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XRGA - Um novo padrão X‑Rite para artes gráficas? Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Ter, 17 de Maio de 2011

Recentemente, a X‑Rite, principal conglomerado de empresas de instrumentos de controle de cor (X‑Rite, Gretag e Mac­beth) que atende inúmeros segmentos da indústria (inclusive a indústria gráfica), teve de resolver um quebra-​­cabeça técnico importante. Justamente por ser uma junção de diversas empresas com equipamentos similares, porém não padronizados, ela se viu dian­te do inevitável: o mercado começou a cobrar o fato de que as lei­tu­ras colorimétricas de certa amostra fei­tas com um instrumento X‑Rite resultavam diferentes se fossem fei­tas com um instrumento Macbeth e ain­da po­de­riam resultar em um ter­cei­ro valor se fossem fei­tas com um da Gretag. Isso afeta o desempenho e a qualidade das empresas, uma vez que a cor é um fator fundamental para a produção de quase todos os produtos. É es­sen­cial que exista um controle eficaz e uma comunicação de cores precisa entre o designer, a produção e a dis­tri­bui­ção para a obtenção de produtos de alta qualidade e controle de qualidade. Com lei­tu­ras diferentes, esse importante controle se torna ambíguo e não se consegue atingir a consistência da cor ao longo do processo produtivo, es­pe­cial­men­te importante quando há uma ca­deia de suprimentos ou quando se adotam diferentes substratos na indústria gráfica. É importante ressaltar que cada segmento da ca­deia consegue controlar seu processo com um determinado instrumento, mas, no momento em que surge uma discrepância entre diferentes instrumentos, não há quem culpar senão a instrumentação.

O problema da consistência
Em setores nos ­quais a cor é crítica, a ma­nei­ra mais precisa e con­fiá­vel para medi-la e controlá-la é através do uso de espectrofotometria de alta qualidade, com a qual se obtêm os valores de energia para cada banda de 5 nm do espectro visível. Para os usuá­rios da indústria, o valor intrínseco da cor, obtido como descrito acima, deveria ser “imutável”, significando que todas as medidas tomadas de uma mesma amostra de cor devem, em teoria, produzir o mesmo resultado. Entretanto, os pro­fis­sio­nais de artes gráficas sabem que na prática isso não ocorre. Por quê? As razões dessa va­ria­ção de medição estão re­la­cio­na­das com o fato de que cada amostra de cor física tem a sua própria “impressão digital” de reflexão, que normalmente é medida utilizando um dispositivo de medição espectral.
A resposta única espectral é conseguida através da comparação da relação da luz refletida ou transmitida de uma superfície como uma função do comprimento de onda, comparando-se com um padrão de referência conhecido.
Para rea­li­zar essa tarefa, há no mercado instrumentação espectral com a capacidade de rea­li­zar essa comparação no local, dis­tri­buin­do eletronicamente os valores das medições. É mui­to comum que os usuá­rios utilizem instrumentos de medição de diversos fabricantes para o controle de cor. Eles também usam instrumentos com fun­cio­na­li­da­des de medição distintas, em diferentes pontos do seu fluxo de trabalho. Isso mui­tas vezes leva a uma si­tua­ção comum e problemática, na qual as medições resultantes apresentam pequenas diferenças numéricas para uma mesma amostra. Isso pode ser es­pe­cial­men­te problemático quando bancos de dados são construídos utilizando um modelo de instrumento particular, não havendo concordância satisfatória com os resultados de ou­tros modelos usados por um serviço diferente. O último fator de va­ria­ção na medição de cores resulta do fato de que cada fabricante usa normas de calibração física um pou­co diferentes para seus instrumentos.

