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Normas fundamentais são discutidas em Berlim Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Sex, 30 de Setembro de 2016

O mais recente encontro do ISO TC130, grupo que elabora as normas técnicas para o setor gráfico, se deu em Berlim, na Alemanha, entre 23 e 27 de maio. Houve reu­niões todos os dias e pude acompanhar vá­rias delas. O primeiro grupo de que participei e coordenei — pela primeira vez — foi o WG13, de Requerimentos de ava­lia­ção de conformidade em processos gráficos. O grupo trabalha em normas técnicas de certificação de processos e produtos gráficos com o objetivo de que certificações ao redor do mundo se baseiem em denominadores comuns, possibilitando que compradores de impressos possam con­fiar nos fornecedores regionais em qualquer parte do mundo, pois esses fornecedores estarão atendendo a cri­té­rios comuns e conhecidos.
Hoje, a si­tua­ção das certificadoras e o número de empresas certificadas no planeta é o seguinte:
Certificadoras:
ABTG Certificadora NBR 15936‑1, Brasil
Fogra PSO, Alemanha
UNI, Itália
JapanColor, Japão
SCGM ISO 12647, Holanda
CGP, Sué­cia
SwizzPSO e Ugra PSO, Suí­ça
BPIF ISO 12647 Colour Qua­lity 
Management Cer­ti­fi­ca­tion, Reino Unido
PSA (RIT), G7 (Ideal­lian­ce), FTA e GMI Packaging Cer­ti­fi­ca­tion, Estados Unidos
Fabricantes que certificam:
Heidelberg ISO 12647‑2, Alemanha
Mellow Colour, Reino Unido
Número total de certificados:
Por certificadoras: 1.400 empresas
Por fabricantes: 200 empresas
Total: 1.600
O grupo está trabalhando em três documentos: o primeiro, ISO/WD 19301 – Colour quality management cer­ti­fi­ca­tion scheme, com editor do Reino Unido, se refere à implantação de sistema de gestão ISO 9001 em gráficas e, com autorização dos órgãos competentes da ISO, será uma norma 
similar à 9001, específica do setor.
O segundo documento, com editor da França, ISO 19302 – Colour conformity assessment of printed products, trata-​­se de uma descrição sistemática do fluxo de trabalho gráfico para impressão co­mer­cial, à luz do controle de cores, peça fundamental para a ava­lia­ção de conformidade 
desses produtos impressos.
O terceiro documento, com editor dos Estados Unidos, ISO 19303-​­1 – Graphic technology – Conformity requirements and testing con­di­tions – Part 1: Packaging printing, cria um esquema de certificação que consolida os requisitos que grandes compradores de embalagens pos­suem, como Coca-​­Cola, P&G, Nestlé etc. Será de grande serventia se os compradores se sentirem cobertos pela norma, preparando gráficas e convertedores para fornecer a grandes compradores atendendo a uma única norma.
No dia 24, houve a reu­nião do grupo WG7, responsável pelo desenvolvimento do ICCMax, ISO 20677-​­1 – Image technology colour management – Ex­ten­sions to architecture, profile format, and data structure, nova versão do sistema de ge­ren­cia­men­to de cores em conjunção com o In­ter­na­tio­nal Color Consortium, ICC, sistema presente em cada PC ou Mac do planeta. Além desse, o grupo desenvolve um documento para gestão de cores em sistemas multicanal (NChannel) com 
compensação de preto (BPC).
Na revisão dos co­men­tá­rios da ISO 20677, o Brasil solicitou que fosse cria­do um documento para os usuá­rios finais sobre as capacidades e vantagens do ICCMax. O novo sistema não substitui o an­te­rior, porém possui a capacidade de trabalhar com espaços de cor definidos espectralmente e de fazer transformações entre esses espaços. Com isso, passa-​­se de uma colorimetria ba­sea­da em Cie­lab para transformações bem mais complexas. A maior das vantagens para a indústria gráfica é que será possível fazer tintas, provas e ge­ren­cia­men­to para impressão levando-​­se em conta o iluminante do ponto de venda, loja ou museu, com resultados bem previsíveis.
