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Mudanças climáticas e a pegada de carbono Imprimir E-mail
Escrito por Oziel Branchini e Warwick Manfrinato   
Ter, 21 de Outubro de 2014

Temos que nos preocupar com tudo que se fala sobre mudanças climáticas?

As mudanças climáticas têm ocupado com destaque os no­ti­ciá­rios, sendo um tema de fundamental importância pelos impactos que atingem diretamente a vida humana e a do planeta. Portanto, há motivos para preo­cu­pa­ções que vão além das percepções e opi­niões do senso comum. O tema, por sua complexidade, não pode ter sua discussão ba­sea­da em opi­niões. Seu conhecimento deve estar 
fundamentado em fatos e dados.
No campo das mudanças climáticas, muito se tem debatido nos meios de comunicação e muitos pesquisadores têm apresentado estudos a respeito. Esse debate tem gerado dúvidas e di­ver­gên­cias, como também novas hipóteses e conhecimentos sobre as causas do aquecimento global e suas consequências sobre os eventos me­teo­ro­ló­gi­cos. É importante ressaltar que, dentre as fontes do conhecimento do tema, o IPCC, Intergovernmental Panel on Climate Change, é o órgão cria­do pela ONU, em 1988, com a finalidade de apresentar informações para os tomadores de decisões em âmbito mun­dial. O IPCC agrega re­la­tó­rios procedentes de cien­tis­tas pertencentes aos 195 paí­ses sig­na­tá­rios da ONU, gerando re­la­tó­rios acessíveis à so­cie­da­de e contribuindo para a formulação da política in­ter­na­cio­nal sobre mudanças climáticas. Tais re­la­tó­rios representam o consenso da maioria dos cien­tis­tas ligados ao tema, em todo o planeta.
Uma das consequências do aquecimento global, citada pelo IPCC, é a intensificação de fenômenos como tempestades tropicais, ciclones e secas, além da tendência de aquecimento da atmosfera, tão discutida como “aquecimento global”. Condições me­teo­ro­ló­gi­cas extremas, nos dias de hoje, passaram a ser comuns nos no­ti­ciá­rios de jornais, revistas e mídia eletrônica: ondas de calor inéditas; furacões avassaladores; enchentes intermináveis ou secas onde antes havia água em abundância; extinção de milhares de es­pé­cies de animais e plantas; in­cên­dios florestais ex­tem­po­râ­neos; derretimento dos polos; e toda sorte de desastres naturais que fogem ao controle humano.


O NOAA, Na­tio­nal Ocea­nic and Atmospheric Ad­mi­nis­tra­tion, uma das principais fontes de geração de dados observados no planeta, referindo-​­se ao aquecimento global, informou que a temperatura média combinada das su­per­fí­cies terrestres e oceâ­ni­cas globais para junho de 2014 foi recorde para o mês e acima da média do século 20. Nove dos 10 junhos mais quentes, já registrados, ocorreram durante o século 21. O que antes eram eventos raros nos ciclos naturais, no am­bien­te dinâmico da atmosfera, tornou-​­se mais frequente. 
(http://www.ncdc.noaa.gov/sotc/global/).
A mídia tem reforçado a ideia do aquecimento global como causa de tra­gé­dias ocorridas nos últimos anos, como a enchente na Tailândia no final de 2011. Devido às enchentes, empresas como a Toyota, Honda e outras montadoras deixaram de produzir milhares de veí­cu­los e a Toyota teve um impacto negativo de US$ 1,5 bilhão nos lucros. Muitas fábricas naquele país — responsável por 45% da produção global de discos rígidos — foram alagadas. Com isso houve redução na produção de HDs e consequente aumento do preço no mercado mun­dial, chegando a dobrar em muitos locais. O tufão Haiyan, com ventos de até 315 km/h, foi o mais forte registrado e o segundo desastre mais fatal da história recente das Filipinas, matando mais de seis mil pes­soas e causando danos estimados em US$ 14 bilhões.


