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Lixo eletrônico. Ele pode prejudicar sua empresa. Imprimir E-mail
Escrito por William Walter   
Ter, 05 de Maio de 2015

Boa parte das gráficas, não importando o tamanho ou segmento de atua­ção, sabe o que fazer com os re­sí­duos resultantes do processo de impressão, como aparas e re­sí­duos químicos. Além desses, porém, outro ma­te­rial que precisa ser descartado começou a fazer parte do dia-​­a-dia das empresas. Estou falando de computadores, escâneres, impressoras digitais e periféricos que se tornaram obsoletos, estão quebrados ou simplesmente não atendem mais as nossas necessidades operacionais.
Com as constantes atua­li­za­ções dos soft­wares de edição de imagem e dia­gra­ma­ção, agên­cias de cria­ção e gráficas são forçadas a trabalhar com arquivos cada vez maiores e complexos, que exigem processamento ágil para atender os prazos de produção cada vez mais curtos. Nesse cenário é comum ouvir dos operadores que o computador está ficando lento e que está na hora de trocar por
outro mais rápido.
Nos últimos anos, a rápida obsolescência, combinada com a grande demanda por tecnologia e com a facilidade em adquirir equipamentos ele­troe­le­trô­ni­cos, vem provocando um problema de dimensões mundiais: o descarte incorreto desses equipamentos no meio am­bien­te.
O lixo eletrônico é o que mais cresce no mundo. Segundo estudo coor­de­na­do pela United Na­tions University, Step (Solving the E-​­Waste Problem), são gerados anual­men­te 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico (e-​­lixo), número que pode atingir 65 milhões de toneladas em 2017. A rea­li­da­de do Brasil não é diferente. Afinal, segundo estudo das Nações Unidas divulgado em 2010, somos o maior gerador de lixo ele­troe­le­trô­ni­co per capita em comparação com os paí­ses em desenvolvimento.
Em 2012, a Agência Brasileira do Desenvolvimento In­dus­trial (ABDI) divulgou um estudo amplo apontando que eram gerados 4,8 kg de lixo ele­troe­le­trô­ni­co por habitante, podendo atingir 7,2 kg em 2016. Para o ano de 2015, a expectativa é da geração de 1.250.000 toneladas desse tipo de lixo.
A maior parte do lixo eletrônico produzido no País vai para lixões ou aterro sanitário, no caso da cidade possuir um. Quan­do o lixo eletrônico é tratado em empresas responsáveis, os componentes voltam ao ciclo produtivo, exceto as placas eletrônicas, que são exportadas para paí­ses como Bélgica, Alemanha e Japão, nações que pos­suem tecnologia para extrair metais nobres dessas placas.
Os paí­ses desenvolvidos são acusados de en­viar 70% do lixo gerado internamente para paí­ses da África, para a China e a Índia, contaminando o meio am­bien­te e causando muitas doen­ças às pes­soas que manipulam esses equipamentos de forma incorreta.
Além dos riscos de poluir o meio am­bien­te, outro fator de extrema importância e que merece a atenção tanto das agên­cias de publicidade quanto das gráficas é a correta destruição das informações contidas nos discos rígidos dos computadores, cartões de memória ou nos celulares que são descartados ou doa­dos.
A pergunta que se deve fazer é: existem dados sigilosos nesses equipamentos que possam prejudicar sua marca ou reputação e também dos seus clien­tes?
Por isso, é recomendável a contratação de empresas certificadas para destruir fisicamente essas mí­dias e dar destinação am­bien­tal e so­cial­men­te responsável aos equipamentos ele­troe­le­trô­ni­cos. Após a coleta ou o recebimento dos equipamentos, começa o processo de desmontagem, seguida da separação dos componentes, descaracterização e compactação para envio às empresas que farão o processamento de acordo com o tipo de ma­te­rial. Por exemplo, o plástico será triturado, os metais derretidos, e assim por dian­te. Finalizada essa etapa, os materiais seguem para a indústria como matéria-​­prima. E com isso o ciclo recomeça. Além de empresas, existem também as coo­pe­ra­ti­vas es­pe­cia­li­za­das nesse segmento.

Política Nacional de Resíduos Sólidos
No dia 2 de agosto de 2010 entrou em vigor a Lei Federal nº 12.305 que trata da Política Na­cio­nal de Re­sí­duos Sólidos. O Art. 33 trata diretamente do lixo eletrônico. São obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, me­dian­te retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos re­sí­duos sólidos, os fabricantes, importadores, distribuidores e co­mer­cian­tes de produtos ele­troe­le­trô­ni­cos e seus componentes.
Por não fabricar nem co­mer­cia­li­zar produtos eletrônicos, esse encargo não se aplica à indústria gráfica. Contudo, as empresas e os grandes geradores de lixo eletrônico são responsáveis pela gestão dos re­sí­duos frutos de suas atividades. A gráfica não tem a obrigação de coletar componentes eletrônicos, mas continua com o dever de dar a destinação correta ao lixo eletrônico por ela gerado, o que significa que não pode descartá-​­lo em qualquer lugar.
Agora, quando você encontrar esses equipamentos em algum canto da empresa pegando poeira saberá que o lugar deles é de volta ao ciclo produtivo, contribuindo para manter a água, a terra e o ar limpos, bem como seguras as informações da
empresa e, sobretudo, dos clien­tes.

William Walter é tecnólogo gráfico pela Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica e diretor da Colara Soluções Ambientais ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. )

Artigo publicado na edição nº 92