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Imprimi. E agora? Imprimir E-mail
Escrito por Silvane Salamoni   
Ter, 17 de Maio de 2011

Recentemente, o site da ABTG divulgou um levantamento rea­li­za­do pela ANconsulting, empresa de consultoria es­pe­cia­li­za­da em ne­gó­cios gráficos, sobretudo os que envolvem impressão digital. O levantamento afirma que gráficas de diferentes portes que investiram na tecnologia digital crescerão cerca de 22% em 2011 em relação ao ano passado.
Tais dados confirmam algo que já é sabido pelo mercado: a impressão digital está se tornando uma das prin­ci­pais forças de atração de novos investimentos. O crescimento da impressão digital como negócio abre, por sua vez, uma nova necessidade dentro das gráficas: investir em soluções de acabamento digital para esse tipo de aplicação. Em princípio, é mui­to comum o empresário gráfico, sobretudo o de gráficas pequenas, não atentar para essa necessidade e usar seus sistemas de acabamento tra­di­cio­nais para finalizar (vincar, cortar, dobrar, colar etc.) seus impressos di­gi­tais. Isso, na maio­ria das vezes, incorre num erro. Pois os impressos di­gi­tais, da mesma ma­nei­ra que se di­fe­ren­ciam no processo de impressão, por permitir bai­xas tiragens ou tiragens uni­tá­rias com personalização one to one, também precisam de aplicações dedicadas de acabamento para que sejam finalizados com qualidade. Ou seja, não adian­ta investir em equipamentos de qualidade para impressão digital se não há, no final do processo, sistemas que assegurem um acabamento com igual qualidade.
Essa afirmação pode ser ilustrada com um exemplo simples. Na maio­ria dos casos, as impressoras atual­men­te dis­po­ní­veis no mercado usam tecnologia de toner, principalmente quando falamos de impressoras de ponta. Só que, como é sabido, o toner, ao contrário da tinta à base de água, não penetra no papel — ele fica concentrado na superfície do substrato. Agora, imagine que, na dobra ou corte, a folha sofra um tipo de estresse (pressão) que rasura ou arranca esse toner facilmente. O resultado são os filetes brancos provocados em ­­áreas onde o toner foi, literalmente, removido pelo processo de acabamento — faca ou pressão para dobra.
Quan­do falamos em equipamentos es­pe­cial­men­te cria­dos para acabamento digital, estamos falando, portanto, de tec­no­lo­gias que res­pei­tam as características desse tipo de impresso. Alguns sistemas de acabamento, como os de corte, já estão mais adaptados aos processos envolvendo impressão digital. Neles, as facas já vêm preparadas para cortar impressos em toner. Mas em vá­rios ou­tros itens que envolvem o acabamento de um produto gráfico isso não ocorre. Um exemplo rápido são os sistemas de vinco, que permitem que as folhas recebam vinco sem pressão usando sistema inteligente (mas simples) macho/fêmea, no qual o vinco é fei­to sem rasura alguma.

Acabamentos dedicados
Outros paralelos que podemos traçar, em termos de tecnologia, são as vantagens de se trabalhar com sistemas de acabamentos adaptados ao digital em processos de binder, dobra e guilhotina, devido ao tempo mais curto de acerto da máquina. Como se tratam de impressos em tiragens bai­xís­si­mas, mui­tas vezes uni­tá­rias, é inconcebível que haja desperdício de substrato. Linhas desenhadas para impressos di­gi­tais trazem um setup menor, com o qual a troca de funções se torna mais rápida, já que o giro entre diferentes trabalhos é mui­to ­maior, devido às bai­xas tiragens (equipamentos para acabamento digital são pensados para equilibrar tempo e produtividade). Não é viá­vel que os processos de vincar, cortar ou dobrar cinco ou 10 catálogos demandem um tempo de acerto igual ao encontrado em um equipamento similar para saí­da offset. Por fim, deve-se considerar o design dessas máquinas. Normalmente, as gráficas di­gi­tais são menores e o la­yout desses equipamentos res­pei­ta isso. Trata-se de maquinário compacto que ocupa pou­co espaço. Além disso, a gráfica digital normalmente trabalha com “balcão”, é voltada para atendimento de rua, e isso se reflete em toda a estrutura de seu parque de produção, que deve permitir agilidade em pou­co espaço.
É possível perceber que, em um plano de investimento ­ideal, não se deve olhar apenas para o parque de impressão, e sim para a ca­deia como um todo. Esse tipo de visão já é comum nas gráficas tra­di­cio­nais e deve migrar também para as gráficas di­gi­tais. Afinal, a exigência de qualidade por parte de clien­tes e do mercado, em geral, não muda. E, à medida que os impressos di­gi­tais asseguram uma diversificação na oferta de trabalhos gráficos, o empresário deve estar atento às formas de produzir esses impressos com qualidade máxima.
Portanto, se de um lado fala-se mui­to sobre abrir aplicações para incentivar o crescimento das vendas no mercado de impressão digital e no número de páginas impressas com esses sistemas, os compradores desse tipo de tecnologia (ou seja, gráficos) devem atentar para uma ter­cei­ra e adicional questão: se vou imprimir, preciso dar a esse impresso um acabamento condizente com a qualidade que meu clien­te espera.
Assim, temos, ao final, não somente a venda de produtos para se imprimir digitalmente. Temos a venda de uma solução total ao clien­te. Esse, sim, é um novo mercado: o que permite a impressão em bai­xas tiragens e tiragens personalizadas e, também, que possibilita a produção de um impresso belo, bem acabado, e um fluxo de trabalho todo adaptado e pensado para a impressão digital.

Silvane Salamoni é diretora da Diginove Equipamentos Gráficos

Texto publicado na edição nº 77