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Compensação da emissão de carbono das aulas da Faculdade Senai Imprimir E-mail
Escrito por Marcio Pucci   
Qua, 23 de Março de 2011

Hoje, os professores têm a opção de trabalhar em sala de aula temas discutidos mun­dial­men­te e que estejam nos jor­nais e revistas. Mas devem, prio­ri­ta­ria­men­te, discutir o que está presente no dia a dia dos estudantes e da comunidade em que eles estão inseridos. O foco é a educação que leve os alunos à ação e por isso o professor precisa escolher temas que interajam com os alunos e os façam se envolver e formar con­cei­tos so­cioam­bien­tais adequados.
Com base nessas premissas, como professor de disciplinas de Gestão da Qua­li­da­de da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica, procurei um tema que levasse os alunos a utilizar os con­cei­tos de gestão (particularmente de gestão da qualidade e am­bien­tal) e, por meio de atividades lúdicas, a utilizar esses con­cei­tos na prática.
O tema do trabalho surgiu quando assistia a um programa dominical de esporte com meus filhos, que mostrava uma corrida de ­aviões que passavam por entre cones. Uma das barracas do evento divulgava que toda a emissão de carbono ocorrida durante a competição seria compensada. Isso se daria através de uma metodologia de cálculo que definiria a quantidade de árvores a serem plantadas para compensar a emissão de carbono. Essas árvores se­riam plantadas de forma a recompor matas ci­lia­res1 degradadas. Essa era a mensagem e achei a ­ideia mui­to interessante.
A opção que me ocorreu foi fazer um projeto dessa natureza na escola, por ser um am­bien­te propício para o desenvolvimento de novas ­ideias, com acei­ta­ção e liberdade para desenvolver o projeto. Levei essa sugestão à direção e coor­de­na­ção pedagógica, que acei­ta­ram a proposta.
No segundo semestre de 2007, apresentei essa ­ideia aos alunos, como um projeto voluntário. Alguns prontamente acei­ta­ram. Lembro bem que no início alguns perguntaram: “Professor, qual será a sua ajuda?” e respondi com ou­tra pergunta: “Em que vocês esperam que eu ajude? Sai­bam que estarei aprendendo juntamente com vocês, ain­da não sei nada”. Sinceramente, não tinha lido mui­to sobre o assunto e disse: “Vamos aprender juntos”.
O pri­mei­ro passo foi fazer um trabalho de pesquisa que pro­por­cio­nas­se uma base teó­ri­ca para o desenvolvimento prático.
Essa turma de alunos desenvolveu um trabalho mui­to consistente, que vem sendo utilizado até hoje. Para isso, além das fontes tra­di­cio­nais de pesquisa, visitaram con­sul­to­rias que prestam serviços para que empresas, particularmente do ramo gráfico, obtivessem certificações que comprovassem que as suas emissões de carbono-​­equivalente2 estavam sendo compensadas.
A partir desse estudo verificou-se que os métodos de cálculos estavam dis­po­ní­veis em alguns sites3. Com base na ex­pe­riên­cia prática de utilização destas “calculadoras”, os alunos desenvolveram uma planilha que indicava o número de árvores que de­ve­riam ser plantadas para a compensação da emissão de carbono-​­equivalente que nossa aula oca­sio­na­va.
Em uma segunda etapa, que começou no pri­mei­ro semestre de 2008, procuramos es­pe­cia­lis­tas e lo­cais para rea­li­zar o plantio das árvores em número su­fi­cien­te para tal compensação.
A melhor solução foi rea­li­zar a atividade, ou seja, o plantio das árvores, nos parques da cidade de São Pau­lo. A mais forte parceria foi obtida com o Parque Vila dos Re­mé­dios4, com a atua­ção da bió­lo­ga responsável, Tathia­na Popak Maria.
Desde então foram plantadas 186 árvores, em atividades que en­vol­viam não só alunos, coor­de­na­do­ra e professor, mas também fa­mi­lia­res e amigos que se en­tu­sias­ma­ram com o projeto e com o ânimo dos participantes. Esse número de árvores garantiu que as au­las da disciplina estivessem com suas emissões de carbono-​­equivalente compensadas. Porém, mais do que “ensinar” aos alunos relações matemáticas entre a emissão decorrente de atividades diversas, como as que acontecem em uma sala de aula, e as árvores ne­ces­sá­rias que compensam essa emissão através de processos bio­ló­gi­cos, um objetivo ­maior foi o de abrir a mente dos jovens para as conexões esquecidas entre pes­soas, lugares e natureza. Ao professor ficou o desafio de mudar a visão de ser um es­pe­cia­lis­ta para ser um facilitador.
Para isso acontecer, a base adotada é a de que toda educação é uma educação am­bien­tal, mostrando aos jovens que somos partes integrantes do mundo natural e que eles devem proceder dessa forma nas ­atuais e futuras atividades pro­fis­sio­nais e pes­soais. Além disso, ou­tro objetivo foi fazer com que os alunos conhecessem os processos da natureza, pois, devido à essência humana, protegemos tudo que amamos, mas só amamos
aquilo que conhecemos.

Marcio Pucci é professor da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica


1 Mata ciliar é a formação vegetal localizada nas margens dos córregos, lagos, represas e nascentes. É considerada pelo Código Florestal Federal uma “área de preservação permanente”, com diversas funções ambientais, devendo respeitar uma extensão específica de acordo com a largura do rio, lago, represa ou nascente.
2 Utilizamos a expressão “carbono-​­equivalente” para designar as emissões decorrentes da realização das atividades feitas em sala de aula, de todos os tipos de gases que contribuem para a ocorrência do efeito estufa (como CO, CO2, CO4 etc.).
3 www.maxambiental.com.br/
www.carbononeutro.com.br/
www.iniciativaverde.org.br/pt/calculadora
www.florestasdofuturo.com.br
4 Parque Vila dos Remédios
Rua Carlos Alberto Vanzolini, 413, tel. (11) 3625-1419

Texto publicado na edição nº 76