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Isso pode? Imprimir E-mail
Escrito por Kesler Santos   
Qui, 01 de Maio de 2008

Quando falamos em imagens, é difícil dizer o que pode e o que não pode ser feito. Acredito que de todos os crimes, o mais grave são as imagens em baixa resolução. Ao escanear ou fotografar uma imagem, o ideal é fazê-lo imaginando em qual formato essa imagem será impressa. Sabemos que nem sempre isso é possível, portanto, é melhor capturá-la na maior resolução possível.

Qual a resolução ideal para impressão offset? A resposta é simples: a imagem, na sua dimensão final, deve ter uma resolução equivalente ao dobro da retícula. Ex.: para uma imagem impressa na dimensão final de 15 × 10 cm, em uma retícula de 150 lpi, sua resolução deve ser de 300 dpi; se a mesma for impressa a 175 lpi utilize 350 dpi. Esse cálculo não é definitivo, pode variar um pouco para mais ou para menos, mas ao utilizarmos o dobro da retícula é certo que do mal da baixa resolução a sua imagem não vai padecer.

Outra questão importante é relativa ao espaço de cor. Qual devemos utilizar? Lab, RGB, CMYK? Os mais técnicos e habilidosos podem dizer Lab. Nesse espaço, um profissional que conhece muito sobre cores e fotografia, pode fazer praticamente tudo que quiser com sua imagem. Mas, a grande maioria não possui esse dom, e tampouco é necessário.

Podemos operar verdadeiros milagres simplesmente trabalhando com as imagens em RGB. Quando a imagem estiver no espaço de cores RGB é importante que se aplique um perfil de cor ICC. A função do perfil é fazer com que os programas conheçam os valores colorimétricos da imagem, permitindo a sua conversão a qualquer momento.

Vamos explicar um pouco melhor esse assunto. Você sabe o que é um perfil ICC? ICC significa International Color Consortium, entidade responsável pela padronização de cores. Essa entidade desenvolveu uma forma de tabular numericamente as cores em um arquivo chamado de Profile ICC, gerado a partir da medição de uma cartela de cores padronizadas, em um aparelho chamado espectrofotômetro. As cores medidas são tabuladas em um software que gera um arquivo com a extensão .icc. Como se faz essa conversão? O arquivo ICC é inserido no sistema operacional do computador, tanto faz Macintosh ou PC. Ao abrir qualquer programa, este reconhece o perfil ICC e o utiliza para realizar o mapeamento das cores.

O que precisamos saber para converter cores RGB para CMYK? Essa não é uma resposta simples. Existe, na maioria dos aplicativos, profiles ICC prontos que podem ser utilizados. Mas, esses profiles foram confeccionados para diferentes situações de impressão. O principal item que devemos levar em consideração é o somatório de cores.

O somatório de cores é a quantidade máxima que podemos reproduzir de cyan, magenta, amarelo e preto sem danificar o contraste máximo da imagem, ou seja, a quantidade máxima de tinta que permite enxergar as variações de matizes nas áreas escuras da imagem, sem que ocorram problemas de secagem de tinta, efeitos como reprint e decalque. Esse somatório depende do papel utilizado. A ISO possui como referência cinco tipos de papéis, com somatório de 280 a 350%.

UCR e GCR

Outro item importante é o método de separação, ou sistema UCR e GCR. No UCR, Under Color Removal, mais utilizado em offset plana, o black é utilizado somente como acabamento, nas áreas escuras, para realçar o contraste. O GCR, Gray Color Removal, é muito utilizado em impressão rotativa ou impressão frente e verso de máquinas offset planas com reversão. Esse método retira o componente gris das imagens e adiciona no preto, ou seja, todo cinza é realizado com tinta black. Sua vantagem é a economia de tinta. Sua desvantagem é a perda de detalhes e contraste.

Qual é a melhor solução? É possível tratar imagens em RGB, com preview simulando CMYK no Photoshop. No Photoshop, você pode selecionar no menu Edit, Color Settings, um perfil CMYK (Sugestão: ISO Coated v2); no menu View selecione a opção Proof Color. O Photoshop passará a exibir a imagem em RGB/CMYK, ou seja, você enxerga a imagem como se ela estivesse convertida, mas ela está em RGB. Isso permite utilizar recursos como PDF/X3, deixando a conversão para o final, no RIP onde será gravada a prova e a chapa.

Hoje em dia, com o advento da convergência, muitas campanhas publicitárias não terminam somente no impresso gráfico. Podem virar páginas de Internet, entre outras aplicações. O padrão ISO PDF/X3 (norma 15930) permite trabalhar com as imagens em RGB e só convertê-las no final, preservando a informação RGB e deixando a responsabilidade da conversão CMYK para a gráfica, que detém a informação do tipo de papel, tinta e máquina de impressão que serão utilizadas.

Kesler Santos é instrutor da Heidelberg do Brasil e professor do curso superior da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Texto publicado na Edição 61