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Judith Brito. Admirável mundo novo Imprimir E-mail
Escrito por Tânia Galluzzi   
Qui, 01 de Janeiro de 2009

Conquistar e reter novos leitores e concorrer com a mídia eletrônica são, hoje, os principais desafios dos jornais impressos na opinião de Judith Brito, presidente da Associação Nacional dos Jornais, ANJ. Para ela, a adesão das empresas jornalísticas ao universo multimídia é um mundo novo a ser conquistado.

Formada em Administração Pública pela FGV-SP, com mestrado em Ciência Política pela PUC-SP, Judith Brito, 50 anos, é diretora-superintendente do Grupo Folha. Também é vice-presidente do Conselho de Administração na UOL, empresa de capital aberto controlada pelo grupo. Foi presidente do Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas de São Paulo (Sindijor) e presidente do Sindicato das Empresas de Internet do Estado de São Paulo (Seinesp). Tem dois livros publicados pelo Publifolha e é cronista do site www.metadeideal.com.br.

Como esse desequilíbrio causado pelo agravamento da crise financeira mundial afetará os jornais brasileiros? Já há algum reflexo?
Judith Brito
- Os jornais brasileiros atravessam uma ótima fase, com crescimento da circulação e da participação no bolo publicitário. A grande razão desse bom momento é o crescimento da economia do País. Havendo redução do ritmo de crescimento, certamente seremos afetados. Por isso, mais do que nunca, é importante que as empresas jornalísticas busquem as melhores práticas, ofereçam o melhor produto, ganhem em produtividade e competitividade diante das outras mídias.

O primeiro semestre deste ano foi bastante positivo, com elevação na circulação dos jornais e no faturamento publicitário. Quais são as perspectivas para esse segundo semestre? O ano fechará positivamente?
JB - Que o ano fechará positivamente, não há dúvida. Mas, é cedo para falar em números, sobretudo diante da crise mundial.

Uma das alavancas para a recuperação dos jornais no Brasil vem sendo o bom desempenho dos títulos populares, na esteira da elevação do poder aquisitivo das classes C e D. Esse movimento se manterá forte?
JB
- Acredito que sim. Os jornais populares estão conquistando um público em expansão dentro da sociedade brasileira, e as empresas estão sabendo fidelizar esse grande contingente de leitores.

Aqui no Brasil, caminhamos para a estabilização do mercado?
JB - Temos um grande espaço para crescer. O analfabetismo ainda é muito forte no Brasil. O número de leitores de jornal por habitante é bastante reduzido. Por isso, não vejo estagnação, mas um futuro de expansão, ainda mais somando-se a crescente audiência que os jornais brasileiros têm na internet.

Quais são os principais desafios para o jornal impresso hoje?
JB - O principal desafio é a concorrência da mídia digital. Jovens lêem cada vez mais jornal pela internet e menos na mídia impressa. Diante da realidade da internet, o caminho dos jornais impressos é aprofundarem e analisarem as informações que já são conhecidas. O caminho também pode ser buscar nichos de mercado e uma identificação mais forte com as comunidades locais.

Como a senhora vê os projetos dos grandes grupos de comunicação para consolidar audiência no mundo on-line (como o Limão ou o Eu, Repórter [link para esses sites])? Uma das alternativas para a conquista do público é investir numa atuação multimídia?
JB
- O universo multimídia é inevitável. O mundo digital, as possibilidades multimídias, não são um obstáculo para as empresas jornalísticas, mas um desafio, uma oportunidade.

Como os jornais impressos podem fortalecer seu valor junto ao público nos próximos anos?
JB
- O caminho desse fortalecimento passa pela preocupação permanente com a melhoria do produto, com uma identificação maior com os interesses dos leitores e, principalmente, pelo maior trunfo dos jornais: sua credibilidade. Jornais impressos devem se diferenciar de suas versões on-line pelo aprofundamento dos temas, pelas análises e interpretações. É preciso também buscar os nichos no mercado, como os jornais segmentados. Jornais impressos também têm portabilidade, podem ser levados para qualquer lugar e lidos onde se deseja. Acho que jornais impressos terão sempre seu lugar, como até hoje têm os livros.

As novas gerações se manterão interessadas na análise aprofundada dos assuntos do dia?
JB
- Esse é um imenso desafio dos jornais impressos: conquistar as novas gerações. Precisamos falar a linguagem dos jovens, tratar dos temas que lhes interessam. Considero preconceito a idéia de que os jovens querem apenas leitura ligeira e superficial.

Como as inovações gráficas vêm contribuindo para o desenvolvimento do jornal impresso?
JB
- As inovações gráficas têm sido um fator fundamental para a indústria jornalística. Os jornais são mais bonitos e atrativos, com recursos que e cativam os leitores e agregam informação à leitura. Sem as inovações gráficas os jornais brasileiros não estariam vivendo o bom momento de agora, tanto no que diz respeito ao aumento da venda quanto da captação de investimentos publicitários.

Fabricantes de equipamentos gráficos apontam como tendência o newsmag, produto com apresentação de jornal e acabamento de revista. A senhora concorda com essa idéia?
JB
- Concordo plenamente. Com esses avanços tecnólogos, diminuímos o tempo da produção dos jornais, que chegam mais cedo às mãos dos leitores, e oferecemos produtos mais bonitos, bem acabados e interessantes.

Quais são as principais bandeiras de sua gestão na ANJ?
JB
- Continuarei a priorizar três grandes objetivos das administrações anteriores: defesa da liberdade de imprensa, melhor posicionamento do jornal diante do mercado publicitário e incentivo aos programas de uso do jornal na educação. E acrescentei mais um: o futuro das empresas jornalísticas diante da realidade das mídias digitais.

Para saber mais:
www.anj.org.br

Texto publicado na Edição 64