O estudo das diferenças
A X‑Rite, mesmo que tar­dia­men­te, executou um estudo sistemático para ava­liar as diferenças que o mercado apontava entre os instrumentos das empresas que absorveu. Em 2006, os dois líderes no campo da ciên­cia e tecnologia de cor, X‑Rite e Gretag­Mac­beth, se fundiram para formar a nova X‑Rite, Inc. Cada uma das empresas an­te­rio­res tinha, por razões históricas, diferentes normas para a calibração de instrumentação de artes gráficas. As duas empresas mantiveram seu padrão ao longo do tempo para garantir a compatibilidade dos dados de medições antigas executadas por seus clien­tes. A con­ti­nui­da­de das normas foi um benefício para a base instalada de cada empresa clien­te, mas os instrumentos de cada uma das antigas empresas apresentam diferenças sistemáticas se comparadas as lei­tu­ras sobre uma amostra específica. A X‑Rite ­criou o padrão XRGA com o objetivo de di­mi­nuir essas diferenças, sem impossibilitar os fluxos de trabalho até então implantados em cada clien­te.
Para o estudo da empresa foram escolhidos os modelos mais vendidos de cada empresa e as medições foram rea­li­za­das sob condições típicas de trabalho em substratos impressos. A ­ideia era quantificar as diferenças entre os modelos co­mer­cia­li­za­dos pelo grupo. Os seguintes instrumentos foram utilizados nesse estudo: Gretag­Mac­beth: i1Pro, SpectroLino e Spectro­Eye; X‑Rite: 530, 938 e 939. As medições foram rea­li­za­das na tarja de controle Ugra/Fogra Media Wedge CMYK V2, no modo sem filtro UV, denominado M0 na norma ISO 13655. Essa é a definição mais comum de filtros utilizados em aplicações de artes gráficas.
As amostras de teste foram fei­tas em diferentes substratos, impressos pela as­so­cia­ção das in­dús­trias gráficas alemãs, o Altona Test Sui­te. Foram escolhidos os substratos cou­ché brilho, cou­ché fosco, LWC, papel offset não revestido branco e papel offset não revestido levemente amarelado. Além disso, foram se­le­cio­na­dos alguns substratos do Japão, revestidos e não revestidos, além de impressão digital de alta qualidade em papel fotográfico jato de tinta da Fuji.

Procedimentos de medição e condições
Para os testes foram seguidas as normas in­ter­na­cio­nais da ISO, em es­pe­cial a norma 13655, na qual é especificado o ­apoio, no caso o preto. Todos os testes foram rea­li­za­dos em uma sala com ar-​­con­di­cio­na­do com controle de temperatura (23°C ± 1°C). A umidade foi controlada em 65% e a tarja de controle Ugra/Fogra Media Wedge CMYK V2 foi medida com cada instrumento, em um intervalo de quatro segundos entre as medições, com a condição sem filtro UV-Cut, a condição M0 da norma ISO 13655. Os cálculos colorimétricos foram executados para o iluminante D50 e as funções de observador padrão 2°. A fórmula de diferença de cor escolhida foi a mesma das normas acima, a Cie­lab 1976 L*a*b* (dE* ab). Em cada comparação foi calculada a média e o máximo de 95% dos valores das diferenças colorimétricas para todos os patches em uma comparação entre instrumentos.

A análise dos dados
Na tabela a seguir são apresentados os dados para o substrato papel fotográfico de alta qualidade, usado em impressão digital. Segundo o estudo da X‑Rite, os resultados foram considerados idênticos, independente do tipo de substrato testado e, portanto, os resultados aqui apresentados se restringem a um único substrato.
Os dados mostram uma proximidade de lei­tu­ras entre os instrumentos de um mesmo fabricante, entre os instrumentos antigos X‑Rite (530, 938 e 939) e entre os antigos instrumentos Gretag­­Macbeth (i1Pro, SpectroLino, Spectro­Eye).
Já a conformidade entre os instrumentos não é tão boa quando se comparam os instrumentos da X‑Rite e aqueles da Gretag­Mac­beth. As diferenças ilustram a consequência do uso de padrões de calibração diferentes em cada uma das empresas antigas. As diferenças entre as duas fa­mí­lias de instrumentos são importantes para aplicações de artes gráficas, e é isso que cria dificuldades para a troca de informações de cor entre aqueles que even­tual­men­te utilizam instrumentos de empresas diferentes.
Normalmente se utilizam equipamentos da X‑Rite para o controle de processo em sistemas offset, flexográficos ou rotogravura e os instrumentos da Gretag­Mac­beth para a calibração desses sistemas de impressão.

