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A nova parte da norma ISO 19005 ou, simplesmente, PDF/A-2 Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Qua, 23 de Março de 2011

O PDF/A, também conhecido como ISO 19005-1, foi o pri­mei­ro padrão ISO que aborda a crescente necessidade de manter as informações armazenadas em documentos eletrônicos por longos pe­río­dos de tempo. O PDF/A é um derivado da especificação da indústria, o PDF, com restrições e algumas pequenas adições que tornam um PDF con­fiá­vel e adequado para armazenamento e lei­tu­ra por longos pe­río­dos de tempo. O padrão PDF/A, publicado ini­cial­men­te em 2005, não trata de detalhes de implementação de acervos di­gi­tais, mas somente do formato dos arquivos do acervo. Portanto, o padrão não regulamenta:

  • Processos para gerar os arquivos PDF/A
  • Detalhes sobre como reproduzir os arquivos PDF/A
  • Métodos para armazenar arquivos PDF/A
  • De­pen­dên­cias de hard­ware e soft­ware

Uma das preo­cu­pa­ções sentidas no mercado, no início de sua implantação, foi em relação aos di­rei­tos de pro­prie­da­de in­te­lec­tual da Adobe sobre o formato PDF. Para so­lu­cio­nar problemas de di­rei­tos au­to­rais, a empresa doou a licença, livre de ro­yal­ties, e algumas de suas patentes para o uso, a fim de que os usuá­rios da norma pudessem ­criar aplicações que lessem, escrevessem ou processassem arquivos PDF/A livremente. Qualquer pessoa, empresa ou o governo pode usar o PDF Reference e o XMP Spe­ci­fi­ca­tion em conjunto com a norma ISO 19005-1 para ­criar tais aplicações. Com isso, o formato fica totalmente desconectado de sua empresa cria­do­ra. Além disso, em 2008, a ISO publicou a norma ISO 32000, que é a especificação de PDF totalmente transferida pela Adobe para a ISO. Desse momento em dian­te, a ISO (e seus paí­ses-​­membros) é a responsável pelo presente e pelo futuro do PDF, dando origem a todas as normas derivadas dele: PDF/A, PDF/E, PDF/X e PDF/UA.

Aplicações do PDF/A
Além de bi­blio­te­cas, mu­seus, universidades e governos, as empresas também estão se interessando pelos arquivos no formato PDF/A, uma vez que ele garante o acesso aos arquivos independentemente de plataforma, sistema ope­ra­cio­nal ou mídia. É importante observar que esses problemas, sob responsabilidade do pes­soal de tecnologia da informação (TI), não dizem res­pei­to ao formato e sua norma correlata. No Brasil há uma diretiva da Presidência da República, conhecida como e-​­Ping ou Governo Eletrônico, que estabelece as políticas de informatização do Estado e sua relação entre os poderes e a so­cie­da­de civil. A partir do e-​­Ping 2.0, o PDF/A aparece como formato recomendado para documentos em fase final de vida, que não deverão sofrer modificações.
Nos Estados Unidos, sem contar as inúmeras bi­blio­te­cas e ins­ti­tui­ções go­ver­na­men­tais e privadas (notadamente a Bi­blio­te­ca do Congresso, com seu peso de formadora de opi­nião), o PDF/A também chegou aos tri­bu­nais. Uma norma exigindo que as súmulas sejam entregues neste formato está prestes a ser implementada nos tri­bu­nais fe­de­rais daquele país. Embora ain­da não seja necessário, é recomendado que as partes interessadas usem o PDF/A ao arquivar documentos através dos sistemas Case Management e Case Files (CM/ECF).

O formato PDF/A-2
Em novembro de 2010, o comitê responsável da ISO se reu­niu em Ottawa, no Canadá, e ratificou a parte 2 da norma ISO 19005 (PDF/A-2). As diferenças entre as partes 1 e 2 podem ser resumidas da seguinte ma­nei­ra:

