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Chapa térmica sem processamento químico Imprimir E-mail
Escrito por Daniel Nato Machado e Fábio Uva   
Qua, 23 de Março de 2011

Em busca de tec­no­lo­gias mais limpas e menos agressivas ao meio am­bien­te, fabricantes de chapas offset vêm desenvolvendo e disponibilizando no mercado processos de confecção dessas formas que eliminam ou reduzem a necessidade de tratamentos químicos. Duas tec­no­lo­gias para gravação de chapas offset “ecológicas” são conhecidas pelos termos em inglês processless e low chemistry.

A tecnologia low chemistry (com pou­cos produtos químicos) utiliza uma chapa que, de­pois de exposta no CtP, passa por um tratamento químico em um equipamento específico. O produto químico utilizado nesse tratamento é menos agressivo ao meio am­bien­te que os reveladores comuns. Durante o processamento, re­sí­duos da camada sensível da chapa vão se acumulando no químico. A solução resultante deve ser destinada corretamente por uma empresa que possua as licenças am­bien­tais exigidas, como o Cadri (Cadastramento de Destinação de Re­sí­duos In­dus­triais) emitido pela Cetesb.
Já com a tecnologia processless (sem processamento), a chapa sai do CtP e vai diretamente para a impressora offset. A revelação é rea­li­za­da na própria impressora, sem a necessidade de equipamentos específicos ou produtos químicos adi­cio­nais.


Este artigo explica como fun­cio­na o sistema de confecção de uma chapa sem processamento. Estamos falando de uma chapa negativa, ou seja, as ­­áreas expostas pelo laser do CtP vão cons­ti­tuir o grafismo. A exposição é fei­ta com laser infravermelho (IR) de 830 nm. As ­­áreas da camada termossensível que recebem exposição tornam-se in­so­lú­veis. As que não recebem exposição são solubilizadas pela própria solução de molha da impressora e retiradas pelos rolos de tintagem. Os re­sí­duos da camada termossensível são então transferidos para as pri­mei­ras folhas de acerto.
O processo de revelação em máquina ocorre em três etapas:

  1. Penetração da solução fonte
  2. Redução da aderência
  3. Destaque da camada termossensível

 

 

 

A camada termossensível é removida pelo tack da tinta e dispersa na rolaria de tintagem. Essa tinta é impressa nas primeiras folhas de impressão (4).

Porém, o resíduo retirado na revelação não contamina o processo por três motivos:

  • Por ter afinidade físico-​­química com a tinta e não com a água, os re­sí­duos da camada não vão para a solução de molha e sim para a tinta da rolaria
  • A quantidade de re­sí­duos é mui­to pequena em relação à quantidade de tinta. Assim, não ocorre alteração das pro­prie­da­des reo­ló­gi­cas da tinta
  • A camada é incolor, portanto não altera a coloração da tinta

Dentre as vantagens da utilização de chapas processless, podemos citar:

  • Redução de custos pela economia de energia, água, manutenção de equipamentos, mão de obra e produtos químicos
  • Eliminação de re­sí­duos de processo sem a necessidade de destinação es­pe­cia­li­za­da e respectiva documentação
  • Aumento na produtividade pela redução de tempos improdutivos (a chapa chega mais rapidamente à impressora). A exposição, em média, também é mais rápida. Como a chapa é negativa, o laser age somente sobre as ­­áreas de grafismo
  • Processo mais consistente, pela eliminação das va­riá­veis inerentes aos processos de revelação tra­di­cio­nais
  • A camada sensível exposta ao laser fica mais escura, permitindo boa visibilidade da imagem gravada mesmo antes da revelação. Assim, é possível, inclusive, rea­li­zar o controle de qualidade com equipamentos de medição de pontos dis­po­ní­veis no mercado

A chapa processless é uma boa alternativa para trabalhos com tiragem máxima de 100 mil exemplares, sem reim­pres­são. No caso de tiragens maio­res ou de trabalhos que serão reim­pres­sos, as chapas con­ven­cio­nais são mais indicadas porque têm mais resistência física e química.

Daniel Nato Machado é formado pela Escola Senai Theobaldo de Nigris e pela Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica. Fábio Uva é engenheiro químico e técnico formado pela Escola Senai Theobaldo De Nigris. Ambos trabalham na Antalis do Brasil, nos cargos de técnico e coordenador técnico, respectivamente.

Texto publicado na edição nº 76