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Os rumos do jornal impresso Imprimir E-mail
Escrito por Ana Cristina Pedrozo Oliveira   
Qui, 19 de Maio de 2016

O jornal, conforme o conhecemos nos dias ­atuais, surgiu com a invenção da prensa de impressão pelo chinês Pi Cheng no século IX. Antes disso, a maneira mais antiga de transmissão de no­tí­cias data do pe­río­do dos grandes imperadores romanos, onde as novidades eram talhadas em pedra. Somente no século XV, com o desenvolvimento do processo de reprodução por Johannes Gutenberg, foi possível
fazer tiragens em grande escala.

Hoje o jornal vem enfrentando mudanças no modo como é co­mer­cia­li­za­do. É fato que o jornal impresso tem perdido campo com a mudança de comportamento ime­dia­tis­ta do leitor de no­tí­cias, munido de ferramentas digitais e televisivas que trazem a notícia de maneira rápida e atua­li­za­da.
A mídia impressa está dedicada à interpretação dos fatos e a investigação jornalística, deixando o fac­tual para a internet, ou seja, à citação do fato. Claro que a credibilidade do jornal impresso é bem menos questionada do que as chamadas nos sites de no­tí­cias. Na parte técnica, os jornais tem se renovado e utilizado recursos cada vez mais modernos voltados a melhorar a qualidade de impressão. Em 1999 o parque gráfico do jornal O Globo foi rees­tru­tu­ra­do com a instalação de novas máquinas rotativas para impressão, com saí­da de chapa pelo processo CtP (computer-​­to-plate), implantação de ge­ren­cia­men­to e provas de cor. O objetivo era imprimir com grande qualidade gráfica os jornais O Globo e Extra, este último fundado em 1998. Apesar da diminuição nas vendas de jornais, o parque gráfico de O Globo é um dos mais modernos do Brasil. Infelizmente, com capacidade de
produção muito maior do que o necessário.
O jornal O Estado de S. Paulo é um exemplo da busca pela inovação. Ganhador por 12 vezes do Prêmio Brasileiro de Excelência Gráfica Fernando Pini, o Estadão utilizou durante quase três anos a retícula estocástica, ou FM (frequência modulada). Em busca de mais controle nos processos de produção, implantou o sistema CtP para geração de chapas, retornando ao uso da retícula li­near. Segundo Edson Lino, supervisor de Engenharia de Produção da empresa, com as tec­no­lo­gias ­atuais seria possível retornar ao uso da retícula estocástica, mas os processos estão tão estáveis que não vale a pena, pelo menos neste momento, trocar a reticulagem. Além disso, a empresa utiliza a barra de controle de gris, onde vá­rios steps são impressos com formação de partes com preto 40% e gris nas demais, que possibilita vi­sua­li­zar a va­ria­ção tonal de uma maneira bastante precisa.
As chapas utilizadas na impressão do Estadão dispensam o processamento, ou seja, encaixam-​­se na categoria de chapas verdes ou ecológicas. A camada que não foi gravada é retirada no momento do acerto da máquina, nas primeiras folhas impressas. Pioneira nesse segmento, a Kodak disponibiliza informações específicas de fábrica como referência para a li­nea­ri­za­ção, conhecido como curva de cutback de 5%, que é o ganho de ponto desse tipo de chapa.
Caio Toledo, es­pe­cia­lis­ta de pré-​­impressão da Zanatto Soluções Gráficas, disse que, além do Estadão, outros jornais estão utilizando as chapas Sonora (sem processamento) da Kodak, como o Jornal de Uberaba (MG), os pe­rió­di­cos do Grupo Zero Hora (RS), O Tempo (BH), a Gazeta de Vitória (ES), o Cruzeiro do Sul (In­te­rior de SP), o Jornal do Commercio (PE) entre outros títulos.
A impressão digital também já chegou ao mercado de jornais. Um exemplo interessante é o da empresa Newsweb Corp. que imprime o Chicago Tribune, além de 18 títulos semanais. A impressora utilizada é a JetLea­der, da TKS, que possui um sistema de impressão inkjet que pode produzir de 100 a 5.000 có­pias. O foco são jornais de pequena circulação. A Newsweb tem como objetivo utilizar dados variáveis para customização de edições regionais ou oferecer uma ferramenta de mar­ke­ting para a circulação de publicidade.
A Imprensa Ofi­cial, órgão responsável pela publicação dos atos dos poderes Executivo, Legislativo e Ju­di­ciá­rio do Estado de São Paulo e que imprime um dos pe­rió­di­cos mais tradicionais do Estado, o Diá­rio Ofi­cial, também merece destaque por possuir um parque gráfico que passa constantemente por manutenção e atua­li­za­ção tecnológica.
Prova disso é o investimento em máquinas de impressão digital que ini­cial­men­te eram di­re­cio­na­das para impressão do clipping, um compilado das chamadas dos principais jornais do Estado. Hoje esse veí­cu­lo é totalmente disponibilizado em formato web. Segundo Carlos Haddad, assessor técnico da presidência da Imprensa Ofi­cial, as máquinas digitais agora são utilizadas na produção de qualquer produto gráfico que possa ser impresso em digital.
É fato que os jornais estão sendo subs­ti­tuí­dos pelas mí­dias digitais. Nos Estados Unidos, o The New York Times, o Wall ­Street Journal e o USA Today sentiram o avanço das novas mí­dias. Porém é notório o surgimento de publicações de formato menor (tabloide) com no­tí­cias mais simplificadas, mas com grande quantidade de anún­cios.
Alguns jornais pos­suem somente a versão digital, como o Jornal do Brasil, o Estado do Paraná (que virou Paraná OnLine), o Diá­rio do Comércio e O Sul, além dos estrangeiros que pos­suem versões digitais em português como El Pais Brasil e o BBC Brasil.
Ma­té­rias mais profundas e abrangentes, furos de reportagem, planos vantajosos de assinatura, vendas que disponibilizam também a versão digital, além do acesso exclusivo ao acervo de con­teú­do, são as apostas dos grandes jornais para fidelizar
o leitor de no­tí­cias.

Ana Cristina Pedrozo Oliveira é professora de Pré-​­Impressão na Escola Senai Theobaldo De Nigris

Fontes
Internet:
http://memoria.oglobo.globo.com/linha-​­do-tempo/parque-​­graacutefico-9197388
http://www.expoprint.com.br/pt/noticias/newsweb-​­corp-adquire-​­segunda-impressora-​­digital-jornais
http://www.chicagobusiness.com/article/20130425/NEWS06/130429876/why-​­one-newspaper-​­printer-is-​­planning-for-​­growth
http://harvardpolitics.com/covers/future-​­print-newspapers-​­struggle-survive-​­age-technology/
http://www.meioemensagem.com.br/home/midia/noticias/2015/07/15/Brasil-​­perdeu-oito-​­jornais-em-​­6-anos.html

Publicações:
PrintCom Brasil – 06/2005
Um Retrato no Jornal – A História de São Paulo na Imprensa Oficial (1891–1994) – 1994

Artigo publicado na edição nº 96.