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As imagens de teste SCID ou ISO 12640 Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Qui, 23 de Dezembro de 2010

Algumas normas técnicas da ISO não têm o gla­mour das normas mais conhecidas, como a ISO 12647 ou o PDF/X (ISO 15930). Entre essas normas menos famosas se encontra um interessante grupo de imagens, mais conhecidas como as imagens SCID (Standard Co­lour Image Data). Atual­men­te há três conjuntos publicados nas partes 1, 2 e 3 da norma ISO 12640.
Um quarto grupo está se aproximando da fase de publicação e um quinto conjunto está em preparação. Sua utilidade é sem dúvida importante, mas ele se encontra nos la­bo­ra­tó­rios, fábricas de monitores, impressoras e sistemas de RIP usados pelos fabricantes de soft­ware e pelos fornecedores de insumos gráficos.
Cada um desses conjuntos de imagens pro­por­cio­na diferentes características que são ­úteis para ava­liar a ca­deia de processamento de imagens. Esta matéria procura esclarecer as características específicas de cada parte da norma ISO 12640, a relação entre os vá­rios conjuntos de imagens e as aplicações para cada um deles.
Durante a fabricação de ma­te­riais gráficos, soft­wares ou hard­wares que utilizem ge­ren­cia­men­to de cores, o uso de controles se dá de modo numérico (via re­fe­rên­cias densitométricas ou colorimétricas) ou através de avaliações vi­suais. Para essa ava­lia­ção são ne­ces­sá­rias imagens es­pe­ciais que possam colocar em teste os algoritmos, mecanismos ou partes eletrônicas dos sistemas sob verificação.
Os conjuntos de imagens de teste padrão da ISO 12640 fornecem um conjunto de dados que pode ser usado para qualquer uma das seguintes tarefas:

  • ava­liar a reprodução de cores de sistemas de imagens;
  • ava­liar a reprodução de cores de dispositivos de imagem;
  • ava­liar o efei­to de algoritmos de processamento de imagens aplicados às imagens;
  • ava­liar as tec­no­lo­gias de codificação ne­ces­sá­rias para o armazenamento e transmissão de dados de imagem de alta definição;
  • ava­liar o uso de ma­te­riais e sistemas de reprodução de cores.

A família da norma 12640 é cons­ti­tuí­da por grupos de imagens de alta definição e qualidade, em geral presentes durante a captura e impressão de imagens. Por isso, os usuá­rios podem con­fiar nessas imagens e saber que, se elas produzirem reproduções de boa qualidade, quando adequadamente processadas, estarão fazendo uma ava­lia­ção correta do escopo em questão. É importante frisar que nenhum conjunto de imagens pode testar completamente qualquer sistema, mas esses conjuntos limitados fornecem uma massa de dados útil e eficaz. Além disso, a existência de um conjunto padrão permite que usuá­rios em lo­cais diferentes possam produzir comparações sem a necessidade de troca de imagens antes da reprodução.
Cada tipo de aplicação requer um tipo de dado específico, fornecido em estados diferentes de imagem, usando diferentes codificações (ver ISO 22028‑1, Photography and graphic technology – Extended co­lour encodings for digital image storage, ma­ni­pu­la­tion and interchange – Part 1: Architecture and requirements). Sendo assim, cabe ao usuá­rio se­le­cio­nar o conjunto de imagens adequado para a tarefa que tenha pela frente. Embora seja possível fazer uma transformação dos dados de imagem de um estado para ou­tro, a ISO afirma que não há um consenso entre os es­pe­cia­lis­tas de como se deve proceder e sobre a forma como isso deve ser feito. Essa é a razão pela qual a norma ISO 12640 tem diversas partes e, em cada parte, o conjunto de imagens está codificado de ma­nei­ra diferente.

A família da norma ISO 12640
A pri­mei­ra parte da norma foi publicada em 1997, quando os sistemas de ge­ren­cia­men­to de cores ainda não estavam disseminados, o que também não ocorria com as melhores práticas da indústria em relação às transformações de imagens sob o controle de perfis ICC e CMMs ICC. A ­maior parte das imagens era advinda de ori­gi­nais fotográficos analógicos, pos­te­rior­men­te digitalizados diretamente em valores CMYK por escâneres de grande porte, em geral, de cilindro.
A norma ISO 12640‑1, Graphic technology – Prepress digital data exchange – Part 1: CMYK standard co­lour image data (CMYK/SCID), trata do intercâmbio de dados di­gi­tais com dados de cores CMYK. O conjunto de imagens, sem perfil ICC, com oito bits por canal, destina-se à comparação dos resultados impressos entre diferentes condições de impressão. As cores resultantes da reprodução de dados de CMYK são estritamente definidas apenas no momento da impressão e, assim, essas imagens só são válidas para a ava­lia­ção de aplicações de impressão CMYK.
Nessa parte da norma não são definidas as transformações das imagens para ou­tros estados e codificações de cor. Nos dias de hoje, imagens como as dessa parte da norma têm utilidade limitada, uma vez que não têm perfil ICC anexo e foram codificadas para uma condição de impressão não documentada. Ainda assim, podem ser adotadas em test forms se forem designados perfis que resultem em imagens agra­dá­veis, através do comando assign profile do Pho­to­shop. No entanto, devido ao fato de terem os dados uma profundidade de apenas oito bits por canal, deve-se verificar se não ocorreram even­tuais marcas estranhas às imagens, cau­sa­das durante transformações de cor.