No mesmo dia se iniciou a reu­nião do WG2, Prepress Data Exchange, onde há diversas normas de nteresse geral. O primeiro assunto foi o futuro do PDF/X, família de PDFs preparados para o am­bien­te de produção gráfica, que o grupo deseja ver em conformidade com a norma PDF, agora sob a batuta da ISO e não mais da Adobe, com nome de ISO 32000 e por enquanto chamado de PDF/X‑6. O Brasil frisou que se preo­cu­pa com o avanço muito rápido das normas em relação à capacidade de absorção e adoção das mesmas, no entanto a própria Adobe tranquilizou os es­pe­cia­lis­tas afirmando que incorporará o novo formato, após sua publicação, o que pode levar mais de dois anos. O britânico Craig Revie descreveu que foi en­via­da para publicação a norma ISO/FDIS 19445‑1, Graphic Technology – Metadata for graphic arts work­flow – Part 1: XMP metadata for image and document proo­fing, que atende às solicitações dos fabricantes de sistemas de pré-​­impressão para embalagens, com introdução de metadados de facas, vincos e dobras (dye-​­cut), além de ­­áreas de verniz ou outros enobrecimentos.
O norte-​­americano Ray Chandler (X-Rite) falou sobre os resultados dos co­men­tá­rios da norma ISO 17972‑3 – Part 3: Output target data (CxF/X‑3), com poucos problemas. Será feita uma segunda votação de DIS (draft in­ter­na­tio­nal standards) antes da publicação. Essa norma faz parte da família CxF que atende a formatos de cartas de cor para calibração de escâneres, provas e sistemas de impressão, além de definição de cores especiais.
O alemão Prosi, do consórcio CIP4, vem trabalhando com o TC130 para integrar o CIP4 ao PDF/X. Isso deve acontecer no futuro PDF/X-​­6. Ba­sea­do na ISO 32000, a próxima versão do PDF/X possui a necessária definição de estruturas Dpart (presentes na ISO 32000 e ausentes na especificação original da Adobe, serve para agregar diversos elementos, no caso informações sobre o produto), onde os con­teú­dos de CIP4 residirão: tamanhos, acabamentos, perfis ICC, cortes, vincos, serrilhas, 
vernizes, diferentes pa­péis etc.
Em seguida se tratou de um esforço conjunto com a Ideal­lian­ce, dos Estados Unidos, para o desenvolvimento de um padrão para reportar os resultados da impressão aos pro­prie­tá­rios das marcas,
a norma ISO 20616 – Graphic technology – File format for quality control soft­ware and metadata – Part 2: Print quality exchange (PQX). A norma não possui to­le­rân­cias ou ava­lia­ções, apenas resultados das medições dos impressos, e usa o CxF como 
codificador de cores.
Foi discutida a norma conhecida como IT8, para calibração de escâneres, com mais de um milhão de alvos vendidos no mercado, a ISO 12641 – Graphic technology – Prepress digital data Exchange – Part 1: Colour targets for input scanner ca­li­bra­tion. Foi mostrada uma estrutura do documento Part 2: Advanced targets for input scanner ca­li­bra­tion, com requisitos gerais para a construção de alvos, não fixos.
Os japoneses apresentaram a norma para compactação mais eficaz de JPEGs, ISO/IEC 18477‑3:2015 – In­for­ma­tion technology – Scalable com­pres­sion and coding of continuous-​­tone still images – Part 3: Box file format, e o grupo decidiu ­criar um subgrupo 
para analisar a sua adoção futura.
As notas de utilização do formato PDF/VT (ISO 16612‑2:2010 – Graphic technology – Va­ria­ble data exchange – Part 2: Using PDF/X‑4 and PDF/X‑5) foram terminadas e estão no site http://www.pdfa.org/publication/pdfvt-​­application-notes/.
