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A nova ISO 12647‑2 (Parte II) Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Seg, 21 de Julho de 2014

Neste segundo artigo trazemos um passo a passo dos novos requisitos da norma. Uma vez que a ISO 12647‑2 deve ser utilizada em conjunto com a ISO 12647‑1, faremos um resumo da parte 1 para depois entrarmos na parte 2.

A ISO 12647-​­1, de 2013 (Controle de processo para a produção de separações de cores em meios-​­tons, impressões de prova e de produção – Parte 1: Parâmetros e métodos de medição) é a norma que define parâmetros gerais, terminologia e métodos de medição de requisitos e controles de processo para as suas outras partes: 2 – offset plano e rotativo com heat­set, 3 – coldset, 4 – rotogravura, 5 – serigrafia, 6 – flexografia, 7 – provas contratuais e 
8 – provas de validação.
Seus requisitos principais são:
4.1 Quan­do houver prova digital acompanhando os arquivos a serem impressos, esta deve estar em conformidade com a ISO 12647-7 e deve possuir uma tarja de controle.
4.2 Recomenda-​­se que os arquivos digitais sejam recebidos em TIFF-IT (formato pouco utilizado fora do Japão) ou PDF/X, formato consagrado in­ter­na­cio­nal­men­te. Além disso, a norma tenta regulamentar as retículas nas chapas (ângulos, tamanho e formato dos pontos), assunto que não deveria constar, pois faz parte das boas práticas normais da indústria.
4.3 Os seguintes valores colorimétricos, em Cie­lab, devem ser especificados: cor do substrato não impresso, tintas em conformidade com a ISO 2846‑1 e valores de ganho de ponto máximo (TVI) das 
quatro cores de processo.
Recomenda-​­se que as tintas utilizadas estejam em conformidade com a ISO 2846-1. Os valores de ganho de ponto máximo (TVI) das quatro cores de processo devem ser reportados.
5.1 As medições devem ser feitas de acordo com a ISO 13655 e reportada a condição (M0, M1, M2 ou M3) e se o backing foi branco ou preto.
5.2 Recomenda-​­se que a folha de máquina contenha uma tarja de controle com chapados das pri­má­rias e se­cun­dá­rias, grises das luzes, meio tom e sombra, substrato, controle de duplagem nas cores pri­má­rias e chapado e meios tons de cores 
especiais, se presentes.
A ISO 12647-​­2:2013 (Controle de processo para a produção de separações de cores em meios-​­tons, impressões de prova e de produção — Parte 2: Processos litográficos offset)
Definição importante: A nomenclatura condição de impressão é utilizada sempre como sendo definida por um substrato, um conjunto de tintas, uma reticulagem na chapa e uma determinada 
sequência de impressão.