O novo padrão X‑Rite
O estudo de conformidade de medições entre os diferentes modelos e fabricantes ori­gi­ná­rios quantificou as diferenças encontradas de modo sistemático. Com esses dados e uma revisão dos processos internos, a X‑Rite criou um denominador comum para interpretar e harmonizar as medições chamado de XRGA (X‑Rite Standard for Graphic Arts, ou padrão X‑Rite para Artes Gráficas). Segundo a empresa, os objetivos conseguidos foram a melhoria dos métodos de calibração, ras­trea­bi­li­da­de, melhor execução em relação às normas já existentes e menor diferença entre instrumentos. Além disso, a empresa norte-​­americana afirma que o XRGA será um padrão único para todos os futuros instrumentos de artes gráficas a serem fabricados pelo grupo.
Além de desenvolver calibrações melhores para cada instrumento, a X‑Rite desenvolveu um conjunto de transformações por matriz entre cada par de instrumentos da sua car­tei­ra de produtos, cálculos esses que estão embutidos no padrão XRGA. Essas transformações permitem que medições fei­tas por qualquer instrumento antigo X‑Rite, Gretag ou Macbeth possam ser harmonizadas com as medições fei­tas por instrumentos ­atuais com ra­zoá­vel conformidade numérica. As diferenças provocadas pela tecnologia XRGA aparecem na comparação entre as duas tabelas. Fica evidente que hou­ve mui­to progresso.

Conclusões
Segundo o estudo da X‑Rite, a conformidade entre os instrumentos é praticamente independente do tipo de substrato. Além disso, se as gráficas possuírem instrumentos antigos e utilizarem o novo padrão XRGA este não cria­rá diferenças com as medições pré­vias fei­tas com esses instrumentos, sejam eles X‑Rite (530, 938 e 939) ou Gretag­Mac­beth (i1Pro, SpectroLino, Spectro­Eye). O padrão XRGA provê um bom resultado entre os instrumentos ­atuais da X‑Rite, não afetando seus pos­sui­do­res.
Para gráficas que têm a maio­ria dos produtos da X‑Rite (novos ou antigos), a transformação das lei­tu­ras pelo padrão XRGA produz diferenças mui­to pequenas nos valores de medição e, provavelmente, afetará pou­co tanto clien­tes quanto os processos. A tabela ao lado mostra as diferenças que podem ser esperadas para os instrumentos envolvidos no estudo.
Os instrumentos antigos da própria X‑Rite estão mui­to próximos dos resultados obtidos com o XRGA. Segundo o fabricante, todos os clien­tes vão se be­ne­fi­ciar do uso do novo padrão, uma vez que ele melhora significativamente o acordo entre os instrumentos, está em conformidade com os requisitos de ras­trea­bi­li­da­de do NIST (EUA) e ajuda na especificação dos impressos, já que os números tendem a se equivaler entre as empresas da ca­deia de produção gráfica, facilitando o intercâmbio de dados gráficos.
Alguns produtos X‑Rite para artes gráficas já estão em conformidade com o XRGA: os espectrofotômetros ma­nuais ColorMunki Photo, ColorMunki Design e o lei­tor au­to­má­ti­co para impressoras offset Easy­Trax. Todos os futuros instrumentos de artes gráficas entregues pela X‑Rite também estarão em conformidade com este padrão. De acordo com o fabricante, os produtos originados da Gretag e da Macbeth serão convertidos para o XRGA nos próximos meses.

O ColorPort
Algumas ferramentas estão dis­po­ní­veis para au­xi­liar na transição de dados antigos, quando necessário. A pri­mei­ra transformação será facilitada pelo uso da aplicação ColorPort. O ColorPort v2.0 é um utilitário gra­tui­to, que pode ser bai­xa­do do site da X‑Rite, usado para salvar os dados seja nos valores ‘nativos’ seja em valores convertidos pelo XRGA. Isso permite ao mercado experimentar os be­ne­fí­cios e impactos do novo padrão, com seus instrumentos existentes. Os instrumentos suportados pelo ColorPort 2.0 são: linha 530, 938, 939, Spectro­Eye, SP62/64, i1Pro, i1iO, i1iSis, DTP20 (Pulse), DTP22, DTP41, DTP45, DTP70 e o SpectroScan.
Numa pri­mei­ra observação parece que isso significa um ótimo avanço para todos os gráficos, em es­pe­cial para aqueles que se utilizam de instrumentos para acordos co­mer­ciais, certificações públicas ou privadas e empresas com controle de processo e boas práticas implantadas.
Como isso significa mais con­fia­bi­li­da­de para os instrumentos, que seja bem-​­vindo o XRGA!

Mais informações em www.X‑Rite.com/xrga

Bruno Mortara é superintendente do ONS27, coordenador da Comissão de Estudo de Pré‑Impressão e Impressão Eletrônica e professor de pós‑graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Texto publicado na edição nº 77

 
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