home > Como Funciona > O papel do papel
twitter
Banner Facebook

Parceiros

O papel do papel Imprimir E-mail
Escrito por Célio Robusti   
Qua, 06 de Maio de 2015

Desde os tempos mais remotos o ser humano busca reproduzir graficamente, nos mais diversos tipos de materiais, um signo, um símbolo, com o intuito de per­pe­tuar sua cultura e, consequentemente, sua espécie. O estado da arte dos processos de impressão consiste na reprodução, da maneira mais fiel possível, de uma imagem. O mercado gráfico se vale de alguns processos de impressão que utilizam formas específicas, alguns tipos de tintas e uma va­rie­da­de incontável de substratos, dos quais o mais utilizado é o papel. Podemos definir papel como uma folha composta, basicamente, de fibras celulósicas unidas entre si, misturadas ou não com outros produtos químicos (aditivos) que lhe darão características específicas, dependendo de sua finalidade.

Aditivos utilizados na fabricação do papel

Cargas minerais
Subs­ti­tuem parte das fibras celulósicas, conferindo ao papel maior opacidade (menor transparência) e melhor secagem da tinta de impressão. No entanto, di­mi­nuem as características mecânicas da folha.

Amidos
Podem ser dosados em pontos do processo nos quais a celulose se encontra na forma de pasta ou na superfície do papel semipronto. No primeiro caso, aumenta a resistência mecânica da folha. Já no segundo caso, pro­por­cio­na um aumento da resistência su­per­fi­cial da mesma, ou seja, diminui a probabilidade de arrancamento de partículas de sua superfície, condição adequada para impressão offset plana.

Agentes de colagem interna
Di­mi­nuem a capacidade de absorção de líquidos pelo papel e, portanto, a capacidade de absorção de tintas líquidas na rotogravura e na flexografia, melhorando seu desempenho no que diz respeito ao aumento do valor tonal.

Alvejantes ópticos
Conferem ao papel branco maior alvura (medida da reflexão de luz [azul] num comprimento de onda de 457 nanômetros) e maior brancura (reflexão de todos os comprimentos de onda do espectro visível, de 400 a 700 nanômetros, de maneira ba­lan­cea­da). Na prática, a medição de brancura pode ser efe­tua­da utilizando-​­se vá­rias fórmulas matemáticas que não condizem, ne­ces­sa­ria­men­te, com o conceito teó­ri­co. Por isso os alvejantes ópticos aumentam a brancura e a alvura, uma vez que eles absorvem as ra­dia­ções ul­tra­vio­le­tas e as ree­mi­tem no espectro visível (na faixa do azul). Quan­do dosados em excesso, os alvejantes ópticos podem comprometer a composição de cores na impressão, pois o papel encontra-​­se branco-​­azulado.

Processo de fabricação do papel

1. Preparação da massa
Consiste em transformar as placas/blocos de celulose em pasta (caso a fábrica em questão seja somente aquela destinada à produção de papel — fábrica não integrada), além de retirar impurezas e mudar sua forma física para que possa ser adequada ao tipo de papel fabricado, de acordo com as características desejadas ou com o processo de impressão. Alguns aditivos podem ser adi­cio­na­dos nesta etapa do processo.

2. Ap­proach flow (fluxo de aproximação)
É o elo entre a preparação da massa e a máquina de fabricação de papel (máquina de papel). Nessa etapa a pasta é transformada em suspensão fibrosa por meio da adição de mais água no processo, quando, então, passa por mais uma fase de retirada de impurezas, além de receber mais aditivos antes de alimentar a máquina de papel.

3. Máquina de papel
A água adi­cio­na­da an­te­rior­men­te é retirada gradativamente em toda a extensão da máquina e retorna ao processo após con­di­cio­na­men­to adequado. O processo de formação da folha tem início com a retirada de parte da água contida na suspensão fibrosa por meio de vácuo. Essa fase interfere de forma significativa na resistência mecânica do papel, devido a possível diferença de distribuição de fibras celulósicas, o que interfere, também, na distribuição e no consumo de tinta na impressão.
Após a formação, a folha ainda é submetida aos processos de prensagem e de secagem para retirada da água por meio de ação mecânica e de evaporação, respectivamente.
No caso da fabricação de papel para imprimir e escrever, a folha é submetida ao processo de calandragem antes de ser enrolada, quando possíveis correções podem ser efe­tua­das, por exemplo, na aspereza, na espessura e no volume específico aparente. Imprimir uma imagem em um papel muito áspero implica em maior consumo de tinta e menor poder de cobertura. Um papel com alto volume específico aparente (corpo) e baixa aspereza é o mais adequado para impressão em rotogravura.

Célio Robusti é professor da Escola Senai Theobaldo De Nigris.

Artigo publicado na edição nº 92