Requisitos principais:
4.1 Recomenda-​­se que uma prova digital ou uma impressão prévia acompanhe os arquivos a serem impressos. Aqui deve ser observado o que diz a parte 1: se for prova digital deve estar em conformidade com a ISO 12647-​­7 e deve possuir uma tarja de controle.
4.2 Recomenda-​­se que os arquivos digitais sejam recebidos em CMYK ou RGB, gray ou cor es­pe­cial, no formato PDF/X. A condição de impressão desejada deve ser informada através dos mecanismos internos do PDF/X (Output Intents) ou de perfil embutido em cada imagem, CMYK ou três componentes, com rendering intent se­le­cio­na­do. Se a condição de impressão desejada for diferente da condição presente na gráfica, os dados devem sofrer ajustes colorimétricos de acordo com os métodos definidos na norma ISO/TS 10128. Isso normalmente é feito através de um sistema tipo “color server”, presente na maioria dos bons fluxos de trabalho.
Além disso, na versão an­te­rior da norma havia provisões rudimentares para cores especiais, e nesta não há nenhuma, já prevendo uma nova norma em confecção na ISO somente para cores especiais.
A resolução da gravação chapas deve ser tal que assegure que pelo menos 150 tons de cinza sejam reproduzidos. Isso geralmente exige 2.540 dpi do CtP para ­criar retículas a 200 lpi (80 lpc).
As frequências de retícula e tamanho de ponto recomendados são de 120 a 200 lpi e 20 µm a 30 µm para impressão em pa­péis revestidos e de 120 a 175 lpi e 30 µm a 40 µm em pa­péis não revestidos. Essas recomendações são bastante genéricas.
As retículas não estocásticas devem ter uma diferença nominal entre os ângulos do cia­no, magenta e preto de 30°; e entre o amarelo e qualquer uma destas, 15°. O ângulo da cor dominante deve ser de 45°.
A norma recomenda que o valor da soma de pontos (­­áreas mais escuras) para substratos revestidos seja in­fe­rior a 330% e não ultrapasse nunca 350% para impressão plana e 300% para a impressão rotativa com heat­set. Já para outros substratos, o valor da soma de pontos deveria ser in­fe­rior a 300% para folha impressão plana e 270% para a impressão rotativa com heat­set. Esses ajustes estão presentes no departamento de pré-​­impressão, onde os trabalhos são executados ou é feito o preflight.
Em relação ao balanço de grises (neutralidade dos cinzas cromáticos feitos de cia­no, magenta e amarelos [sem preto]), a norma é bastante confusa. Nos requisitos 4.2.8, ela propõe uma fórmula para se obter valores de a* e b* dos cinzas cromáticos. No entanto, não sugere nenhuma tolerância de aceitação/rejeição para o requisito, sendo portanto de baixa utilidade. Mesmo no Anexo A:
4.3 Impressão – Após repetir a definição de condição de impressão, a norma explicita que para todas as condições de impressão definidas na norma, PC1 até PC8, deve-​­se utilizar tintas em conformidade com a ISO 2846-1 e sequência de impressão preto – cia­no – magenta – amarelo. A versão an­te­rior da norma (1996 e 2004) somente determinava a sequência CMY, liberando o preto à frente ou após.
É importante observar que na tabela com as condições de impressão é feita a as­so­cia­ção de um substrato e uma curva de TVI, em função das características do substrato e do TVI natural da retícula naquela determinada frequência. Por exemplo, a condição de impressão PC8 utiliza o substrato PS8 (papel de jornal padrão), curva de TVI “C”, para uma li­nea­tu­ra de retícula (AM) de 120 a 150 lpi (48-​­60 lpc) ou curva “E” no caso de se utilizar retículas FM (mínimo de 35 µm). Aqui os es­pe­cia­lis­tas da ISO introduziram condições de impressão para todos os substratos usando retículas estocásticas ou 
híbridas, com ganho e tamanho de ponto (FM).
Em termos de exceções à sua aplicação, a nova 12647-2 abre uma estranha porta para “condições de impressão adicionais não oficiais” com base em substratos de impressão não presentes na norma ou sequências de impressão diferentes ou, ainda, uso de tintas não em conformidade com a ISO 2846‑1, afirmando que essa condição particular deve ser caracterizada usando-​­se a mesma metodologia das condições presentes na norma. É importantíssimo ressalvar que essa porta foi deixada para que empresas que já são capazes de chegar nas condições da norma possam ­criar novas condições respondendo a demandas específicas de clien­tes e não liberar os usuá­rios da norma para toda qualquer prática ou uso indiscriminado de tintas e substratos. Por exemplo, um clien­te solicita uma impressão em um papel tipo “pólen” e a gráfica cria uma condição de impressão es­pe­cial para esse trabalho deste clien­te.
Em termos de aplicações públicas, a nova 12647-2 faz uma provisão para esses casos, em 4.3.1: “Condições de impressão padronizadas são caracterizados pela coleta (com sua­vi­za­ção matemática/estatística, se for o caso) de dados de medição de cores de uma ou mais máquinas de impressão que foram cuidadosamente ajustadas para uma determinada condição de impressão. Essa coleção de dados de medição, juntamente com metadados as­so­cia­dos descrevendo a condição de impressão caracterizada, é conhecida como um conjunto de dados de caracterização [Dataset]. Quan­do tais dados de caracterização forem usados para descrever uma das condições de impressão definidas por essa parte da norma, o substrato de impressão, cores de impressão pri­má­rias e se­cun­dá­rias, retícula, conjunto de tintas e sequência de impressão devem ser claramente indicados”.
Isso significa que, em breve, a Fogra, em conjunto com a ECI (www.eci.org), disponibilizará datasets e perfis ICC (www.color.org) para a versão 2013 da norma. Como o uso do nome ISO (como em ISOCoa­ted­v2) não é mais permitido pela ISO, os nomes começarão por PSO (Print Standard Offset) seguidos da descrição da condição, por 
exemplo “PSO_Coa­ted­v3”.
Aparece também um comentário de que, se forem utilizadas as condições PC1 ou PC5 em rotativa, deve-​­se utilizar a dimensão de pixel entre 
