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Novos produtos para comunicação visual e a sustentabilidade Imprimir E-mail
Escrito por Fernando Rodrigues Machado Rosa   
Seg, 20 de Outubro de 2014

As preo­cu­pa­ções ambientais são relativamente recentes. Nas décadas de 1970 e 1980, quando ocorreram alguns grandes acidentes industriais, o meio am­bien­te ganhou espaço nas agendas dos governos e passou a ser 
discutido pelos organismos internacionais.
O conceito de Desenvolvimento Sustentável, cria­do pela Comissão Mun­dial sobre Meio Am­bien­te e Desenvolvimento das Nações Unidas em 1983, foi descrito ini­cial­men­te como sendo um desenvolvimento que deveria satisfazer as necessidades presentes sem, contudo, comprometer o direito das futuras gerações. Hoje, já se fala que sem saú­de e prosperidade no conjunto da so­cie­da­de, a lucratividade e a perenidade das empresas 
tornam- ­se inviáveis1.
Nesse caminho em busca da sustentabilidade, algumas empresas de suprimentos para o segmento de comunicação vi­sual começaram a trabalhar para que os impactos ambientais de sua atua­ção fossem reduzidos, tanto através de me­lho­rias nos processos de fabricação quanto no desenvolvimento 
de produtos mais sustentáveis.


Testeira de posto confeccionada em produto translúcido para LEDs


Na parte de processos de fabricação houve me­lho­rias de efi­ciên­cia energética e redução de compostos orgânicos voláteis (VOC). Em alguns casos, essa redução chega a mais de 10% por unidade de ma­te­rial acabado. Em 2012, alguns projetos de prevenção à poluição fizeram com que uma dessas empresas deixasse de produzir mais de 700 toneladas de re­sí­duos e de emitir mais de 4.000 toneladas de gases de efeito estufa nos Estados Unidos.
Recentemente, surgiram linhas de produtos inovadores que são “mais sustentáveis” em frentes diferentes. Como exemplo, podemos citar produtos translúcidos projetados para serem utilizados em construções com LEDs, melhorando a transmissão de luz e reduzindo o número de LEDs; e produtos para impressão digital extremamente versáteis em termos de aplicação e cuja composição não utiliza PVC.
A iluminação com LEDs é amplamente aceita como uma das tec­no­lo­gias de iluminação mais efi­cien­tes energeticamente disponíveis hoje. O Departamento de Energia dos Estados Unidos estima que, trocando as iluminações por LED ao longo das próximas duas décadas, o país poderia reduzir o consumo de energia elétrica para aplicações de iluminação geral em quase metade, diminuir as emissões de gases de efeito estufa em 1.800 milhões de toneladas de carbono e economizar US$ 250 bilhões em custos de ener­gia2. Em uma caixa de luz de iluminação frente e verso, a troca de lâmpadas fluo­res­cen­tes por LED provoca uma redução de 60% do consumo ­anual de energia.
Além disso, os LEDs de longa duração têm uma vida útil de 50.000 horas ou mais sem a necessidade de substituir uma lâmpada3. Sua fabricação tem um impacto am­bien­tal global menor em comparação com a fabricação de lâmpadas fluo­res­cen­tes4. Os LEDs também são livres de mercúrio. Assim, seu uso evita a contaminação am­bien­tal por mercúrio pro­ve­nien­te da quebra acidental ou disposição inadequada de lâmpadas fluo­res­cen­tes. Em adição, há uma redução do número de lâmpadas fluo­res­cen­tes, que têm de ser recicladas. Reciclagem e recuperação do mercúrio contido dentro da lâmpada fluo­res­cen­te consomem uma quantidade considerável de energia, em comparação com a reciclagem de um LED4.

1 YE, Geoff, ELKINGTON, John. Cannibals with Forks: the triple bottom line of 21st century business. New York: McGraw Hill, 2000.
2 S. Department of Energy: Report on Energy Savings of Solid- ­State Lighting, janeiro 2012.
3 U.S. Department of Energy: Solid- ­State Lighting – LED Basics.
4 U.S. Department of Energy: Life- ­Cycle Assessment of Energy and Environmental Impacts of LED Lighting 
Products.


Porém, para atingir o mesmo brilho de uma iluminação fluo­res­cen­te, é necessário um grande número de LEDs em uma caixa de luz, o que pode in­via­bi­li­zar financeiramente as construções. Com o lançamento de uma nova geração de materiais translúcidos, com pro­prie­da­des de transmissão de luz mais elevadas, os clien­tes têm a flexibilidade para alcançar o mesmo brilho usando menos LEDs, ou ­criar sinais mais iluminados, sem acrescentar mais LEDs.
Outra frente de produtos “mais sustentáveis” é composta por materiais que não têm PVC em sua composição. Atual­men­te, a maior parte dos filmes de comunicação vi­sual é de PVC, que são tipicamente muito estáveis, resistentes e duradouros, atributos altamente desejáveis para os materiais gráficos de longo prazo. Contudo, elementos ha­lo­gê­nios como ­flúor, cloro, bromo e iodo têm sido tra­di­cio­nal­men­te usados nas composições desses plásticos.
O problema com plásticos halogenados ocorre durante a eliminação. Se o ma­te­rial é incinerado, os ha­lo­gê­nios rea­gem com a água disponível (um subproduto de incineração) para formar ácidos fortes, como HCI e HF. Somando- ­se a essas questões de cunho am­bien­tal, a incineração de materiais 
halogenados pode ser cara.


Filme sem PVC usado para envelopamento automotivo


Essa nova geração de produtos, além de eliminar o PVC, também é livre de ftalatos, família de produtos químicos tra­di­cio­nal­men­te utilizados na indústria de PVC como plastificantes para fazer filmes mais flexíveis. Essa família de produtos químicos está se tornando mais regulada globalmente, devido a riscos de saú­de as­so­cia­dos a eles.
Os novos produtos sem PVC têm ainda 10% de sua composição provinda de materiais de fontes renováveis e utilizam 60% menos solvente durante o processo de fabricação em comparação com um processo ­usual de fabricação de filmes cast. Foram projetados para excluir determinados produtos químicos e apresentarem performance de aplicação ainda su­pe­rior aos produtos usuais. Com relação ao desempenho de aplicação, esses produtos são mais resistentes a riscos e se conformam mais facilmente em su­per­fí­cies complexas. Apresentam alongamento de 150% e podem ser utilizados desde um envelopamento automotivo até su­per­fí­cies texturizadas, como paredes e muros, com aplicações até 50% mais rápidas. Apresentam ainda bom comportamento em diferentes temperaturas, pois não ficam moles em altas temperaturas e quebradiços em baixas temperaturas. Por fim, suas remoções são mais fáceis, pois esses novos materiais também são mais resistentes ao rasgamento.


Filme sem PVC usado em van


Assim, vimos neste artigo duas frentes de inovação, mas que não deixam de ter uma boa performance em função de serem “mais sustentáveis” em relação às gerações an­te­rio­res de produtos para comunicação vi­sual. Pelo contrário, são os melhores para as aplicações a que foram projetados. E isso é só o começo. A tendência é que ini­cia­ti­vas como essas se tornem mais frequentes para que tenhamos cada vez mais produtos menos po­luen­tes e com desempenho ainda melhor.    

Fernando Rodrigues Machado Rosa é engenheiro de Desenvolvimento de Aplicações da 3M.

Artigo publicado na edição nº 90