A segunda parte da norma foi publicada em 2004 e possui 15 imagens que podem ser utilizadas para a ava­lia­ção de alterações na qualidade em aplicações de fotografia não pro­fis­sio­nal e sistemas ca­sei­ros de imagem como computadores pes­soais, máquinas fotográficas e câmeras de computador.
A norma ISO 12640‑2, Graphic technology – Prepress digital data exchange – Part 2: XYZ/sRGB encoded standard co­lour image data (XYZ/SCID), traz um conjunto de dados de imagens teste codificado de duas maneiras: em XYZ (dados tristimulus) com profundidade de 16 bits, valores escalados entre 0 e 65535 por canal, e como sRGB (definido na norma IEC 61966-2-1), com uma profundidade de oito bits por canal. As imagens foram otimizadas para a vi­sua­li­za­ção em monitores do tipo CRT de referência sRGB, em condições de observação de referência sRGB, tendo como base o iluminante padrão CIE D65 para o qual os valores tristimulus XYZ foram computados antes de serem escalados pelos 16 bits.
As imagens foram pensadas principalmente para serem usadas em sistemas que utilizam o espaço de cores sRGB como sua codificação de referência e, como tal, são apli­cá­veis principalmente a sistemas cujo periférico central de vi­sua­li­za­ção é um monitor ba­sea­do no sRGB. Tais sistemas são mais utilizados em fotografia não pro­fis­sio­nal e são pou­co populares na indústria gráfica, pois o gamut de cores do sRGB tem formato e volume mui­to diferentes dos gamuts típicos de impressão offset. Essa diferença entre os espaços de cor pode exigir um reprocessamento de cor excessivamente agressivo nas imagens, a fim de se produzirem imagens ­ideais para impressão, podendo gerar de­fei­tos e distorções.
A ter­cei­ra parte da norma foi publicada em 2007 e é cons­ti­tuí­da de um conjunto de imagens com uma ampla abrangência de gamut de reflexão, o qual é algumas vezes am­plia­do sinteticamente, através de operações matemáticas no Mathlab e no Pho­to­shop.


A norma ISO 12640-3, Graphic technology – Prepress digital data exchange – Part 3: Cie­lab standard co­lour image data (Cie­lab/SCID), traz imagens com dados de cor em Cie­lab, capturadas a partir de um gamut de reflexão mui­to amplo, usando iluminante D50*. A profundidade das imagens na­tu­rais é de 16 bits por canal, enquanto as cartas de cores e vinhetas pos­suem oito bits por canal.
Essas imagens foram concebidas para serem ­úteis em aplicações onde gamuts de impressão amplos são ne­ces­sá­rios, tipicamente das ­­áreas de tecnologia gráfica e fotografia. Durante a captura, desejou-se coletar imagens com cores de reflexão codificadas junto às fron­tei­ras vi­sí­veis do gamut de cores. Além disso, essas imagens são codificadas com um branco de referência D50, tornando-se extremamente ­úteis para ava­liar sistemas de gerencia­men­to de cores de artes gráficas e fotografia, uma vez que esses têm o PCS (espaço de conversão central) com iluminante de referência D50, além de ferramentas de vi­sua­li­za­ção e medição também ba­sea­das em D50. Por essa razão, tornou-se também o iluminante de referência predominante para a maio­ria dos aplicativos de ge­ren­cia­men­to de cores.
A próxima parte da norma da família ISO 12640 a ser publicada pelo comitê da ISO para as artes gráficas, o TC 130, será a Parte 4. Essa parte, junto com seu conjunto de imagens, reflete a ampla adoção do Adobe RGB como gamut de tratamento de imagens por fotógrafos e artistas e que mui­tas vezes acabam também sendo impressas através das novas tec­no­lo­gias gráficas existentes (plotters de prova e de sinalização). O espaço de cor Adobe RGB é um espaço de cor RGB desenvolvido pela Adobe Systems em 1998. Foi concebido para abranger a maio­ria das cores que podem ser reproduzidas em impressoras CMYK, através do uso de cores pri­má­rias RGB em um dispositivo, como a tela do computador. O espaço de cor Adobe RGB engloba cerca de 50% das cores vi­sí­veis especificadas pelo espaço de cor Lab, adi­cio­nan­do cores importantes em relação ao gamut do espaço de cor sRGB, principalmente nas ­­áreas de verde e cia­no.


A luminosidade do monitor deve ser de 160 cd/m² no ponto branco e 0,5557 cd/m² no ponto preto, o que implica uma relação de contraste de 287,9. O am­bien­te do monitor deve ser iluminado a 32 lx. O gama do monitor é de 2.2 e o ponto branco corresponde ao D65. Portanto, em conversões de Adobe RGB para espaços de impressão CMYK, como a ISO Coa­tedV2 (Fogra 39L), onde o ponto de branco é D50, é preciso ter bastante cui­da­do com a adaptação cromática dos brancos e dos grises, ava­lian­do as mudanças das cores corretamente.
A norma citada acima, a ISO 12640‑4, Graphic tech­nology – Prepress digital data exchange – Part 4: Wide gamut display-​­referred standard co­lour image data [Adobe RGB (1998)/SCID], está em fase final de aprovação e publicação. Ela apresenta um conjunto de dados de imagem de teste com gamut amplo codificadas como Adobe RGB, com uma profundidade de 16 bits por canal.
O gamut do espaço de cores de referência Adobe RGB é mais próximo aos gamuts dos espaços de cor de impressão offset do que o gamut do espaço de cores sRGB. Dessa forma, quando convertemos imagens codificadas em Adobe RGB, geralmente é preciso um reprocessamento de cor mui­to menos agressivo do que quando vamos imprimir imagens codificadas em sRGB.