No dia 25 começou a reu­nião do WG3 – Process control and related metrology, grupo com temas mais polêmicos e no qual o consenso tem sido 
bastante difícil.
Iniciou-​­se uma acalorada discussão quanto aos ajustes da ISO 12647‑2 (ISO 12647‑2 AMD 1 – Graphic technology – Process control for the pro­duc­tion of half-​­tone colour se­pa­ra­tions, ­proof and pro­duc­tion prints – Part 2: Offset lithographic processes) nos valores do Papel 1, de acordo com as descobertas da Fogra ao preparar o Perfil ICC/Dataset, Fogra51. O Brasil sugeriu que os valores do Papel tipo 5, obtidos na preparação do Fogra52, também fossem adi­cio­na­dos à norma. Vá­rios paí­ses irão contribuir com leituras de pa­péis para subs­tan­ciar as mudanças da norma.
O debate seguinte versou sobre a atua­li­za­ção em curso da ISO 12647‑7, com poucos co­men­tá­rios, com a revisão do padrão indo para DIS. Os valores foram atua­li­za­dos para ΔE2000 e as medições para M1. Craig Revie, do Reino Unido, sugeriu modificações à norma ISO/TS 15311‑1 – Graphic technology – Requirements for printed matter for com­mer­cial and in­dus­trial pro­duc­tion – Part 1: Mea­su­re­ment methods and reporting schema, adi­cio­nan­do 
novas métricas de medições gráficas.
Teve início a discussão sobre a ISO/DTS 15311‑2 – Graphic technology – Requirements for printed matter for com­mer­cial and in­dus­trial pro­duc­tion – Part 2: Com­mer­cial pro­duc­tion printing, e os co­men­tá­rios foram amplos. A norma utiliza alguns dos testes do ISO 15311‑1, e coloca como uma ferramenta de análise de produtos impressos comerciais, analógicos ou digitais, prontos. O Brasil entende que seja uma excelente ferramenta de análise de produtos gráficos, porém ainda não temos certeza do seu uso e propusemos que o documento fosse 
transformado em um Technical Report.
Discutiu-​­se o projeto de ava­lia­ção de ganho de ponto em cores especiais, ISO/NP 20654 – Graphic Technology – Mea­su­re­ment and Cal­cu­la­tion of Spot Colour Tone Value. Essa norma é cru­cial para o setor de embalagens, pois o resultado da ava­lia­ção com os atuais padrões embutidos nos densitômetros (ISO‑5) não refletem adequadamente a percepção humana da curva tonal quando há aplicação de cor es­pe­cial como benday ou dégradé. Houve uma apresentação da Heidelberg sobre o uso de SCTV em controle de processo da ISO 12647‑2, e parece que há erros na fórmula Murray-​­Davis. Foi decidido que o padrão ficará restrito ao uso de ava­lia­ção de TVI em cores especiais.
O próximo projeto tratado foi ISO/PWI 21328 – Graphic Technology – Standard Ink set for multicolor printing. Essa norma é fundamental para padronizar as tintas utilizadas em sistemas de impressão analógicos ou digitais com expansão de gamut, através de impressão CMYK mais laranja, verde e vio­le­ta. O representante da França, Khoury, relatou que a Flint, a Sun e a Huber se interessaram por participar do esforço de fornecimento de tintas para ensaios em máquina a fim de se obter sub­sí­dios para a impressão CMYk+OGV.
O cien­tis­ta norte-​­americano Danny Rich apresentou a proposta de como ava­liar/comparar resultados da performance de espectrofotômetros e sua interoperabilidade, fazendo uma especificação técnica. A ideia seria alinhar diferentes instrumentos, versões e modelos visando aumentar a validade dos valores obtidos. O grupo aprovou a 
continuidade do trabalho.
