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Alternativas para a impressão offset sobre substratos metalizados Imprimir E-mail
Escrito por Edilson Cruz Pereira, Pietro Benedetto, Renato Aparecido Pereira e Alexandre da Silva Maltez   
Seg, 21 de Julho de 2014

Em nosso competitivo mercado, principalmente no segmento de embalagens, a indústria gráfica procura inovar para atrair o consumidor final no momento da compra. Visando ao enobrecimento dos materiais, há substratos muito difundidos e utilizados, como os cartões e pa­péis metalizados que, pelas suas características visuais, ­atraem a atenção dos consumidores e agregam valor ao produto final. Porém, nem sempre as gráficas contam com os recursos ideais para a impressão nesses substratos. Mas, mesmo sem esses recursos, é possível obter produtos de qualidade. Vamos ver como imprimir sobre metalizados e atingir as expectativas dos clien­tes.
Os consumidores nem imaginam a complexidade e os controles ne­ces­sá­rios para produzir embalagens de qualidade, ainda mais em se tratando de materiais metalizados. Não existe muita informação sobre técnicas e procedimentos para a impressão de metalizados. Esses materiais apresentam dificuldades pe­cu­lia­res, como grande resistência à ancoragem da tinta sobre sua superfície.


Para com­preen­der esses problemas foram rea­li­za­dos testes de impressão na Escola Senai Theo­bal­do De Nigris. É justamente sobre os resultados desses testes que essa matéria se apoia. Contudo, antes de revelarmos os resultados, é preciso que o leitor tenha conhecimento dos aspectos tecnológicas que envolvem esses substratos, das condições em que os testes foram rea­li­za­dos e de quais parâmetros foram usados para as análises dos resultados.

Metalização
A metalização consiste na aplicação de uma camada fina de metais sobre um substrato, sendo alumínio o mais utilizado. No caso de filmes plásticos, o alumínio é sublimado num am­bien­te a vácuo e depositado por condensação. Em cartões, a metalização geralmente é feita pela laminação de um filme plástico, pre­via­men­te metalizado. Além do enobrecimento do ma­te­rial, a metalização visa a ­criar uma barreira efi­cien­te contra gases e líquidos, além da inibição da passagem de luz, aumentando a vida útil dos produtos acon­di­cio­na­dos.

Ancoragem
A ancoragem é a capacidade que uma tinta tem de se fixar em um substrato. Ela é determinada pela facilidade com que um pigmento se fixa sobre alguma superfície através do seu veí­cu­lo. Na impressão em substrato metalizado, a ancoragem deve ser facilitada pela aplicação de técnicas como o tratamento corona, o uso de primers e de vernizes com o propósito de encapsular a tinta, objetivando ­criar uma barreira entre o filme e o am­bien­te. A capacidade de uma superfície promover a aderência de um líquido denomina-​­se tensão su­per­fi­cial e é medida em dyna por centímetro li­near (d/cm).
Os filmes que passam por extrusão, utilizados para a laminação em cartões, pos­suem tensão su­per­fi­cial naturalmente baixa. O po­lies­ti­re­no, por exemplo, possui 33 dinas/cm; o po­lie­ti­le­no, 31 dinas/cm; e o polipropileno, 29 dinas/cm. Na impressão offset, a tensão su­per­fi­cial deveria ser de 
aproximadamente 40 d/cm.

