home > Gestão > Gestão Ambiental > Brasil adere à campanha em defesa da comunicação impressa
twitter
Banner Facebook

Parceiros

Brasil adere à campanha em defesa da comunicação impressa Imprimir E-mail
Escrito por Tania Galluzi   
Seg, 21 de Julho de 2014

 

O objetivo é combater a desinformação, desmistificando conceitos relacionados à impressão e ao papel.

Sabe aquele seu amigo que insiste em manter no final dos e-​­mails a frase “Antes de imprimir pense em sua responsabilidade e compromisso com o meio am­bien­te”? Pois então, ele é um refém da chamada green­wash. Cria­do no final da década de 1980, o termo define, como explica a Wikipedia, a injustificada apro­pria­ção de virtudes am­bien­ta­lis­tas por parte de organizações ou pes­soas, me­dian­te o uso de técnicas de mar­ke­ting e relações públicas. O objetivo dessa prática é ­criar uma imagem positiva, dian­te da opi­nião pública, acerca do grau de responsabilidade am­bien­tal dessas organizações ou pes­soas, bem como de suas atividades e seus produtos, ocultando ou des­vian­do a atenção dos efeitos negativos gerados por elas no meio am­bien­te.
Para combater essa “lavagem verde”, desmistificando declarações enganosas com relação ao impacto am­bien­tal das in­dús­trias de papel e gráfica, em 2008 foi cria­da a Two Sides. Trata-​­se do braço am­bien­tal da Print Power, organização europeia dedicada à promoção da mídia impressa, fundada por quatro entidades de atua­ção continental: Euro-​­Graph (fabricantes de papel), Eugropa (distribuidores de papel), Intergraf (indústria gráfica), Emma (editoras de revistas) e PostEurope (operadores postais).
E agora essa organização chega ao Brasil, contando com o apoio de 42 entidades empresariais, entre elas o Sindigraf-​­SP, a Abigraf, a ABTG, a Bracelpa e a As­so­cia­ção Na­cio­nal de Jornais (ANJ). O lançamento ofi­cial, articulado pelo Sindigraf-​­SP, aconteceu no dia 7 de abril, na sede da ­Fiesp, em São Paulo, contando com a presença do diretor da Two Sides no Reino Unido, Martyn Eustace. Ele se mostrou animado com a adesão brasileira: “A produção de celulose no Brasil alcançou cerca de 15 milhões de toneladas em 2013, e a de papel, 10,4 milhões de toneladas. O País está se tornando um líder em silvicultura e a todo o momento cria novos e am­bi­cio­sos projetos para o setor de comunicação impressa”, afirmou ele.
Para estabelecer um diá­lo­go esclarecedor com a so­cie­da­de, sensibilizando formadores de opi­nião, setor público, educadores, fornecedores e consumidores de produtos impressos, a Two Sides prevê ações va­ria­das. A primeira delas é a publicação e divulgação do folder “Comunicação Impressa e Papel – Mitos e Fatos”, con­teú­do de embasamento cien­tí­fi­co que prova a sustentabilidade da cadeia. Também estão disponíveis anún­cios va­ria­dos para diferentes públicos. “À medida que a campanha avança, haverá a tropicalização das peças”, diz Fabio Arruda Mortara, presidente do Sindigraf-SP. Outra frente de ação será o combate pon­tual a mensagens e ini­cia­ti­vas, públicas e privadas, que er­ro­nea­men­te as­so­ciem a impressão à falta de sustentabilidade.
A seguir, a revista Tecnologia Gráfica reproduz uma versão resumida do folder “Mitos e Fatos”. Para obter a versão completa envie e-​­mail para Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. e receba um exemplar.

Comunicação Impressa e Papel – Mitos e Fatos
O mito: produzir papel sempre destrói 
as florestas.
O fato: a produção de papel apoia a gestão 
de floresta sustentável.
“O Brasil possui cerca de 2,2 milhões de hectares de florestas plantadas para a produção de celulose e papel”.
Bracelpa
“90% do desmatamento é causado por práticas agrícolas insustentáveis”.
Causas subjacentes do desmatamento, World Rainforest Movement, e UM FAO, 2013
“As empresas brasileiras do setor obtêm 100% da celulose e do papel a partir de florestas plantadas“.
Folha da Bracelpa nº 01, maio/junho de 2009
“55% da extração de madeira do mundo di­re­cio­na seu uso para energia e 25% para construção. Existem outras utilizações, mas o papel geralmente corresponde diretamente a apenas 11% e, além disso, pode utilizar até 7% do excedente da construção”.
Extraído do Faostat, 2011
“No processo de plantio florestal, as árvores são cultivadas em uma área específica com insumos de alta qualidade e depois colhidas para uso in­dus­trial. Em seguida, o terreno recebe novo plantio florestal. Assim, sem utilizar madeira de matas nativas e adotando métodos sustentáveis, as empresas de celulose e papel do Brasil se tornaram referência mun­dial”.
Folha da Bracelpa nº 01, maio/junho de 2009
“No Brasil, o setor de celulose e papel opera, prio­ri­ta­ria­men­te, em ­­áreas pre­via­men­te degradadas, recuperando a mata nativa em sistemas de mosaicos intercalados com os talhões plantados”.
Bracelpa

