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A evolução das soluções de fonte Imprimir E-mail
Escrito por Jim Whitehead   
Qua, 28 de Outubro de 2015

Da mesma forma que a impressão litográfica evoluiu ao longo do século passado, as soluções de fonte também. No século XIX, os impressores pro­du­ziam as suas pró­prias soluções de fonte, misturando ácido fosfórico, goma arábica e água. Outros aditivos foram testados e utilizados com base na disponibilidade e cria­ti­vi­da­de in­di­vi­dual dos impressores. Depois de 1900, com base em uma melhor mecânica, os sistemas de molha foram desenvolvidos. Verificou-​­se que o ál­cool poderia ser adi­cio­na­do à solução de fonte, ajudando na superfície da chapa, melhorando o controle da taxa de emul­sio­na­men­to da tinta.
Depois de 1950, a impressão litográfica ganhou im­pres­sio­nan­te aumento na popularidade. Maiores e mais rápidas máquinas de impressão offset subs­ti­tuí­ram a tipografia, passando a ser o principal método de impressão de livros, revistas e jornais. Os sistemas de molha offset se tornavam então mais precisos na sua capacidade de umectar a chapa e controlar a impressão. Os fornecedores da indústria de impressão começaram a fabricar soluções de fonte concentradas, juntamente com solventes para limpeza de rolaria e blanqueta, limpadores de chapa e muitos outros químicos especiais.
No início, as soluções de fonte concentradas eram feitas a partir de misturas de goma arábica, ácido fosfórico (além de outros ácidos), nitrato de magnésio e for­mal­deí­do (para evitar crescimento bio­ló­gi­co). Esses concentrados eram di­luí­dos na água e os álcoois, com seu baixo peso molecular, eram adi­cio­na­dos para melhorar a umectação. Foram utilizados álcoois tais como metanol, etanol, ál­cool n-​­propílico e isopropanol (IPA), o qual se tornou o ál­cool escolhido devido a sua baixa taxa de evaporação e custo. Para rotativas com forno e impressoras planas o uso de elevado nível de IPA (5% a 30%) era uma prática comum.
Na década de 1980, o uso do ál­cool isopropílico nas soluções de fonte para impressoras rotativas e planas declinaram rapidamente na América do Norte. Impressores tiveram que começar a utilizar um novo tipo de produto chamado substituto de ál­cool. Esses produtos tinham como base o glicol e éteres de glicol com pequenas quantidades de agentes ten­sioa­ti­vos (umectantes). Essa mudança foi provocada por um desejo de reduzir custos, melhorar a saú­de e a segurança dos impressores e atender as regulamentações governamentais que passaram a exigir a redução de compostos orgânicos voláteis (VOC) no meio am­bien­te. Até o final da década de 1980, a maioria dos impressores da re­gião tinha reduzido bastante o uso do ál­cool e estavam utilizando um produto de dois passos, isto é, solução de fonte concentrada e um substituto de ál­cool.
Também durante os anos 1980, os fornecedores de insumos para impressão começaram a desenvolver soluções de fonte de um único passo, tanto para impressoras rotativas como para as impressoras planas, na América do Norte. As rotativas foram as primeiras a serem convertidas para o passo único. Na medida em que os sistemas de molha com escova foram sendo subs­ti­tuí­dos por sistemas de molha contínuo como Dahlgren e Duo­trol, foi exigida uma maior sofisticação das soluções de fonte. Novos surfactantes (ten­sioa­ti­vos) foram desenvolvidos e testados em laboratório e no campo, bem como novas combinações de glicol e éteres de glicol. Isso representou entre 1980 e 2000 um pe­río­do de crescimento para a impressão offset e a tecnologia da solução de fonte. As impressoras se tornaram maiores e mais rápidas, e soluções de fonte concentradas tiveram que ser desenvolvidas para atender as demandas impostas pelos equipamentos e mudanças no papel, chapas de impressão e tinta.
Na Europa, o ál­cool (IPA) ainda estava sendo utilizado em larga escala quando a solução de fonte de um único passo começou a ganhar popularidade, a partir de 2000. Nesse pe­río­do foi cria­da na Alemanha a As­so­cia­ção de Pesquisa de Tecnologia Gráfica conhecida como Fogra. Essa instituição definiu padrões para solução de fonte, as quais colocaram limites no po­ten­cial de corrosão de produtos específicos, juntamente com as fabricantes de impressoras europeias Heidelberg, KBA e Manroland. A Fogra também estabeleceu padrões de solventes para limpeza de rolaria e blanquetas ba­sea­dos na prevenção de ataque no ma­te­rial utilizado na fabricação das ro­la­rias e blanquetas.
Os produtos certificados pela as­so­cia­ção alemã como solução de fonte e solventes são seguidos de perto pelo impressores europeus, mas o mesmo não acontece na América do Norte, onde essa exigência se dá somente quando os requisitos de garantia de impressão para novos equipamentos da Heidelberg, KBA e Manroland estão em vigor.
Para a impressão de jornais e impressos promocionais, a condição das tintas é diferente devido às características das impressoras rotativas e planas. Para as rotativas de jornais o uso de IPA nunca foi necessário. O sistema de molha utilizado tem sido tanto o doctor quanto a escova e mais recentemente o spray bar. Esses sistemas de molha e as características da tinta para jornais fez o IPA ser desnecessário. Na América do Norte, as primeiras soluções de fonte utilizadas foram as alcalinas. O elevado pH (9,5 a 11,5) foi excelente para a tinta preta e também colaborou com a redução do crescimento de bac­té­rias e algas dos re­ser­va­tó­rios de solução de fonte. Quan­do as tintas coloridas passaram a ser aplicadas em grande escala no início de 1980, os jornais começaram a utilizar soluções de fonte com pH neutro (6,5 a 7,5). Essa mudança funcionou bem com as tintas, mas foi observada elevação nos níveis de bac­té­rias e algas nos re­ser­va­tó­rios. Hoje, o pH levemente ácido (4,5 a 5,5) está em amplo uso no continente. Isso também se aplica à Europa, que sempre utilizou produtos levemente ácidos. As vantagens desses produtos estão no fato de fun­cio­na­rem com as tintas atuais e ajudarem a reduzir o crescimento bio­ló­gi­co nos re­ser­va­tó­rios de solução de fonte.
No mercado ­atual de impressão co­mer­cial, a tendência na América do Norte e na Europa é a migração para soluções de fonte de um único passo mais sofisticadas, tanto para rotativas como planas. A eliminação do IPA ainda é um importante objetivo por razões de custo, meio am­bien­te e segurança dos fun­cio­ná­rios. As soluções de fonte atuais de um único passo têm que evoluir da teo­ria e do laboratório para o campo, com produtos que permitem que as impressoras executem trabalhos de alta qualidade em alta velocidade, com um desperdício mínimo de va­ria­ção de cor, acúmulo de tinta e crescimento bio­ló­gi­co, reduzindo o custo total de impressão.
A Fujifilm Hunt Chemicals possui la­bo­ra­tó­rios de Pesquisa e Desenvolvimento para o mercado de impressão offset em suas fábricas do Japão, Estados Unidos e Bélgica formulando produtos como solução de fonte, emulsão de silicone, solventes e produtos auxiliares buscando resolver as necessidades das impressoras. No Brasil, a Fujifilm Hunt fabrica produtos diversos para os clien­tes de jornais, para rotativas heat­set e máquinas planas.


Jim Whitehead é diretor técnico de Químicos para Impressão da Fujifilm Hunt Chemicals, Estados Unidos.

Artigo publicado na edição nº 94