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Marco Perlman, o nome por trás da Digipix Imprimir E-mail
Escrito por Tania Galluzi   
Seg, 21 de Julho de 2014

Marco Perlman é um afi­cio­na­do da fotografia, admiração plantada na infância, quando aos seis anos ganhou sua primeira câmera. Formado em Economia pela Stamford University, com mestrado em Engenharia In­dus­trial na mesma universidade, em 2004 fundou a Digipix, que se tornou a maior operação de fotografia online do Brasil (segundo parâmetros do próprio empresário). Atendendo profissionais e consumidores, diretamente e através de par­ce­rias com grandes varejistas, a Digipix é es­pe­cia­li­za­da na produção de materiais impressos de alta qualidade, de fotolivros a camisetas e capas para smartphones. Em 2008, o modelo de negócio cria­do por Marco atraiu o interesse da DGF, fundo que investe em pequenas e mé­dias empresas em crescimento, desde então sócia da Digipix. Pragmático, antes de em­preen­der, Marco ingressou na GP Investimentos, o maior gestor de private equity do Brasil, onde participou de investimentos em empresas emergentes de tecnologia e internet.

A Digipix está completando 10 anos. Quan­do idealizou a empresa, já imaginava que ela chegaria aon­de chegou?
Marco Perlman – Acho que todo em­preen­de­dor torce pelo sucesso, mas tem que ter os pés no chão na hora de traçar suas metas. Eu tinha, e continuo tendo, sonhos grandes para a Digipix. Afinal, como diz um em­preen­de­dor que admiro muito, “sonhar grande e sonhar pequeno dão o mesmo trabalho”.

Quan­do se começou a falar de fotolivro no Brasil pensava-​­se que o produto teria uma curva de crescimento bem mais acelerada do que real­men­te ocorreu. Por que isso aconteceu? Como foi a evolução desse mercado em 2013?
MP – É muito difícil fazer boas previsões sobre o crescimento de qualquer produto inovador, como é o caso do fotolivro. A rea­li­da­de é sempre mais difícil do que as expectativas, porque é necessário que oferta e demanda se desenvolvam em paralelo, de forma equilibrada. Na Digipix, procuramos construir o mercado tijolo a tijolo, da forma mais sólida possível. Foi assim em 2013, como em anos an­te­rio­res, e como será 
novamente em 2014.

Quais as perspectivas desse mercado nos próximos cinco anos?
MP – Con­ti­nuar crescendo de forma sustentada, com poucos surtos e, de preferência, sem sustos.

Onde se situa a planta fabril da Digipix? Quan­tos fun­cio­ná­rios lá trabalham?
MP – Estamos em Osasco há três anos e 
temos cerca de 150 colaboradores.

No vídeo ins­ti­tu­cio­nal da empresa afirma-​­se que a Digipix possui a maior estrutura in­dus­trial de impressão digital da América Latina. Como está estruturada a produção da Digipix? Quan­tas impressoras digitais rodam hoje?
MP – Temos cinco equipamentos HP Indigo, sendo dois deles de bobina. Além disso, temos diversos minilabs fotográficos e plotters de va­ria­dos tamanhos.

Dá para di­men­sio­nar a capacidade produtiva da Digipix atual­men­te?
MP – Depende muito do mix de produção. Como nosso portfólio é muito amplo, fica difícil responder a essa pergunta. Mas, do ponto de vista de impressão (que certamente é o que requer os maiores investimentos), a quantidade de equipamentos permite 
fazer uma estimativa ra­zoá­vel.

Lidando com uma infinidade de produtos que a Digipix oferece, e com o fato de atender o consumidor final, acreditamos que a pré-​­impressão e o acabamento sejam ­­áreas críticas. Como a Digipix lida com o recebimento de arquivos de origem e qualidade tão diferentes? Quais são as principais ferramentas utilizadas no ge­ren­cia­men­to de cor e na gestão do fluxo de trabalho?
MP – Sem dúvida a gestão da diversidade foi e continua sendo um dos grandes de­sa­fios da Digipix. Procuramos integrar as diversas ferramentas que o mercado oferece com um volume importante de desenvolvimento de soft­ware próprio, buscando a maior aderência possível dos soft­wares ao work­flow de produção que cria­mos (e 
seguimos desenvolvendo).

A Digipix desenvolveu uma ferramenta própria para web-​­to-print?
MP – De forma análoga ao processo produtivo, nosso processo co­mer­cial se baseia na combinação de soft­ware próprio e de terceiros, resultando numa ex­pe­riên­cia tecnológica, para o usuá­rio, com a cara da Digipix.

E no acabamento? Boa parte das etapas continua ma­nual?
MP – Procuramos automatizar as atividades cujo volume justifique o investimento. Dificilmente deixaremos de ter uma série de etapas manuais, es­pe­cial­men­te em função da amplitude do portfólio que oferecemos.