O mito: florestas plantadas são ruins para o meio ambiente.
O fato: florestas plantadas bem gerenciadas são essenciais para atender à crescente demanda por bens florestais.
“Existem aproximadamente 25 milhões de hectares de florestas plantadas no mundo todo, representando 0,2% da superfície ter­ri­to­rial global”.
Forests in a green economy, Unep, 2011

“Florestas plantadas:
• Não estão substituindo florestas naturais
• Con­tri­buem para a recuperação de ­­áreas degradadas
• Aumentam a efi­ciên­cia da agricultura
• Absorvem gases causadores de efeito estufa 
da atmosfera e armazenam elevada quantidade de carbono
• Fomentam produtores sem impactar 
a produção de alimentos
• Con­tri­buem com a prevenção da erosão do solo e do as­so­rea­men­to dos rios
• Pro­veem abrigo, refúgio e alimento para animais da fauna silvestre”
“No Brasil, a área total de florestas plantadas é de 6,6 milhões de hectares, essa área equivale a menos de 1% do território brasileiro; 2,2 milhões de hectares correspondem ao plantio florestal do setor de celulose e papel”.

Bracelpa

O mito: Papel é ruim para o meio ambiente.
O fato: O papel é um dos poucos produtos verdadeiramente sustentáveis.
“O papel vem da madeira, um ma­te­rial natural e renovável. Conforme as árvores jovens crescem, elas absorvem CO₂ da atmosfera. Além disso, como um produto de madeira, o papel também continua a armazenar carbono no decorrer da sua vida útil.
A indústria de papel possui diversos sistemas de certificações respeitados, que garantem que o papel que você utiliza veio de uma fonte florestal sustentável. Existem cerca de 30 sistemas, mas as duas certificações principais auditáveis são o Forest Stewardship Council (FSC) e o Programa Brasileiro de Certificação Florestal”.

Cerflor
“No Brasil, as florestas plantadas absorvem cerca de 64 milhões de toneladas de CO₂ por ano e no mesmo pe­río­do neutralizam 21 milhões de toneladas desse gás emitidas no processo in­dus­trial”.
Folha da Bracelpa, nº 02, novembro/dezembro de 2009

O mito: A produção de papel utiliza muita energia não renovável e possui uma alta emissão de carbono.
O fato: A maior parte da energia utilizada 
é renovável.
“Um e-​­mail com um anexo de 400k, en­via­do para 20 pes­soas, é equivalente à queima de uma lâmpada 
de 100w por 20 minutos”.
BBC Costing The Earth, Global Warning, abril, 2009

“Com 1,1% das emissões de gases de efeito estufa, a cadeia de valor de celulose, papel e impressão é uma das emissoras industriais mais baixas”.
World Resources Institute, July 2009

“No Brasil, cerca de 84% da matriz energética do setor de celulose e papel têm origem em fontes renováveis, como a bio­mas­sa e outros subprodutos”.
Relatório de Sustentabilidade Bracelpa, 2010.

“Ler um jornal pode consumir 20% menos carbono do que ver as no­tí­cias online”.
Instituto Sueco Real para Tecnologia, Moberg et al, 2007

Em um mundo multimídia, o papel e a comunicação impressa de fontes responsáveis podem ser o jeito mais sustentável de se comunicar.
• Rea­li­zar cem buscas no Goo­gle emite 20g de CO₂ equivalente a passar uma camisa a ferro.
• O consumo médio de energia no nível de um típico usuá­rio do Goo­gle é cerca de 180 watts/ hora por mês, ou o equivalente a ligar uma lâmpada de 60 watts por três horas.
• O descarte de dispositivos eletrônicos 
cresce rapidamente e esses re­sí­duos podem 
ser tóxicos.

O mito: Somente o papel reciclado 
deve ser usado.
O fato: O papel produzido a partir de florestas sustentáveis é necessário para se iniciar o ciclo do papel.
“Sem novas fibras, a partir de novas árvores, o ciclo do papel não pode ser ini­cia­do. As fibras recicladas se degradam após algumas utilizações e a indústria de papel precisa de fibras virgens, a partir de florestas ge­ren­cia­das de forma responsável, para manter o ciclo renovável fun­cio­nan­do.
Ao escolher o seu papel, você deve considerar todo o seu ciclo de vida e não simplesmente a fonte da fibra. É importante lembrar que a fibra virgem é sempre necessária para tornar o papel reciclado possível, em primeiro lugar”.