parêntesis na primeira tabela.
Em 4.3.2, a norma inicia a descrição colorimétrica das imagens impressas com a determinação de que as condições 1 a 8 descritas nas duas tabelas a seguir são informativas. Isso significa que, assim como na NBR 15936-1, o usuá­rio pode utilizar o substrato que mais se aproximar à norma, sendo portanto somente uma recomendação. Indo além, a nova ISO 12647-2 estabelece que se o usuá­rio desejar utilizar um substrato que não se encaixe dentro dos existentes PS1 a PS8, então ele poderá categorizá-​­lo através da mesma metodologia utilizada na norma, definindo sua cor, massa, brancura CIE, brilho e fluo­res­cên­cia.
A norma alerta ainda que as tabelas de substratos de impressão não cobrem todos os substratos existentes no mercado, o que é obvio. Numa tentativa de estimular a adoção da norma no mercado de embalagens, que é um dos mais ativos economicamente no setor, os es­pe­cia­lis­tas informam na nota 7 que o substrato de impressão PS3 é o mais próximo de um cartão revestido, cujas pro­prie­da­des típicas são: gramatura acima de 225 g/m2, brilho de 30 a 60 e coor­de­na­das Cie­lab de cor 90, 0, –2 (white backing), com baixa fluo­res­cên­cia. Nas nossas observações do mercado na­cio­nal encontramos 
cartões com luminosidade acima de 92.
Em 4.3.2.2, a norma descreve os requisitos de brilho do substrato, re­la­cio­nan­do-​­os com a prova digital: “o brilho do substrato de impressão usado para impressões de prova digital deve ser próximo do substrato usado na de impressão de produção . . . e a prova deve ser em conformidade com a norma ISO 12647-7”. Além disso, em relação a produtos com acabamentos que interfiram notavelmente com o brilho, como laminações ou envernizamento, a norma aconselha que sejam fornecidas duas provas ao impressor: uma prova cujo brilho equivalha à impressão sem acabamento e outra que simule a 
impressão com acabamento.
Em 4.3.2.3 aparecem as cores pri­má­rias, CMYK, se­cun­dá­rias, RGB, e sobreimpressão das cro­mias, CMY. Os requisitos hoje são obri­ga­tó­rios para white backing e recomendados para base preta. Afora isso, agora está bem explícito que as se­cun­dá­rias C+M, M+Y, C+Y, C+M+Y (100%) são recomendação e não obri­ga­tó­rias, uma vez que as se­cun­dá­rias dependem do trap de impressão e isso é bastante problemático para se controlar de forma precisa. As condições de medição estão claras, apesar de repetirem a ISO 12647-1, ou seja, medição de acordo com a norma ISO 13655 com iluminante D50, observador 2° e geo­me­tria 00/45 ou 45/0 recomendando o modo M1 sobre folhas de máquina já secas.
Ainda em 4.3.2.3 são estabelecidos o desvio e a va­ria­ção que podem ocorrer durante a impressão. O desvio é a diferença colorimétrica dos chapados das cores pri­má­rias, em DeltaE (ver tabela Características dos pa­péis dos substratos PS1 a PS4), em relação às cores das duas tabela an­te­rio­res para a obtenção da folha de máquina aprovada, OK-​­print. Uma vez obtida a OK-​­print, ela passa a ser utilizada como referência para impressão e as to­le­rân­cias de diferença de cor dos chapados das pri­má­rias, CMYK, são denominadas de va­ria­ção. Essa va­ria­ção está limitada pela seguinte condição: em pelo menos 68% das folhas impressas, as diferenças de cor (DeltaE e Delta H) entre o impresso e a OK-​­print não devem exceder as to­le­rân­cias da tabela Características dos pa­péis dos 
substratos PS1 a PS4.
Na nota 2, a norma cita ainda o controle de processo por densitometria, apesar de não ser utilizado no seu corpo como valores ou to­le­rân­cias “( . . .) os valores de densidade podem ser muito va­lio­sos para o controle do processo durante uma tiragem, onde o instrumento, a tinta e o substrato de impressão permanecem os mesmos. Contudo, valores de densidade não definem uma cor para o grau requerido( . . .)”.
Além disso, nesta cláu­su­la a norma rea­fir­ma que não há como se prever exatamente os valores colorimétricos das se­cun­dá­rias — vermelho, verde e azul —, pois isso depende da sequência de impressão, das pro­prie­da­des reo­ló­gi­cas e da transparência das tintas, da si­tua­ção mecânica da impressora e das características da superfície do substrato de impressão. Por isso a norma não traz tolerância para os sólidos das cores se­cun­dá­rias.De forma um pouco frustrante, a norma atribui à prova digital, em conformidade com a ISO 12647-7, apenas um valor relativo: pode ser usada como uma referência 
vi­sual no final do acerto de máquina.
Os limites de valores a serem reproduzidos são estabelecidos por tipo de substrato: de 2% a 98% sobre papel revestido e de 4% a 96% sobre papel não revestido.

Conclusões da segunda parte
Os pontos fortes desta nova versão da 12647-​­2 são a definição clara do que é uma condição de impressão, a definição de grupos de pa­péis nos quais podem ser agrupados outros existentes no mercado, a atribuição de um papel couché com b* azulado e tolerância am­plia­da para 4 unidades de b*, facilitando a inclusão de muitos pa­péis revestidos existentes no Brasil. É uma pena que no caso dos não revestidos a norma não tenha sido também tão generosa!
Apesar da importância di­mi­nuí­da da prova digital durante o acerto de máquina, onde uma folha de máquina aprovada chamada de OK-​­print, em geral assinada pelo clien­te, passa a ser a referência a ser seguida, os cri­té­rios de va­ria­ção para a produção são adequados (ΔE de 4 e para CMYK e ΔH de 3 para CMY).
No próximo artigo vamos investigar os requisitos de curvas de TVI (Tone Value In­crea­se, ganho de ponto), registro, balanço de grises e como utilizar pa­péis diferentes dos definidos na norma. Até lá!

Bruno Mortara é superintendente do ONS27 e coordenador da Comissão de Estudo de Pré‑Impressão e Impressão Eletrônica e professor de pós‑graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Artigo publicado na edição nº 89