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Fundação Dorina Nowill mostrará impressão em braille na Bienal do Livro Imprimir E-mail
Escrito por Margareth Meza   
Sex, 01 de Agosto de 2008
Mais uma vez, a Fundação Dorina Nowill para Cegos, organização particular sem fins lucrativos, participará da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que será realizada de 14 a 24 de agosto no Parque de Exposições Anhembi, zona norte da Capital.

 

 

Durante o evento, a entidade desenvolverá atividades interativas e mostrará os livros falados, digitais e também os impressos em braille. Só em 2007, a instituição imprimiu mais de 33 milhões de páginas, ou 103.759 exemplares nesse processo, número que beneficiou diretamente 1.025 instituições, entre elas bibliotecas, escolas, universidades e associações.

Essa significativa produção foi possível porque a organização possui uma das maiores e mais antigas imprensas braille do País. Até hoje, desde sua instalação, em 1950, foram reproduzidas aproximadamente 250 milhões de páginas, 48,5% desse total nos últimos sete anos. “Desde 2001, buscamos alternativas para melhorar a qualidade e aumentar o volume impresso. Para isso, adquirimos equipamentos, atualizamos metodologias e capacitamos profissionais”, explica Roberto Fernando Gallo, gerente de produção em braille da Fundação Dorina Nowill. Segundo o profissional, o processo produtivo foi otimizado pela ajuda das editoras, que há cerca de quatro anos passaram a enviar conteúdos digitalizados como forma de agilizar as atividades da fundação. “Antigamente, pelo medo da violação dos direitos autorais, precisávamos escanear página por página, atividade que tornava nosso trabalho lento e sofrível”, complementa Gallo.

Impressão e editoração

A produção editorial dos exemplares é totalmente elaborada pela Fundação Dorina Nowill, responsável, entre outras coisas, pela diagramação, revisão e impressão de provas. Para isso, a instituição conta com software de editoração específico, revisores videntes e deficientes visuais, além de vários equipamentos voltados a esse fim.

Quanto à gráfica, é equipada com seis impressoras e também com uma guilhotina automática. Para se ter idéia, os dispositivos usados são de tecnologia tipográfica, amplamente empregada no meio comercial até meados da década de 1970, quando se tornou obsoleta por conta da entrada em larga escala do sistema offset no País. “Isso evidencia que o antiquado para outras gráficas é totalmente moderno e valioso para nós. Dessa forma, as empresas podem fazer doações de maquinário em desuso. Eles serão muito bem-vindos e aproveitados”, ressalta Adriana Adad Kravchebko, gerente de marketing.

Por serem antigos, os equipamentos precisaram ser adaptados para reproduzir de forma adequada o código braille. Esse procedimento é necessário porque a linguagem é relevográfica, ou seja, precisa ser sentida pelo tato, característica que exige impacto mais forte no papel para a concretização da impressão. “Essa peculiaridade nos obrigou a ajustar e reforçar as máquinas. O inconveniente é o custo elevado dessa operação”, observa Gallo.

Para otimizar os gastos da organização, as empresas também podem fazer doações em dinheiro. Em maio, a Associação Beneficente Alzira Denise Hertzog da Silva (ABADHS), que auxilia instituições engajadas em ações sociais, doou R$ 450 mil para a compra de um equipamento destinado à montagem e ao acabamento automático de livros, pois esse processo ainda é manual. “O dispositivo triplicará nossa capacidade atual e diminuirá os estoques intermediários”, esclarece o gerente.

Passo a passo da produção editorial e processo de impressão

A revista Tecnologia Gráfica visitou a Fundação Dorina Nowill e conheceu, passo-a-passo, como são produzidos os livros em braille. Para começar, os textos são transcritos por meio de um programa chamado Braille Fácil. O software requer o acompanhamento de técnicos, responsáveis pela conversão manual de alguns símbolos, como elementos matemáticos e químicos.

Em seguida, o conteúdo é diagramado com o próprio Braille Fácil. Existindo ilustrações, o designer pode fazer uso de programas convencionais, como Corel Draw, In Design, PhotoShop, entre outros. Além do mais, precisa usar a criatividade para compor imagens que possam ser compreendidas pelo leitor.

O próximo passo é a prova. Para obtê-la, os técnicos utilizam impressoras dos modEm médiaa, uma página convencional resulta em três páginas no formato braille, isso quando se trata de textos corridos, sem ilustrações. Caso contrário, essa proporção é de um para cinco. Esse aumento ocorre porque o código não pode ser reduzido nem ampliado, pois deve ter tamanho suficiente para ser sentido com os dedos.elos Impacto Texto e Impacto 600, importadas da Espanha. Ambas funcionam de forma semelhante aos aparelhos matriciais. Depois de prontas, as provas são revisadas. Esse procedimento é realizado por revisores deficientes visuais, acompanhados por seus pares voluntários, que são videntes. Após a verificação e correção dos erros, o material é novamente analisado pela dupla.

A fase seguinte é a impressão das matrizes, processo efetuado por impressoras PED-30, direcionadas a textos, e Puma VI, que permite a reprodução de figuras. Os exemplares são importados dos Estados Unidos e da Alemanha, respectivamente, e imprimem, em média, duas chapas frente e verso por minuto. “Os dois modelos trabalham por meio de agulhas com 2 mm de diâmetro, preparadas para realizar os furos que compõem as simbologias no metal”, esclarece Fred Dias da Silva, engenheiro especializado em soluções gráficas.

Para garantir a qualidade editorial, os técnicos tiram provas das matrizes através de equipamentos conhecidos como calandras. “Esse mecanismo contém uma dupla de cilindros, que giram simultaneamente. A chapa, impressa em folha dupla é empurrada entre os rolos com uma folha de papel dentro, como uma espécie de sanduíche, resultando na impressão”, explica Roberto Gallo.

Depois da confecção e da revisão das matrizes, os profissionais partem para a gravação das chapas, produzidas com as mesmas máquinas Puma VI e PED-30. Para pequenas tiragens, de até 20 unidades, não é necessária a realização desse procedimento. O arquivo é impresso diretamente dos computadores. Para a reprodução de grandes volumes, a gráfica da fundação conta com quatro impressoras Heidelberg modelo GT 1/4 de leque e duas versões planas KSBA da mesma marca. A capacidade produtiva é de aproximadamente 32 mil páginas por hora.

“O modelo GT é automático e imprime uma folha por vez. Funciona como se fosse um leque constituído por duas partes, uma que possui a chapa e outra na qual o papel é acoplado. Dessa forma, por fortes movimentos de abrir e fechar, os símbolos são registrados no papel. Já a máquina plana possui um cilindro e uma mesa móvel, nos quais as chapas são encaixadas. A folha passa entre os dois mecanismos que, ao se encontrarem, proporcionam o registro frente e verso”, completa Silva.

Por fim, os exemplares são montados, conferidos página a página, embalados e, finalmente, distribuídos. A Fundação Dorina Nowill não vende o material produzido. Grande parte dos produtos — 47% — é patrocinada e distribuída gratuitamente para 1.595 instituições credenciadas. O restante é encomendado por órgãos governamentais e por empresas que visam à inclusão social de deficientes visuais.

Para saber mais:
www.fundacaodorina.org.br

Texto publicado na Edição 62