Tratamento corona
O tratamento de su­per­fí­cies plásticas por efeito corona tem sido largamente utilizado como meio efetivo de aumentar a tensão su­per­fi­cial de substratos, promovendo a melhor aderência de tintas, adesivos, coa­tings e laminados. O tratamento consiste no uso de descarga elétrica, cujo po­ten­cial excede o ponto de isolamento do ar, da ordem de 26 KV/cm, produzindo assim ozônio e óxidos de nitrogênio, os quais oxidam a superfície do filme plástico, causando uma rugosidade na mesma. O processo é obtido pela passagem do filme sobre um cilindro de metal aterrado, recoberto por um die­lé­tri­co para assegurar a uniformidade da descarga. Os melhores resultados na impressão offset de substratos metalizados são obtidos com o processo UV. No entanto, também é possível usar a secagem con­ven­cio­nal tomando-​­se os devidos cuidados no manuseio e respeitando o tempo de cura mínimo de 24 horas.
O início do setup pode ser feito com um substrato em branco, de preferência um papel ou cartão de revestimento comum, uma vez que o custo dos metalizados é alto frente a outros substratos. Após o acerto, é importante não empilhar uma quantidade grande de substrato metalizado, pois esse tipo de ma­te­rial tem uma predisposição para gerar eletricidade estática, causando a aderência de uma folha na outra, prejudicando a alimentação da máquina impressora. Outra dica é ma­nu­sear o substrato com luvas, evitando que as mãos engordurem o substrato e prejudiquem a deposição do filme de tinta.
A medição da densidade no metalizado deve ser feita com um aparelho específico para leituras nesse tipo de ma­te­rial, o espectrodensitômetro multiangular. Esse equipamento permite que sejam feitas medições si­mul­tâ­neas em três ângulos diferentes (25°, 45° e 75°), além de contar com iluminação a partir de 18 direções radiais, eliminando os problemas de orien­ta­ção nas medições. Esses problemas ocorrem nos aparelhos comuns devido às características ópticas do substrato, que impossibilitam uma leitura precisa. Além da leitura com o aparelho apro­pria­do, o acerto pode ser rea­li­za­do em uma análise vi­sual, buscando um ângulo em que a reflexão da luz não interfira na vi­sua­li­za­ção do impresso, 
lado a lado com uma prova de cor.
Após o setup, imprimem-​­se algumas folhas no substrato metalizado, controlando-​­se a densidade, com os devidos cuidados para que não se aumente excessivamente a carga de tinta e não se crie uma pilha de saí­da muito alta. A negligência com esses detalhes poderá acarretar problemas como decalque e blocagem.
Na saí­da da impressora deve haver o cuidado com a quantidade de pó antidecalque aplicado no impresso. A falta poderá oca­sio­nar os problemas citados acima e o excesso atrapalhará na aplicação de qualquer tipo de enobrecimento e até mesmo na secagem. Deve-​­se estar atento com o armazenamento das folhas impressas durante o tempo de secagem. É preciso evitar pilhas grandes, espalhando o ma­te­rial em pequenas quantidades e nunca colocando peso em cima dos impressos. Uma alternativa é sobrepor paletes com cantoneiras de apoio nos seus cantos.

Análise dos impressos
Finalizada a etapa de impressão devemos analisar os impressos por meio de amostragens para identificar se a ancoragem da tinta ocorreu sa­tis­fa­to­ria­men­te. O teste mais usado para isso é o da “fita adesiva”. Uma fita de boa qualidade, com largura de 19 mm, é fixada sobre a área a ser testada e então removida. O resultado é medido na seguinte escala de ava­lia­ção: excelente, para nenhuma tinta removida; bom, para menos de 25% de tinta removida; regular, de 25% a 50% de tinta removida; e ruim, para mais de 50% de tinta removida. Como se pode notar esse método é subjetivo, porém ele fornece uma boa noção quanto à ancoragem da tinta sobre algum substrato, afora ser um teste rápido e barato.
Para melhor vi­sua­li­zar­mos a qualidade da ancoragem de diversos tipos de tintas e múltiplos substratos metalizados foram coletados dados que compõem o principal indicativo de qual substrato e qual tinta utilizada fornece o melhor desempenho de impressão. Os campos incompletos nas tabelas de ava­lia­ção de ancoragem representam em qual substrato a tinta não foi aplicada.