A segurança dos dados deve ser complexa. Como é garantida pela Digipix?
MP – Temos o mesmo desafio e, em grande parte, as mesmas ferramentas que as demais empresas de comércio eletrônico. Procuramos nos manter atua­li­za­dos e sistematicamente buscamos formas de de­sa­fiar nossas pró­prias crenças e procedimentos.

Todos os produtos da Digipix são produzidos na unidade de Osasco ou há terceirização? Se há a contratação de terceiros, quais serviços são terceirizados e por quê?
MP – Atual­men­te o nível de terceirização é baixíssimo.

Há par­ce­rias de impressão, sobretudo em outros Estados?
MP – Atual­men­te, toda a impressão é feita internamente.

Imaginamos que outra questão crítica seja a logística de distribuição? Como a Digipix equacionou a entrega de seus produtos?
MP – Nossa logística de distribuição é parecida com a de empresas de comércio eletrônico de porte similar. Utilizamos diversas transportadoras para poder atender todo o território na­cio­nal com qualidade.

Hoje a empresa oferece quatro linhas de produtos (fotolivros, fotopresentes, fotos e decoração). Qual a linha de maior demanda? E qual delas é a mais lucrativa?
MP – As linhas são muito complementares, tanto do ponto de vista co­mer­cial (os clien­tes são os mesmos) quanto do produtivo (utilizam a mesma estrutura de impressão e acabamento, com seus altos custos fixos). Em função disso, seria injusto tentar considerar uma ou outra como a mais importante ou a mais lucrativa.

Dentre essas quatro linhas, qual apresenta o maior po­ten­cial de crescimento?
MP – Exclusivamente por ter sido lançada há menos tempo, e estar, portanto, num estágio ini­cial, a linha de decoração deve apresentar os maiores índices de crescimento nos próximos pe­río­dos.

Qual delas tem a produção mais complexa e por quê?
MP – Não há uma linha mais complexa. Em cada uma há itens mais fáceis e mais difíceis. Quan­to mais volume temos de um determinado item, maior a probabilidade de seu processo produtivo ter sido automatizado e, em função disso, sua complexidade estar reduzida. Mas não dá para 
fazer generalizações.

Em termos tecnológicos, qual é hoje o maior desafio da Digipix?
MP – Sem dúvida, con­ti­nuar evoluindo. O mundo da tecnologia está sempre em rápida transformação e seria um perigo acreditar que a plataforma ­ideal de hoje será 
ainda a melhor amanhã.

Além do site da própria Digipix, o usuá­rio chega até vocês através de outros 19 canais, de grandes players como Walmart e Ponto Frio, a lojas menores como a Álbum de Bebê. De onde vem a maior quantidade dos pedidos?
MP – Peço desculpas, mas essa informação é con­fi­den­cial.

Há alterações na produção em função dessas par­ce­rias ou apenas a interface para o usuá­rio é que muda?
MP – Há adaptações, que podem ser significativas conforme as necessidades individuais dos parceiros. A interface com o usuá­rio muda sempre, mas há muito mais va­ria­ção nos bastidores do que pode parecer.

É possível traçar o perfil do consumidor médio da Digipix?
MP – Não temos um consumidor médio. Ao contrário, temos receio de mé­dias. Costumo brincar que colocando um pé no forno e outro no congelador conseguimos em média ficar mornos e que isso é um grande perigo. Tanto em consumidores quanto em usuários profissionais, temos uma grande diversidade entre nossos clien­tes e procuramos segmentá-​­los da melhor maneira possível, sempre buscando atender suas 
necessidades e vontades.

A maior demanda vem do fotógrafo amador ou do pro­fis­sio­nal?
MP – Ambos são de grande importância para a Digipix, mas detalhes sobre a divisão de demanda são confidenciais.

Qual a previsão de crescimento para a Digipix em 2014?
MP – Este é um ano complicado no Brasil, com incertezas econômicas e eventos como a Copa do Mundo e as eleições. Temos a expectativa de con­ti­nuar crescendo, mas é difícil precisar quanto.

A linha de decoração foi lançada em 2013. Algum lançamento está previsto?
MP – Não só previsto, mas já rea­li­za­do. Lançamos em abril, em dois eventos de fotografia, novos tamanhos para nossa linha de canvas e novos acabamentos para nossa linha de quadros. E temos mais novidades nos próximos meses.

Em termos tecnológicos, existem investimentos programados para este ano?
MP – Quan­do se vive na internet, em tecnologia, como é o nosso caso, não há como não fazer investimentos con­tí­nuos. Neste ano, devemos ter mais capital dedicado à interface com o usuá­rio do que em me­lho­rias dos fluxos internos de produção, mas esta parte do arsenal tecnológico também receberá alguns recursos.

Artigo publicado na edição nº 89