  1. ISO 32000. Enquanto o PDF/A-1 é ba­sea­do na versão 1.4 do PDF, o PDF/A-2 tira pro­vei­to de recursos que só ficaram dis­po­ní­veis em versões pos­te­rio­res, até a versão 1.7. O PDF/A-2 já não é ba­sea­do em uma especificação publicada pela Adobe, mas sim na norma in­ter­na­cio­nal ISO 32000-1: 2008.
  2. Uso de trans­pa­rên­cias. O PDF/A-1 proi­bia trans­pa­rên­cias devido à imaturidade dessa tecnologia quando a norma foi escrita. Já no PDF/A-2 seu uso é permitido, sem comprometer a capacidade de arquivamento.
  3. Fontes OpenType. No quesito fontes há a novidade do suporte ao formato de fontes OpenType, que corresponde à norma ISO/IEC 14496-22. A norma PDF/A-2 permite que essas fontes sejam incorporadas diretamente, sem precisar convertê-​­las pre­via­men­te em fontes tipo Post­Script Type 1 ou TrueTy­pe.
  4. Suporte a JPEG2000. O suporte ao JPEG2000, compressão avançada de imagens, é es­pe­cial­men­te útil para documentos digitalizados. Este se ba­seia na capacidade que a norma ISO 32000-1:2008 tem de acei­tar objetos raster tipo JPEG2000 em seu in­te­rior e, portanto, também fun­cio­na no PDF/A-2.
  5. Suporte a port­fó­lios. Port­fó­lios são coleções de arquivos em um único PDF, normalmente fei­tas pelo Acrobat. Os elementos internos dessa coleção podem ser arquivos PDF, de imagem, do MS Office, filmes ou flash. O sistema de coleção permite que um único PDF seja utilizado como portfólio, au­xi­lian­do na navegação em um conjunto de arquivos, even­tual­men­te com assinatura digital.
  6. Suporte a Op­tio­nal Content. A norma PDF/A-2 suporta con­teú­do op­cio­nal (ou camada). O con­teú­do op­cio­nal pro­por­cio­na um método de agrupamento de con­teú­dos para exibição e impressão, de utilidade para desenhos técnicos e documentos in­ter­na­cio­nais ou pedagógicos. Seu uso, já corrente no mercado, acontece em embalagens de produtos dis­tri­buí­dos globalmente.
  7. Novo nível de conformidade: PDF/A-2u. A letra U significa Unicode. Um novo nível de conformidade PDF/A-2u é uma versão enxuta do nível de conformidade A. O PDF/A-2u oferece as vantagens do Unicode quanto à pesquisa e cópia de textos sem os requisitos de estrutura lógica do nível de conformidade A.
  8. Suporte a anotações. No PDF/A-2 o suporte para anotações foi revisado. Alguns tipos de anotação ain­da estão proi­bi­dos, enquanto ou­tros (por exemplo, anotações de edição de texto) são permitidos.
  9. Assinatura digital PadES. O PDF/A permite assinaturas eletrônicas de modo a facilitar a au­ten­ti­ca­ção dos documentos. A norma garante a interoperabilidade, in­cluin­do provisões para a norma ETSI/PadES (PDF advanced electronic signatures), sob a especificação técnica TS 102778.

A nova parte da norma 19005 não substitui o PDF/A-1 nem o torna obsoleto. Ela permite novas fun­cio­na­li­da­des ao formato. Quem já o adota tem de saber que a segunda parte da norma não é uma evolução, e sim uma ma­nei­ra de prover facilidades para que documentos específicos a certos segmentos do mercado sejam arquivados com sucesso por longos pe­río­dos de tempo. Não há nenhuma necessidade de se converter ou atua­li­zar arquivos ou acervos que já existam em PDF/A-1 para PDF/A-2. É importante observar que todo arquivo PDF/A-1 é um arquivo PDF/A-2 válido.


O PDF/A e a indústria gráfica
Uma vez que se observa globalmente um consenso em elevar a categorização da indústria gráfica tra­di­cio­nal de uma indústria que adi­cio­na códigos ou marcas em substratos físicos para uma indústria de comunicação na qual os substratos podem ser físicos ou eletrônicos, fica claro que todo acervo digital de documentos interessa. Em um acervo, os documentos são depositados, catalogados, indexados e, even­tual­men­te, procurados e impressos. Essa ligação com um formato de acervo mui­to similar ao PDF/X (da indústria gráfica) é uma ma­nei­ra de prover novos serviços e estar sempre pronto para fornecer a boa e velha impressão sobre substrato.

Bruno Mortara é superintendente do ONS27, coordenador da Comissão de Estudo de Pré‑Impressão e Impressão Eletrônica e professor de pós-​­graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Texto publicado na edição nº 76