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Gestão sustentável é o grande desafio da indústria gráfica brasileira Imprimir E-mail
Escrito por Elisabete Pereira   
Sex, 18 de Junho de 2010

Na empresa desde 1988, Eduardo Costa assumiu o cargo de diretor superintendente da Gráfica Abril em janeiro deste ano e tem como foco os projetos de modernização. Em sua opinião, a indústria precisa encontrar modelos de gestão, dentro do conceito de sustentabilidade, com enfoque econômico, social e ambiental. O executivo anuncia, para o segundo semestre deste ano, o início das operações com as novas gravadoras de cilindros modelo K6, que representam o que há de mais moderno em gravação eletromecânica de cilindros para impressão em rotogravura. Outra novidade é a compra de uma linha de encadernação lombada quadrada, que ocupará o lugar da Jet Binder, com início de produção previsto até outubro de 2010. Presidente da Abro, Eduardo Costa quer ampliar o quadro de associados para tornar a entidade mais representativa e prevê várias ações para fortalecer o setor.

Quais seus principais desafios como diretor superintendente da Gráfica Abril?
Eduardo Costa – A responsabilidade e os desafios proporcionados por esse novo cargo são inúmeros e todos extremamente importantes. No entanto, especial destaque deve ser dado à realização dos projetos previstos para a modernização da gráfica e também para o aprimoramento de nosso modelo de gestão e todos os desdobramentos e reflexos que ele proporciona, principalmente no desenvolvimento da liderança da gráfica. Não posso deixar de mencionar as ações envolvendo sustentabilidade, que continuam sendo da maior relevância para nós e para as quais temos planos bem interessantes em 2010.

Claudio Baronni, que ficou 10 anos no comando da gráfica, deixou uma marca indelével. Como será substituí-lo?
EC – Posso dizer que tive o privilégio de ter o melhor professor do setor gráfico e que, embora essa substituição tenha sido planejada ao longo de um ano, esse não é um processo fácil. O Claudio Baronni consegue unir o conhecimento técnico à experiência adquirida no decorrer de tantos anos dedicados a essa indústria de forma inigualável. A única coisa que facilita minha vida é que o Baronni continua no Grupo Abril e que eu sigo tendo a oportunidade de consultá-lo sempre que necessário.

Quais os principais planos da Gráfica Abril para os próximos anos?
EC – A Gráfica Abril continuará buscando ser uma unidade de negócios que proporcione diferencial competitivo para a própria Editora Abril, bem como para seus 
clientes terceiros.

No ano passado, a gráfica instalou uma rotativa de grande porte, a Compacta C-618, da KBA. Dentro do programa de modernização da gráfica estão previstos projetos de investimentos em novas tecnologias?
EC – Vejo oportunidades nos processos de pré-impressão e também de impressão digital. Nesse último caso, buscamos ao longo dos dois últimos anos entender melhor o mercado e suas demandas, bem como quais seriam as possíveis aplicações em novos produtos que fizessem sentido para nossos clientes. No momento, seguimos nossos estudos, analisando diferentes possibilidades.

Na inauguração da nova rotativa, um dos projetos anunciados para o futuro era a atualização da área de gravação de cilindros para rotogravura, que é um dos diferenciais da gráfica. Quais as novidades nesse sentido?
EC – Tenho boas novidades sobre esse projeto. Compramos no ano passado duas novas gravadoras de cilindros da Heliograph /Hell. Essas gravadoras, modelo K6, são o que existe de mais moderno em gravação eletromecânica de cilindros para impressão rotogravura. Para se ter uma ideia, são as primeiras vendidas no Hemisfério Sul. Com essas novas máquinas conseguiremos ganhos em produtividade, através da maior velocidade de gravação, e também ganhos em qualidade, com a maior estabilidade do processo. Começaremos a operar com as novas K6 no segundo semestre deste ano.

No setor de acabamento, quais são os novos projetos?
EC – Guardo com muito carinho a passagem que tive pela área de Acabamento. Desse tempo, recordo-me de ter apresentado por mais de uma vez aos representantes da Müller Martini uma antiga máquina de encadernação em lombada quadrada que temos, a Jet Binder. Essa máquina, apesar de ser uma veterana (fabricada em 1968), possui um conceito muito interessante para a encadernação de revistas, que foi abandonado após a fusão da Müller com a Martini. Pois bem, agora é chegada a hora de substituir essa máquina após tantos anos de bons serviços prestados. Acabamos de finalizar a compra de uma nova lombada quadrada para ocupar o lugar da brava Jet Binder e que deverá entrar em produção até outubro de 2010.

