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Por que não começar pelo acabamento? Imprimir E-mail
Escrito por Carlos Suriani   
Seg, 03 de Março de 2008

Cada vez mais os recursos de pós-impressão estão sendo usados para agregar valor e diferenciar o produto gráfico.

Todos sabem que vivemos na era da informação. Por conta disso, todos os dias somos bombardeados por mensagens eletrônicas, impressas, escritas, verbais, visuais, dentre outras, e nem nos damos conta de quantas vezes somos expostos a elas. No passado, a oferta de meios de veiculação para os clientes era bem menor. A mídia impressa era quase que absoluta. Atualmente, os meios eletrônicos de comunicação vieram a se somar aos já tradicionais, trazendo assim maior concorrência para as gráficas.

Mas, de tanta exposição, o consumidor habitua-se a um determinado estímulo e gradualmente presta menos atenção nele. Segundo o psicólogo norte-americano Robert Sternberg, que tem atraído atenção com suas teorias sobre as habilidades necessárias para vencer nos negócios, “o oposto da habituação é a desabituação, pela qual uma mudança em um estímulo familiar leva a observá-lo novamente”. E na indústria gráfica não poderia ser diferente. Impressos que antes eram diferenciados, hoje não são mais. De alguns anos para cá, as alternativas de vernizes especiais cresceu muito, os cortes especiais também são muito mais empregados, novos materiais vêm sendo colocados à prova, e tudo isso para fazer com que o consumidor veja algo não habitual e preste mais atenção à mensagem.

Para satisfazer os clientes que buscam comunicar aos seus consumidores novidades e diferenciação e, ao mesmo tempo, concorrer em pé de igualdade com as novas mídias eletrônicas, os gráficos vêm buscando tecnologias e novos processos de acabamento, capazes de despertar maior curiosidade no consumidor e que agreguem valor e enobreçam os impressos. Detectada a necessidade de diferenciar o impresso gráfico, o grande desafio é fazer acontecer. As gráficas devem mudar alguns conceitos, investir em tecnologia, mas principalmente nos recursos humanos e em processos de qualidade para que esse diferencial se concretize.

Porém, como diferenciar-se quando os sistemas de pós-impressão não oferecem as soluções necessárias para que exista diferencial com automação? E como estimular a empresa a incorporar diferenciais passíveis de serem percebidos pelo mercado no desenvolvimento de produtos e de processos? A resposta vai além dos equipamentos e em grande parte encontra-se nos próprios colaboradores da área de acabamento e naqueles que estão envolvidos com novos projetos.

Muitos processos de acabamento especiais são executados offline e por conseqüência de difícil automação e muito dependentes de mão-de-obra experiente. Essas características tornam a sua configuração pela pré-impressão mais difícil, diferente do processo de impressão, que possui sua configuração cada vez mais controlada pela pré-impressão. Isso se dá por conta da maior integração que a automação proporciona nas impressoras que possuem sistemas CIP3 e CIP4, que ajustam tinteiros e até mesmo regulam os formatos dos papéis, economizando tempo nos acertos de máquina.
Por outro lado, o acabamento não seguiu a mesma integração por possuir diversas variáveis e processos distintos, por vezes manuais, que deixam sua automação muito mais complexa. O acabamento diferenciado oferece inúmeras possibilidades de enobrecimento através do uso de equipamentos variados, processos manuais e materiais diversos, que exigem técnicas e soluções muito criativas de seus profissionais.

Os gráficos defendem a idéia de que a qualidade de um trabalho começa na pré-impressão, mas isso só se torna verdadeiro quando a pré-impressão também se aproxima mais do acabamento e assume a responsabilidade de ser um fornecedor responsável. A pré-impressão deve estar preparada para ouvir e consultar seus clientes internos, para que possa integrar qualidade e facilidade à linha de produção, evitando contratempos. Podemos assim dizer que a qualidade do acabamento começa no acabamento. Só os profissionais do acabamento podem dar certas respostas às novas demandas.
Quando a pré-impressão trabalha em conjunto com o acabamento nos projetos ainda em fase de desenvolvimento, muitos problemas podem ser previstos, compensações podem ser feitas e até mesmo melhoradas. Não devemos ter o acabamento como um setor que conserta e remenda trabalhos. Depois que o papel foi impresso e o processo de acabamento definido, restam poucos recursos a serem utilizados. As perdas de qualidade e de materiais típicas de nosso dia-a-dia são originadas pela falta de planejamento e envolvimento de todos os setores nas fases preliminares.

Deve-se abrir espaço para a discussão e troca de experiências entre todos dentro da gráfica, e isso só é possível quando existe uma cultura organizacional que proporciona esses momentos e que esteja muito comprometida com a qualidade. Já que tocamos no assunto qualidade, irei citar um pouco do processo de produção japonês, muito participativo e que consegue mobilizar a todos dentro da empresa. Gosto de fazer um paralelo da indústria gráfica com a indústria automobilística japonesa, onde o departamento de desenvolvimento de novos projetos é responsável pela maior parte do sucesso de um produto, do mesmo jeito que a pré-impressão é para a gráfica. Em grande parte das gráficas de hoje reina a falta de comunicação e entrosamento entre os departamentos. A pré-impressão conversa pouco com outros departamentos e muitos projetos começam sem o mínimo de planejamento e participação de cada setor que será envolvido na execução do trabalho. Os japoneses, ao contrário dos brasileiros, gastam muito mais tempo em planejamento e em conceitos de melhoria contínua na manufatura. Eles estimulam todos a participar dos novos projetos, os convidam a opinar sobre o fluxo de produção e compartilham as responsabilidades entre todos os setores da empresa.

É claro que nem todos os pedidos de uma gráfica são tão complexos a ponto de precisar da participação de todos, mas os novos projetos que contêm dobras ou cortes complexos, colagens com adesivos especiais, aplicações de vernizes e hot stamping, precisam de maior envolvimento.
O desafio para a indústria gráfica está lançado: investir em recursos humanos para gerar conhecimento, que leva à inovação e conseqüentemente a criação de tecnologia própria.

Carlos Suriani é gerente de desenvolvimento da Ogra Oficina Gráfica e aluno de pós-graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Texto publicado na Edição 60