Na perspectiva dos cien­tis­tas ligados ao IPCC, a explicação do fenômeno não está re­la­cio­na­da aos ciclos naturais, e sim às atividades humanas. Assim, há aqueles que defendem a ocorrência de um processo de aproximação de uma era gla­cial e consequente res­fria­men­to do planeta num ciclo de longo prazo, no entanto, há convergência de entendimento de que vem ocorrendo uma severa alteração nas ten­dên­cias dos ciclos de menor prazo. Da mesma forma, enquanto que, para alguns, a erupção vulcânica seria responsável pela emissão de GEE (Gases do Efeito Estufa) em níveis su­pe­rio­res à emitida pelo uso de petróleo em um dado sistema, há consenso de que essa alteração tem como causa a ação humana pelo uso do petróleo e do 
desmatamento histórico em todo o planeta.
Nesta dimensão, as ava­lia­ções e ce­ná­rios futuros possíveis podem ser mais difíceis de serem previstos, mas certamente não estamos dian­te de um sistema atmosférico com o mesmo equilíbrio dinâmico que existia antes da Revolução In­dus­trial, a qual desencadeou um processo so­cioe­co­nô­mi­co e am­bien­tal envolvendo mudanças de costumes, mobilidade humana no planeta, intensificação do uso da energia do petróleo, evolução da 
agricultura e da agro­pe­cuá­ria.
Mas o que é o efeito estufa?
A descoberta do efeito estufa é atri­buí­da ao físico francês Jean Baptiste Joseph Fourier (1768–1830), relatado em sua obra Observações gerais sobre a temperatura do globo terrestre e os espaços pla­ne­tá­rios, publicada em 1824.
Em resumo, o efeito estufa ocorre quando a superfície do planeta absorve a luz solar e reflete parte dela como calor (ra­dia­ção infravermelha). Os gases do efeito estufa (GEE) contidos na atmosfera impedem que essa ra­dia­ção escape.
A atmosfera terrestre é composta predominantemente de nitrogênio (N²), oxigênio (O²) e argônio (Ar). Se houvesse somente esses três gases, a temperatura da Terra sempre seria in­fe­rior a 18°C e, em grande parte, os ocea­nos se­riam congelados. Como a atmosfera também é composta por gases capazes de absorver e armazenar calor (GEE), esse fenômeno possibilitou à água se estabilizar na forma líquida. Assim, por meio de um equilíbrio dinâmico, biogeoquímico, a vida foi possível e houve a evolução do nosso planeta ao estágio ­atual: 
azul, lindo e ameno à vida.


E a pegada de carbono, o que é e qual a sua utilidade? Pegada de carbono é a quantificação das emissões de GEE gerados por uma atividade ou em­preen­di­men­to. Por meio do cálculo da Pegada de Carbono podemos quantificar todas as emissões de GEE lançadas durante o ciclo de vida de um produto ou serviço, ou seja, é a soma das emissões ocorridas desde a obtenção dos recursos naturais usados na sua fabricação até sua disposição final, após o cumprimento de sua função. Por sua vez, o inventário de emissões é o conjunto de emissões ocorridas durante um pe­río­do específico, geralmente ­anual, de uma atividade humana — indústria, serviços, eventos etc. Desta forma, o cálculo da pegada de carbono oferece informações que permitem comparações úteis ao tomador de decisão, seja 
organismo público, empresas ou o consumidor.
É importante quantificar as emissões de GEE em todas as atividades humanas, principalmente aquelas que dependem do uso de petróleo e do uso da terra. A gestão das atividades humanas é tão importante quanto mensurar e comparar com dados globais, visando reduzir, na fonte, as emissões dos GEE para garantir a existência da vida no planeta.


Portanto, a falta de controle das emissões de GEE pode conduzir a humanidade para sua autodestruição ainda neste século. Assim, mais do que nunca devemos perguntar: o que eu tenho a ver com tudo isso? A revista Havard Business Re­view de abril de 2014 cita uma pesquisa global com aproximadamente dois mil executivos, rea­li­za­da pela ­Sloan Management Re­view e o Boston Consulting Group, segundo a qual dois terços dos líderes concordam que mudanças climáticas são reais — mas somente um terço acredita que suas empresas estão 
preparadas para enfrentar essas amea­ças.
A título de provocação, apresentamos acima o check list, desenvolvido por Eric Lowitt, sobre es­tra­té­gias de redução dos impactos climáticos.
Essas recomendações são úteis nas definições do planejamento estratégico, com vistas à redução dos impactos das mudanças climáticas, bem como a eliminação das causas que provocam tais mudanças. 
Sua empresa está preparada?

Oziel Branchini é engenheiro químico, 
professor de pós-​­graduação na Faculdade Senai 
de Tecnologia Gráfica, gerente de Engenharia 
de Processos & Qualidade na Suzano Papel e Celulose 
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Warwick Manfrinato é engenheiro agrônomo, diretor da Plant Inteligência Ambiental e membro do Programa Amazônia do Instituto de Estudos Avançados da USP.

Artigo publicado na edição nº 90