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Entenda o PSD,padrão Fogra para impressão digital de pequenos e grandes formatos Imprimir E-mail
Escrito por Viviane Pereira e Bruno Mortara   
Qui, 19 de Maio de 2016

No TC130 da ISO, onde são feitas as normas técnicas de artes gráficas, o debate sobre um conjunto de normas para impressão digital segue muito lentamente, desde o final de 2007. As normas existentes de impressão digital — ISO 12747-​­7 para provas con­tra­tuais e ISO 12647-​­8 para provas de verificação (design, propaganda) — não servem para os setores que se desenvolveram rapidamente na última década, em es­pe­cial grandes formatos e digital de pequenas tiragens. O TC130 trabalha na família ISO 15311, com a primeira parte sendo um conjunto de características e métricas para ava­lia­ção de qualidade de impressos, a parte 2 tratando da impressão digital de produção e a parte 3 para grandes formatos. No entanto, para uma parcela do mercado essas normas de­ve­riam estar prontas há anos, mas o grupo ainda luta para obter consenso em diversas questões.
Sabedora dessas dificuldades, a Fogra alemã, através de seu grupo de trabalho de impressão digital, criou em 2011 o PSD: Process Standard Digital. Trata-​­se de um padrão pro­prie­tá­rio que baliza controles e processos que, uma vez atendidos, podem ser auditados pela Fogra, que então certifica fornecedores de serviços de impressão digital que atendam a tais requisitos. O PSD é ba­sea­do na ex­pe­riên­cia de certificação da ISO 12647-​­2 (norma de offset), porém tendo a impressão digital e suas características únicas como alvo.
Neste artigo visitaremos o padrão da Fogra e procuraremos entender sua estrutura e aplicabilidade, levando em conta o fato de não ser uma norma in­ter­na­cio­nal.

Imprimir de modo previsível
O PSD está em conformidade com a norma ISO 15311-​­x – Graphic Technology – Requirements for printed matter utilizing digital printing tech­no­lo­gies for the com­mer­cial and in­dus­trial pro­duc­tion – Part 1 – Parameters and mea­su­re­ments methods (Tecnologia Gráfica – Requisitos para materiais impressos utilizando tec­no­lo­gias de impressão digital para a produção co­mer­cial e in­dus­trial – Parte 1 – Parâmetros e métodos de medição), ainda sem tradução no Brasil. É um padrão em linha com o movimento de as gráficas usarem dados eletrônicos para armazenamento de con­teú­do e troca de dados em todo o processo de produção de impressão, desde o desenvolvimento do conceito de um produtos gráfico até o seu acabamento. Existem obstáculos que impedem a preparação de dados sob medida para todas as condições de impressão, incluindo processos analógicos e digitais. As condições de saí­da muitas vezes não são conhecidas no momento da cria­ção.
O PSD é a descrição de um processo in­dus­trial­men­te orien­ta­do e harmonizado para a impressão digital, desde a concepção até o produto final. Neste sentido, a Fogra defende que se uma produção for rea­li­za­da utilizando matéria-​­prima, insumos e equipamentos certificados pelo PSD, é certa a obtenção de melhor custo, qualidade e desempenho, alia­dos a maior sustentabilidade e redução de des­per­dí­cios.
Uma definição prévia de imagem e produto pode ser ba­sea­da em cri­té­rios específicos de qualidade. Esses cri­té­rios abordam reprodução de cores, homogeneidade (uniformidade), resolução, componentes, além de aspectos de permanência como resistência à luz ou resistência ao atrito. Tais ca­te­go­rias são os requisitos de ava­lia­ção do produto impresso.



Uma gráfica que busque um elevado nível de qualidade precisa pautar seu trabalho em regras significativas, ou seja, um padrão. Para tanto, o PSD fornece orien­ta­ções industriais que vão desde a cria­ção dos dados, percorrendo todo o caminho para a impressão, com foco num controle de fluxo de trabalho que aponte para um resultado de impressão previsível.
Guiada pelo lema Imprimir de modo previsível, o conceito do PSD é ba­sea­do em uma separação entre controle de processo e garantia de qualidade e reforça a importância de se trabalhar com as vá­rias normas internacionais de controles de cores, arquivos, imagens e medição em conjunto, crian­do,
assim, parâmetros complementares.
Os três principais objetivos do PSD são:

Controle de processos
Obter impressos repetitivos

Em outras palavras, obter impressos vi­sual­men­te semelhantes em diferentes processos de saí­da, de forma conhecida e constante. O documento fornece as diretrizes para esses controles e os requisitos ne­ces­sá­rios para se estabelecer os re­la­tó­rios de qualidade.

Fidelidade da cor
Comunicação de cor consistente

As gráficas precisam entender as necessidades e expectativas de seus clien­tes e ser capazes de reproduzir com precisão essas expectativas. O PSD estabelece a reprodução absoluta (lado a lado), ou seja, a capacidade de reprodução de cor em relação a vá­rios meios de comunicação, com planilhas e diretrizes que ava­liam os impressos, além de diretrizes para lidar com cores especiais e substratos com uma grande quantidade de agentes de bran­quea­men­to óptico.
Precisão de cor ou qualidade da cor no PSD é a proximidade vi­sual entre uma impressão e a condição de impressão de referência. Com relação à prova de contrato impressa, a ISO 12647-​­7 define
as to­le­rân­cias rigorosas para a sua cria­ção.