Aplicação de tinta convencional
A impressão com tinta con­ven­cio­nal nos diferentes substratos apresentou, de forma geral, resultados não sa­tis­fa­tó­rios. Isso se deve principalmente à inexistência da secagem por absorção em substratos metalizados. Sendo assim, o único meio da tinta secar é a oxipolimerização, processo que leva em torno de 24 horas para ser finalizado. Nesse meio tempo, o manuseio do ma­te­rial prejudica a ancoragem do filme de tinta e acarreta problemas como o decalque.

Aplicação com tinta convencional mais verniz base d’água
A impressão com tinta con­ven­cio­nal mais a aplicação do verniz apresentou de forma geral resultados sa­tis­fa­tó­rios. O verniz blinda o filme de tinta, impedindo o contato do mesmo com o am­bien­te. Porém, caso a camada do verniz seja rompida, o filme de tinta será muito prejudicado, uma vez que o substrato acaba por impedir a secagem por absorção e o filme de tinta dificulta a secagem 
por oxipolimerização.

Aplicação com tinta foil
A impressão com tintas de secagem oxidativa, especiais para materiais impermeáveis (foil), apresentou, nos diferentes substratos, resultados não sa­tis­fa­tó­rios. Isso se deve principalmente à inexistência da secagem por absorção em substratos metalizados. Sendo assim, o único meio da tinta secar é a oxipolimerização, processo que leva em torno de 24 horas para ser finalizado e que é facilitado com o uso dessa tinta. Nesse meio tempo, o manuseio do ma­te­rial prejudica a manutenção da integridade do filme de tinta. É importante citar que para o uso dessa tinta, a pré-​­impressão deve trabalhar mais, uma vez que os arquivos precisam ser preparados para terem as ­­áreas de sobreposição de tintas di­mi­nuí­das, facilitando a deposição de tinta e melhorando de forma consistente os resultados de ancoragem.

Aplicação com tinta UV
A impressão com tinta UV nos diferentes substratos apresentou de forma geral resultados excelentes. Isso acontece principalmente pelas características da tinta, composta por oligômeros e monômeros que, quando expostos a uma fonte de luz UV, se unem através de ligações, promovidas pelos fotoiniciadores contidos na tinta. Isso pro­por­cio­na uma grande resistência mecânica à tinta e facilita de forma ampla a sua ancoragem. Essa característica especifica da tinta UV permite que ocorram pouquíssimas va­ria­ções no filme de tinta, sendo assim este conta com uma excelente resistência e capacidade de ancoragem.
Tendo em vista os resultados apresentados acima podemos montar uma lista decrescente quanto à qualidade de ancoragem obtida nas diferentes aplicações de tinta e vernizes. A lista se apresenta da seguinte maneira: tinta UV, tinta con­ven­cio­nal com verniz base d’água, tinta foil e, por último, tinta con­ven­cio­nal. Apesar disso, é importante citar que os resultados de ancoragem servem como um bom indicador de quanto o filme de tinta irá resistir aos processos de acabamento como corte e vinco, refile e dobra sem que ocorram problemas como quebras do filme e riscos.
O melhor resultado obtido nos diferentes substratos metalizados foi alcançado com a impressão da tinta UV. Porém, o resultado dos testes não significa que outras aplicações sobre os substratos não possam ser rea­li­za­das. A escolha da tinta e da aplicação ou não de verniz dependerá das características do serviço, da impressora e do resultado de qualidade esperado pelo clien­te.

Referência bibliográfica
Pereira, Edilson Cruz; Benedetto, Pietro Martin; Pereira, Renato Aparecido. Definição de parâmetros para a impressão sobre substratos metalizados. Orientação: Alexandre da Silva Maltez. São Paulo, 2013. 39 f.: il.. Trabalho de Conclusão de Curso (Curso Técnico) – Escola Senai Theobaldo De Nigris, São Paulo, 2013.

Artigo publicado na edição nº 89