Hawkins Wright, 2013
“Maximizar o uso da fibra recuperada — em comparação com a fibra virgem — em diferentes tipos de papel e sob cir­cuns­tân­cias apro­pria­das pode ser economicamente benéfico e reduzir especificamente os impactos ambientais”.
Conteúdo Reciclado e Fibra Virgem: Considerações Ambientais, Econômicas e Técnicas para a Magazine Publishers Metafore Inc, junho de 2009.
É muito difícil comparar diretamente o impacto am­bien­tal do papel de fibra virgem e reciclada. Ambas são importantes e podem ter um argumento am­bien­tal igualmente forte. As florestas são parte do ciclo que ajuda a remover CO₂ da atmosfera. Isso se estende das árvores para os produtos em madeira e papel, que con­ti­nuam a armazenar carbono através de sua vida útil e podem ajudar a reduzir as mudanças climáticas. O fato de que os produtos em papel são recicláveis e renováveis significa que seus ciclos de vida podem ser estendidos, prolongando este benefício e reduzindo o desperdício no negócio.

O mito: A comunicação impressa 
e o papel produzem muito lixo.
O fato: O papel é um dos produtos 
mais reciclados no mundo.
“Um grande reciclador de papel. Esse título pode ser dado ao Brasil pelo volume expressivo de recuperação de pa­péis recicláveis que, após o descarte, são convertidos em novos produtos que retornam para a cadeia de consumo”.
Bracelpa

“Em 2011, o consumo aparente de papel no país 
registrou 9,6 milhões de toneladas”.
Bracelpa, 2014

“A taxa de recuperação em volume de papel reciclado sobre o total de papel que entrou no mercado brasileiro, em 2010, foi de 44% e vem se mantendo estabilizado nos últimos dez anos em torno de 45%.
Na produção de papel e de artefatos, todas as sobras de papel são recicladas na própria unidade ou encaminhadas para reciclagem em outras fábricas, na forma de aparas de papel”.

Bracelpa, Relatório de Sustentabilidade, 2010

A Two Sides encoraja o consumo responsável. A impressão nos dois lados do papel no escritório e esquemas de reciclagem e separação reduzirão custos e melhorarão a sustentabilidade.

O mito: A comunicação eletrônica é mais ecológica do que a comunicação impressa 
e o papel.
O fato: a mídia eletrônica também possui impactos ambientais.
“Não use papel”, “seja verde” e “salve as árvores” são temas comuns nos dias de hoje, já que muitas empresas e governos incentivam seus clien­tes e colaboradores a mudar para transações ou comunicações eletrônicas.
Mas estes apelos são real­men­te para ajudar o meio am­bien­te, independentemente dos fatos? Campanhas que buscam eliminar o papel são geralmente focadas em uma única característica e não levam em conta todos os es­tá­gios no ciclo de vida do papel e também nos métodos online.
As organizações que real­men­te querem tomar decisões ambientais responsáveis devem se ba­sear em informações reais e verificáveis. As pre­fe­rên­cias dos clien­tes e o acesso online são também importantes.
Ao invés de se perguntar o que é melhor, comunicação eletrônica ou em papel, devemos utilizar esse pensamento sobre o ciclo de vida para descobrir qual combinação das duas possui o menor impacto no am­bien­te, enquanto melhor atende as necessidades sociais e econômicas.

“Com um tempo de leitura de 30 minutos por dia, o impacto am­bien­tal de um jornal online está, em geral, na mesma faixa que o impacto am­bien­tal de um jornal impresso”.
Instituto Real Sueco para Tecnologia, Moberg et al, 2007

Ao considerar que o papel é feito de madeira, um recurso natural e renovável, podemos concluir que, em um mundo multimídia, o papel e a impressão podem ser meios sustentáveis para se comunicar.
• “O resíduo eletrônico é agora o componente com crescimento mais rápido do fluxo de re­sí­duos.
• A quantidade de produtos eletrônicos descartados globalmente cresceu rápido recentemente, com 20 a 50 milhões de toneladas geradas todos os anos”.

Greenpeace, O problema do resíduo eletrônico, 2013
Em uma pesquisa conduzida no Reino Unido pela Two Sides, em novembro de 2010, 43% dos bancos, 70% das empresas de serviços e 30% das empresas de telecomunicações estavam fazendo afirmações “verdes” sem fundamento, como “fatura eletrônica é melhor para o meio am­bien­te”. Ao serem de­sa­fia­das pela Two Sides, 82% destas mensagens de green­wash foram removidas ou alteradas. Ações de green­wash precisam ser questionadas toda vez que forem encontradas.

Artigo publicado na edição nº 89