No dia 26 houve a reu­nião do JWG 8, responsável pela edição da norma ISO 13655, em conjunto com o TC42, de Fotografia. Passou-​­se à resolução de co­men­tá­rios da ISO/DIS 13655 (N165). Muitas modificações foram feitas na norma. A Romênia solicitou que a norma tivesse provisão para leituras e cálculos de colorimetria transmissiva. O grupo irá estudar os materiais e no futuro poderá ser incorporada a tecnologia à norma (iluminante, geo­me­tria etc). Danny Rich mostrou que instrumentos com amostragens de 20 nm são muito imprecisos. Isso deixaria a grande maioria dos instrumentos existentes nas gráficas brasileiras dentro da norma. O documento será submetido para segundo DIS e, se não houver co­men­tá­rios técnicos, seguirá para publicação.
Conclusão
Excelentes normas que poderão im­pul­sio­nar o desenvolvimento padronizado de sistemas de impressão, medição, tintas, chapas, blanquetas, iluminantes, instrumentos, certificações, arquivos finalizados, ge­ren­cia­men­to de cores, sustentabilidade de produtos impressos, acabamentos e tantos outros be­ne­fí­cios estão em análise nos diversos grupos de trabalho.
O desafio para o mercado global é atender as necessidades de setores de ponta, como o de embalagem, no qual os compradores demandam um rigoroso controle de qualidade de toda a produção, juntamente com setores como sinalização, onde as demandas são voltadas mais para a durabilidade dos banners impressos e não na sua qualidade direta e objetiva.
Os grupos de meio am­bien­te, WG11, e certificação, WG13, complementam as atividades do TC130, que teve uma reu­nião extremamente proveitosa e continua pavimentando a estrada por onde passarão os novos equipamentos e aplicativos fabricados para a indústria gráfica, garantindo uma competição leal para os fabricantes e compatibilidade e ava­lia­ção objetiva desses produtos para os em­pre­sá­rios gráficos, além de inúmeros be­ne­fí­cios para os consumidores finais, quando as normas são 
adotadas sistematicamente.
A adoção de normas para o setor gráfico é penosa no início do processo, contudo o retorno dos investimentos é seguro, porque provoca efi­ciên­cia na produção, sustentabilidade da 
planta e qualidade e consistência dos produtos 
entregues aos clien­tes.

SELO VERDE PARA CHAPAS OFFSET
A ABTG Certificadora, fundada em 2012, tem o objetivo de valorizar os processos e produtos na cadeia da indústria gráfica. Atua com diversas normas que possibilitam a inovação, confiabilidade de processos, qualidade, respeito ao meio ambiente e às pessoas, de forma a fomentar o meio empresarial com vistas aos desafios econômicos da indústria.
Nos últimos anos, a questão ambiental tem sido cada vez mais o foco das discussões. É fundamental que todos se preocupem em cuidar do meio ambiente.
A adoção de práticas como a P+L (Produção mais Limpa) e outras medidas similares permite aprimorar a produtividade, eliminar  substâncias tóxicas, reduzir o consumo de matérias-primas, recursos naturais, a carga de resíduos gerados e o passivo ambiental.
Isso tudo favorece a diminuição de riscos ao meio ambiente e à saúde humana. Nesse contexto, surgiu a necessidade por parte dos fabricantes de chapas para impressão offset de terem seus produtos legitimamente certificados como ecologicamente corretos por uma instituição idônea e notadamente atuante no meio gráfico.
O processo de certificação apresentado pela ABTG Certificadora está alicerçado por normas ISO e inovação ambiental do produto, que tem como princípio demonstrar práticas limpas do ciclo de vida da chapa e, principalmente, contribuir com seu cliente, a gráfica, na diminuição de resíduos industriais.
Na categoria de selos bronze, prata e ouro, o mercado consumidor pode verificar a melhor tecnologia e desempenho ambiental na hora da compra da chapa.

Texto: Bruno Mortara – publicado na ed.97