Dentro das premissas de preservação do meio ambiente, uma das questões relevantes é a redução das emissões de gases do efeito estufa. Como a gráfica tem se estruturado para atender a essas exigências?
EC – Temos várias ações relacionadas à emissão de gases de efeito estufa (GEE). Desde 2008, o Grupo Abril é membro fundador do GHG Protocol Brasil. Isso significa o reconhecimento de que causamos impacto nas questões de aquecimento global, mas nos comprometemos a gerenciar essas emissões traçando planos de redução e de compensação em curto, médio e longo prazo. Publicamos o nosso primeiro inventário de gases de efeito estufa referente a 2008 e, dentro das próximas semanas, teremos o inventário de 2009. Implementamos algumas ações que ajudam na redução de nossas emissões na gráfica. Posso citar algumas alterações feitas em nossa caldeira, que propiciaram a redução da emissão em cerca de 670 toneladas de CO² equivalente/ano. Temos um projeto em andamento e aprovação junto aos órgãos públicos, que, quando implantado, permitirá a substituição de todo o combustível fóssil utilizado na caldeira por biomassa, reduzindo significativamente nossas emissões. Outras empresas do Grupo Abril também seguem essa metodologia e, a exemplo da gráfica, já implantaram algumas ações iniciais, como troca de combustível fóssil por renovável em parte da frota, utilização de bicicletas em algumas linhas de distribuição de revistas e implantação de sistemas para redução do consumo de energia.

Quais as perspectivas para o futuro e os desafios da indústria gráfica brasileira?
EC – Essa é a pergunta que todos os que trabalham nesse setor estão buscando responder. O que posso afirmar com certeza, e que talvez possa servir de alívio para alguns, é que o papel impresso continuará existindo ainda por um bom tempo. Porém, há uma constatação que gostaria de dividir com vocês: a existência do desequilíbrio cada vez maior entre o crescimento da capacidade e a evolução da demanda, já observado há alguns anos, fará com que a busca por maior eficiência na utilização dos recursos disponíveis fique mais intensa e passe a ser o fiel da balança. Isso acabará trazendo outro desafio para essa indústria: a necessidade do profundo aprimoramento da gestão, encontrando modelos que suportem essa condição dentro do conceito de sustentabilidade, com enfoque econômico, social e ambiental.

Enquanto a mídia anuncia o avanço da internet, com perda de espaço dos veículos impressos e, até mesmo, o fechamento de várias publicações, a Abril continua investindo no seu parque gráfico. Como a empresa vê esta questão e o que tem sido feito para minimizar os impactos desse avanço?
EC – O Grupo Abril entende a importância de possuir uma gráfica e de seu papel estratégico para os negócios. Os investimentos em seu parque gráfico são, portanto, uma confirmação desse pensamento e reforçam a preocupação em mantê-lo atualizado e com os melhores índices de produtividade e qualidade. A Abril acredita que é possível a coexistência entre as mídias e que é viável a utilização de uma delas para auxiliar a evolução e desenvolvimento da outra. Prova disso é o sucesso da revista Capricho, tanto no meio impresso quanto na internet. Outra demonstração está no recente lançamento de uma nova publicação mensal, a revista Minha Casa, que esperamos venha a se tornar também um grande sucesso entre nossos leitores.

Como presidente da Abro, quais os projetos da entidade para este ano?
EC – Minha principal missão à frente da Abro é torná-la mais representativa e, para isso, é fundamental ampliar o número de associados. No final do ano passado elaboramos o plano estratégico da associação e dele derivaram ações que estão alinhadas com demandas comuns a todas as gráficas com rotativas offset e que, uma vez implantadas, deverão fortalecer esse segmento. Para 2010, posso apontar algumas novidades: uma nova sede; a contratação de um gerente executivo; nossa participação na ExpoPrint, em parceria com a Afeigraf; o início dos trabalhos da Comissão de Estudo de Controle de Processo de Reprodução Gráfica, com a coordenação da ABTG e nosso apoio; a consagrada pauta de treinamentos que este ano, além de contar com as palestras e cursos, terá a realização de workshops, sempre em parceria com o Senai; a renovação do site da Abro, deixando-o mais atraente e atualizado. E, é claro, não posso deixar de destacar nosso principal evento, a Conferência Anual, cuja preparação está a pleno vapor.

Texto publicado na edição nº 72