para medição de cores), especificação de características de pa­péis e tintas, parâmetros de pré-​impressão e de impressão (em vá­rios processos) etc.
Os padrões estabelecidos nas normas ISO (e nas suas congêneres na­cio­nais, da ABNT) são ba­sea­dos em estudos e testes práticos, rea­li­za­dos pelos mais importantes fornecedores de ma­té­rias-​primas, insumos, equipamentos e soft­wares. Também participam desse esforço ins­ti­tui­ções de pesquisa e de ensino. Os resultados expressos nas normas são, portanto, fac­tí­veis e al­can­çá­veis por qualquer gráfica. No Brasil, a ABTG coor­de­na esse trabalho, com participação de diversas empresas, de pro­fis­sio­nais independentes e do Senai.
A padronização e controle das características ópticas dos substratos de impressão é um item crítico para a garantia do ge­ren­cia­men­to de cores. Uma dificuldade importante, que se apresenta es­pe­cial­men­te no Brasil, é o fato de que mui­tos dos pa­péis fabricados aqui pos­suem alvejante óptico em sua composição. Esse aditivo faz o suporte parecer mais “branco” para o observador médio. No entanto, quando analisado com um espectrofotômetro, fica evidente que, na verdade, o papel tende levemente ao azul, pela ação do alvejante. Isso acarreta des­vios nas tonalidades impressas e compromete a correta reprodução das cores (de acordo com parâmetros estabelecidos nas normas).
No caso de pa­péis reciclados esse é um grande desafio pois, apesar de todos os esforços da indústria pa­pe­lei­ra para garantir a qualidade de produção, há uma considerável va­ria­ção de tonalidade entre lotes. Além desse aspecto, os famosos fios característicos desse tipo de papel atrapalham uma análise espectral mais precisa, com o uso de espectrofotômetros con­ven­cio­nais.
Apesar desses in­con­ve­nien­tes, o uso de pa­péis reciclados au­men­tou bastante, principalmente no Brasil, em consequência de seu grande apelo am­bien­tal. Empresas de porte decidiram adotá-​lo em seu port­fó­lio de produtos. Portanto, o ge­ren­cia­men­to de cores precisa ser aplicado nesse tipo de matéria-​prima e tem de dar conta dessas va­ria­ções. Os prin­ci­pais fatores a serem considerados são:

 

  • Estabelecimento de uma lei­tu­ra espectral mais efi­cien­te e precisa com o uso, por exemplo, de espectrofotômetro modelo “Bar­bie­ri”, que é usado geralmente para impressoras di­gi­tais de grande formato e possibilita uma lei­tu­ra di­fe­ren­cia­da graças ao seu sistema de filtros mais apurado.
  • Estabelecimento de parâmetros de pré-​impressão e impressão para esse substrato, uma vez que não existem normas específicas para a reprodução nesse tipo de papel.
  • Definição da quantidade máxima de tinta que o papel acei­ta (considerando-​se a sobreposição das impressões), aspecto que terá relação direta com o tratamento das imagens a serem reproduzidas.
  • Equilíbrio do gris e busca do contraste de impressão, que definirá o melhor ganho do ponto.
  • Reprodução dos fios e da cor do papel reciclado na prova de contrato.
  • Adoção de papel de prova com superfície fosca.
  • Controle no recebimento de papel, evitando grandes dis­cre­pân­cias entre lotes.

Apesar de todas as aparentes dificuldades, esse controle pode gerar con­si­de­rá­veis ganhos qualitativos, reduzindo drasticamente o tempo de acerto em máquina, uma vez que todo o processo, desde a pré-​impressão, esteja adequado para a produção em papel reciclado.

 

Marcel Froio é tecnólogo em Produção Gráfica, formado pela Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica e gerente técnico da Electronic Imaging Integration.

Texto publicado na Edição 70