home > Gestão > Gestão Ambiental > Escassez de água. Esse problema também é seu
twitter
Banner Facebook

Parceiros

Escassez de água. Esse problema também é seu Imprimir E-mail
Escrito por Tania Galluzi   
Seg, 21 de Julho de 2014

Como é possível a Re­gião Metropolitana de São Paulo, cujo sistema de abastecimento conta com oito complexos responsáveis pela produção de 67 mil litros de água por segundo, estar sofrendo tanto com a falta de água? Segundo o governo, a culpa é da es­tia­gem que aconteceu entre outubro de 2013 e março deste ano. Um relatório técnico produzido pelo Centro Tecnológico de Hi­dráu­li­ca e Recursos Hídricos do governo Geraldo Alckmin aponta que uma crise de es­tia­gem tão crítica quanto à registrada no Sistema Cantareira em pleno pe­río­do chuvoso ocorre só a cada 3.378 anos, como divulgou matéria publicada na revista Exame em maio. O Sistema Cantareira é o maior dos sistemas administrados pela Sabesp (Companhia de Sa­nea­men­to Básico do Estado de São Paulo), destinado à captação e tratamento de água para a Grande São Paulo e um dos maiores do mundo, sendo utilizado para abastecer 8,8 milhões de clien­tes da Sabesp. Segundo o estudo, que avaliou a severidade dessa seca histórica no principal ma­nan­cial paulista, a probabilidade de o cenário se repetir é de apenas 0,033%.

Mas outros fatores podem estar na fonte do problema. Em uma busca no acervo do jornal O Estado de S.Paulo com a frase “escassez de água em São Paulo”, a primeira referência nos remete a 12 de junho de 1991. O extinto Suplemento Agrícola trazia matéria de duas páginas alertando para a necessidade de ra­cio­na­li­zar o uso da água e o perigo da falta do recurso para irrigação no Estado. Logo no início do texto o alerta: Em São Paulo, o consumo de água aumenta rapidamente pela demanda doméstica, das in­dús­trias e da agricultura irrigada. As ba­cias de alguns rios, do Alto Tie­tê, do Piracicaba, já se encontram esgotadas. Para prevenir uma trágica falta de água no futuro, o controle e a ra­cio­na­li­za­ção do seu uso tornam- ­se exigência da so­cie­da­de”.
Comprovamos hoje que tal demanda não foi atendida, pelo menos não su­fi­cien­te­men­te. O que fazer? Além de exigir o comprometimento dos administradores públicos com a questão, cidadãos e empresas têm de olhar para a água como um bem pre­cio­so, que deve ser usado com parcimônia e cuidado.
Para saber como a indústria gráfica pode contribuir nesse sentido conversamos com um es­pe­cia­lis­ta, Dio­go Almeida, engenheiro gra­dua­do pela Poli-USP. Em 2006, ele e mais três colegas — Rodrigo Martinho, Tomaz Araú­jo Roberto e Fernando Mortara — cria­ram a Sharewater, consultoria es­pe­cia­li­za­da em soluções para a conservação da água.
De acordo com Dio­go, o primeiro passo para qualquer indústria é o diag­nós­ti­co do uso da água, determinando como se dá o consumo do recurso em cada processo e no uso sanitário. Com isso é possível identificar onde é possível haver redução e quais ações devem ser tomadas. O monitoramento do uso da água também permite a identificação de vazamentos, que quando sanados levam a uma grande economia. “Para o empresário, o mais importante é conhecer o consumo de água de sua empresa e gerir esse consumo como se faz hoje com a energia. Sem esse monitoramento, muitas vezes as empresas acabam adotando medidas pontuais, deixando de gerar uma economia constante. É preciso ­criar uma cultura de gestão do consumo de água, com indicadores que mostrem quais procedimentos 
trazem maior economia”.
Com o diag­nós­ti­co nas mãos, as ações terão dois focos: gestão da demanda objetivando a redução do consumo de água, e gestão da oferta, através da busca de fontes alternativas para usos que não necessitem de água potável. Substituição de equipamentos sa­ni­tá­rios por sistemas mais efi­cien­tes, como torneiras de fechamento automático, arejadores e válvulas de descarga de fluxo reduzido, assim como ajustes nos processos produtivos são algumas das medidas adotadas para minimizar o consumo de água. Na gestão da oferta, o aproveitamento da água da chuva e o uso de água subterrânea podem ser boas alternativas. Dentro da gráfica, essas ações podem ser acompanhadas por campanhas de cons­cien­ti­za­ção junto aos fun­cio­ná­rios, além da implementação do tratamento de efluen­tes e o reú­so da água dentro do processo produtivo.

Quem já fez
Na Plural Indústria Gráfica, localizada em Santana de Par­naí­ba, Grande São Paulo, o monitoramento mensal do consumo da água acontece desde 2010, por conta da certificação ISO 14001, referente à gestão am­bien­tal, obtida em 2011. “Uma das medidas mais eficazes foi a eliminação de vazamentos. Para isso toda a tubulação foi ma­pea­da e mantemos um plano de manutenção para identificação e conserto de possíveis vazamentos”, afirma Jeniffer Gue­des Bonizolli, engenheira am­bien­tal. A empresa também realizou a troca de todas as torneiras por acio­na­men­to automático, faz o reaproveitamento da água dos sistemas de ar- ­con­di­cio­na­do e sistema de trocador de calor, trabalha para a cons­cien­ti­za­ção dos profissionais e está estudando o reú­so de efluen­te tratado. Isso sem falar na preferência por máquinas e equipamentos que reusem água no processo.
Diferente da Plural, onde a água vem de poço ar­te­sia­no, a gráfica Coppola é alimentada pela rede pública. A empresa, instalada no bairro do Socorro, zona sul da capital paulista, já substituiu torneiras e válvulas de descarga e também investe em palestras com es­pe­cia­lis­tas para discutir a questão da água com seus colaboradores. Há ainda um projeto para a captação da água da chuva para a limpeza 
pre­dial e nas descargas.

Artigo publicado na edição nº 89