Fluxo de trabalho PDF/-x
Previsibilidade

Todo o fluxo de trabalho está sujeito à análise crítica quanto à sua capacidade de rea­li­za­ção, qualidade de impressão consistente e fidelidade de cor. Assim, a Certificação PSD oferece diretrizes para sustentação da cria­ção, pré-​­impressão e processamento de arquivos PDF.

Combinações mais adequadas
O Process Standard Digital não tem como objetivo limitar substratos, tintas, toner ou impressoras. O que se pretende é fazer as melhores combinações para atingir os melhores resultados. A padronização permite estabelecer cri­té­rios válidos e possíveis, sem ne­ces­sa­ria­men­te impor rigidez ao processo. O PSD se autointitula um documento vivo, pois entende as constantes mudanças tecnológicas e inovações em produtos e serviços de impressão.
Ainda nesse sentido é importante sa­lien­tar que a própria normalização é um organismo vivo, uma vez que atua­li­za constantemente suas normas e cria outras novas, de forma a atender às exi­gên­cias de mercado mais ­atuais.
Cada empresa a ser certificada pelo PSD Fogra deve identificar três combinações de configuração. Para a auditoria, a gráfica deve fazer três combinações de substrato, impressora e modo de impressão (para uma ou mais impressoras). O objetivo é ­criar uma referência física por meio de uma prova de contrato ou de validação. São impressas as três combinações, que devem ser representativas da produção, e pelo menos uma das três precisa estar em conformidade com a norma ISO 12647‑7 (prova de contrato) ou ISO 12647‑8 (validação de impressão).

Dicas práticas
O PSD contém um capítulo inteiro dedicado a dicas práticas. São informações ex­traí­das principalmente do LFP Designer Guide da Color Al­lian­ce e, por isso, atual­men­te, apresenta informações com foco em grandes formatos. No entanto, a Fogra informa que deseja am­pliar esse capítulo para outros formatos. Por isso, qualquer um é convidado a compartilhar e discutir informações para
aplicações existentes e novas.
A gráfica interessada em obter a certificação PSD deve responder a perguntas típicas como:
• Qual é o sistema de impressão apro­pria­do?
• Quais são as pro­prie­da­des de permanência e durabilidade relevantes?
• Que aspectos da preparação de dados, controle de processos e ga­ran­tias da qualidade precisam ser levados em consideração?
Deve notar-​­se que as recomendações de permanência e durabilidade não estão as­so­cia­das a um método de medição de concreto. Primeiro, há muitas soluções pro­prie­tá­rias utilizadas para esse propósito. Em segundo lugar, existem diferentes requisitos nacionais (alemães, neste caso), de modo que o que é exigido em um país não é ne­ces­sa­ria­men­te exigido em outro. Para tanto, há uma lista
de métodos de medição.

Prova em máquina
A Fogra defende que enquanto na impressão con­ven­cio­nal a prova em máquina foi quase extinta, ela pode ser válida na impressão digital, uma vez que pode ser con­ve­nien­te usar a mesma combinação de materiais para o impresso de referência (prova de contrato, validação da cópia ou prova de máquina).

Público-​­alvo
A Certificação PSD destina-​­se principalmente aos fornecedores de serviços de impressão digital, sejam eles de pequeno ou grande formatos, com tec­no­lo­gias eletrofotográficas ou jato de tinta. Está voltada também aos compradores de impressão que desejam obter informações sobre impressão digital, uma vez que requisitos e diretrizes ajudam na ne­go­cia­ção e tomada de decisão para a aquisição de impressos, além de evitar exi­gên­cias inalcançáveis.

Buscando a Certificação PSD Fogra
As tabelas aqui reproduzidas apresentam os requisitos mínimos que devem ser atendidos pelas empresas que desejam a certificação de acordo com o documento PSD Fogra.
Os requisitos são exigidos e devem ser atendidos, enquanto as recomendações indicam ações ou controles que podem otimizar o processo. A lista de verificação também pode ser usada como procedimentos internos de medição da qualidade.
Um ponto importante da certificação é a identificação de três combinações representativas do sistema. São combinações (combos) de RIP, sistema de impressão, modo de impressão e substrato típicas para a produção. A lista abrange também o tipo de ava­lia­ção de cor, ou seja, lado a lado, ou mídia relativa. Isso é importante porque in­fluen­cia o tipo de ava­lia­ção. As três combinações se­le­cio­na­das cons­troem a base para a análise de dados e de impressão, tanto durante quanto após a auditoria.
O documento PSD define que a gestão da qualidade pode ser considerada como tendo quatro componentes principais: planejamento da qualidade, controle de qualidade, garantia de qualidade e melhoria da qualidade. A gestão da qualidade é focada não só na qualidade do produto ou serviço, mas também dos meios para alcançá-​­la. Nesse sentido, o PSD recomenda documentar uma série de informações sobre a organização e os equipamentos utilizados. Nos casos em que os procedimentos operacionais padrão (POPs) exigidos na norma ISO 9001 (no Brasil, ABNT NBR ISO 9001) estiverem disponíveis, deve-​­se documentar apro­pria­da­men­te.
Esperamos que brevemente tenhamos a série ISO 15311 publicada para podermos traduzir e adotar no mercado brasileiro, obtendo alguns dos be­ne­fí­cios que os usuá­rios do PSD da Fogra obtêm.

Viviane Pereira é chefe de secretaria do ONS27 e secretaria do ISO/TC130/WG13 – Avaliação da Conformidade. Bruno Mortara é superintendente do ONS27, coordenador do WG13, diretor técnico da ABTG Certificadora e professor de pós-​­graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Artigo publicado na edição nº 96.