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Problemas com o fechamento de cartuchos? Preste atenção no adesivo Imprimir E-mail
Escrito por Jairo Oliveira Alves   
Qui, 19 de Maio de 2016

Fatores como viscosidade, vida útil e misturas inadequadas podem comprometer todo o processo de acabamento.

O adesivo de PVA, também conhecido como cola à base de água, é composto por uma resina sintética, solúvel em água, preparada a partir de subs­tân­cias químicas conhecidas como polímeros. Além desses componentes principais, os fabricantes podem acrescentar aditivos para melhorar as pro­prie­da­des do adesivo, como fungicidas para combater a formação de mofo. A sigla PVA significa acetato de polivinila, em inglês. O PVA é um adesivo apro­pria­do para materiais porosos como madeira e, na indústria gráfica, para pa­péis, cartões e papelão ondulado. Por isso é largamente utilizado no fechamento de cartuchos e em embalagens em geral. O adesivo PVA é denso, branco e leitoso. Depois de feita a colagem é resistente ao mofo e à umidade.
No processo de colagem, o adesivo de PVA deve penetrar nos poros das su­per­fí­cies a serem unidas. A água do adesivo evapora e os polímeros da resina se unem quimicamente produzindo uma película que une firmemente as su­per­fí­cies. Esse processo de secagem (evaporação da água e polimerização da resina) ocorre muito rapidamente, ainda na mesa de compactação (esteira) da coladeira. No entanto, se a esteira for muito curta, se a coladeira estiver com muita velocidade ou se o adesivo foi alterado (adição de água, por exemplo, ou de­te­rio­ra­ção), pode acontecer de a secagem não ser su­fi­cien­te até o momento de os cartuchos serem empacotados, o que pode resultar na abertura dos cartuchos.
Qualquer bom adesivo deve ter, em primeiro lugar, boas pro­prie­da­des de adesão. Mas é muito importante também que seja estável, não se de­te­rio­ran­do com facilidade, mantendo sua qualidade ao longo do tempo. A viscosidade do adesivo tem grande importância na qualidade da colagem. Pode ser entendida como a resistência do adesivo ao es­coa­men­to. O adesivo mais viscoso escorre mais lentamente. No processo de colagem, se a viscosidade do adesivo estiver muito alta ele terá dificuldade em penetrar no cartão. Já com a viscosidade ­ideal o adesivo tem mais facilidade de penetração, tendo uma distribuição uniforme. Se a viscosidade for baixa haverá necessidade de aplicar mais adesivo, correndo-​­se o risco do produto exceder a área de colagem. Nesse caso, recomenda-​­se adquirir adesivo com a viscosidade ­ideal para o tipo de aplicador e equipamento, evitando-​­se assim a mistura de aditivos pelo operador, o que compromete as características do adesivo.
Outra característica fundamental é o teor de sólido, que é a quantidade total de adesivo menos a quantidade de voláteis. Essa pro­prie­da­de tem grande in­fluên­cia no tempo de secagem e no rendimento do adesivo. Já o tack é a resistência que uma camada de adesivo oferece para se separar em duas. Para entender melhor imagine uma gota de adesivo entre as pontas dos dedos polegar e indicador. Ao abrir os dedos vai ficar um pouco de cola em cada um. Quan­to mais força for necessária para fazer essa separação maior é o tack do adesivo. No processo de fechamento do cartucho, o tack do adesivo tem que ser su­fi­cien­te­men­te alto para manter as duas su­per­fí­cies unidas até que ocorra a secagem. Se o tack for muito baixo, as duas su­per­fí­cies podem se separar antes da secagem, oca­sio­nan­do a abertura do cartucho. Se, além disso, o corte e vinco não produziu canaletas com espessura e profundidade su­fi­cien­tes para o tipo de cartão usado, esse problema vai acontecer com mais facilidade.
Um adesivo com baixo teor de sólidos pode ser mais barato, mas vai apresentar um rendimento mais baixo porque será necessário utilizar mais adesivo para obter a colagem. Dessa forma, o barato pode sair caro. Além disso, há limites com relação à quantidade de adesivo que pode ser aplicada. Se o teor de sólidos é baixo, a secagem também vai demorar mais, assim como pode cair o tack do adesivo. Pode acontecer com mais frequência de o cartucho se abrir antes da secagem.
Há adesivos no mercado que contêm aditivos que aumentam o teor de sólidos, porém não aumentam o real poder de adesividade. São subs­tân­cias mais baratas que os polímeros que de­ve­riam ser usados. Aparentemente, a cola parece ter viscosidade e tack adequados, mas tem menor poder de colagem. Assim, é importante adquirir adesivos de fornecedores idô­neos e observar o desempenho do produto durante o processo.

Fator tempo
A maioria dos produtos compostos, como é o caso dos adesivos PVA, está sujeita a alterações com o decorrer do tempo. Essas alterações podem comprometer os resultados de sua aplicação ou mesmo tornar o adesivo impróprio para o uso. Altas temperaturas e o contato com o ar alteram pro­prie­da­des importantes do adesivo. A evaporação da água provoca o aumento da viscosidade, dificultando a penetração do adesivo nos substratos a serem colados. Por isso, é muito importante observar alguns cuidados na manipulação desse produto:
• Usar sempre em primeiro lugar o adesivo estocado há mais tempo.
• Utilizar o con­teú­do do re­ci­pien­te até o final antes de abrir outro.
• Não utilizar produtos vencidos. Deve-​­se observar a data de vencimento na embalagem do fabricante.
• Nunca misturar a sobra da embalagem velha com o con­teú­do da embalagem nova, mesmo sendo do mesmo fabricante. Colas de aparência quase idênticas são fabricadas com subs­tân­cias de natureza química diversa e por isso não devem ser misturadas. A mistura pode provocar rea­ções químicas inesperadas e alterações nas pro­prie­da­des da cola.
• Se o con­teú­do do re­ci­pien­te não for usado na sua totalidade, a embalagem plástica interna deve ser fechada de modo a retirar-​­se o ar.
• Os re­ci­pien­tes com adesivo devem ser armazenados em am­bien­te com temperatura moderada e constante. Deve-​­se evitar principalmente a exposição ao sol ou ao calor prolongados.
No caso de parte do adesivo secar no re­ci­pien­te onde estiver guardado e houver a formação de crostas, elas devem ser cuidadosamente raspadas e descartadas. Deve-​­se evitar que re­sí­duos secos caiam de volta na cola. Isso porque a cola, depois de seca, não se dissolve mais. A secagem é um processo irreversível. Os re­sí­duos secos misturados na cola líquida irão causar problemas e prejudicar o processo de colagem. Além de crostas — mais evidentes —, a nata que pode se formar na superfície da cola também deve ser retirada com cuidado. Essa nata é a cola que já entrou em processo de polimerização, embora não esteja completamente seca, e não deve mais ser misturada ao restante do adesivo.
Se o corte e vinco está sendo feito adequadamente e mesmo assim os cartuchos se abrem durante a colagem, pode ser necessário contatar o fornecedor de adesivo para que ele substitua o produto por outro mais adequado às necessidades do processo.


Jairo Oliveira Alves é professor de pós-impressão da Escola Senai Theobaldo De Nigris.

Artigo publicado na edição nº 96.