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Provas precisas e estáveis: somente com insumos de qualidade Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Seg, 03 de Maio de 2010

Uma das preocupações levantadas numa das últimas reuniões do TC130 da ISO foi em relação à qualidade e consistência das provas digitais. Existe uma disseminação de papéis e tintas de origem duvidosa em todo o planeta, colocando em risco os objetivos da norma de provas digitais (NBR ISO 12647-​7) e a confiabilidade das provas. Sabe-​se que na impressão de provas digitais, que utilizam tecnologia jato de tinta, há uma integração importante e necessária entre a tecnologia de impressão (cabeçote), tintas
recomendadas e suporte de impressão.
Sempre que um desses componentes não está de acordo com as especificações, a precisão e durabilidade das provas pode estar em risco.
Tintas
Recentemente visitei uma empresa que possuía diversas rotativas offset e algumas máquinas planas, além dos equipamentos de acabamento e pré-​impressão. Qual não foi minha surpresa quando, numa gráfica desse porte, encontrei um sistema de provas que tinha sua impressora alimentada por contêineres de tinta externos, do tipo xingling. É espantoso ver que foram feitos investimentos de muitos milhões em equipamentos e se “economizam clipes“ em tinta de provas. As máquinas de prova foram concebidas para utilizar um conjunto muito específico de tintas e, por mais que possamos questionar o modelo de negócio que sobrevaloriza as tintas dos fabricantes, é fundamental que as utilizemos. Muitos defeitos e problemas nos impressos são advindos das tintas “paralelas”, que não têm como garantir os mesmos resultados das tintas originais.
É importante — mesmo quando utilizamos insumos originais dos fabricantes — sempre observar a data de validade das tintas e não utilizar 
tintas vencidas.
Papel
Estamos acompanhando o surgimento de inúmeros fornecedores de papel de prova. Às vezes, o fornecedor simplesmente importa um papel de prova de boa qualidade e o embala novamente com a sua marca. Muitas vezes, porém, nos deparamos com substratos inadequados para a confecção de provas sendo vendidos indiscriminadamente. Quais as consequências disso? Provas de baixa qualidade e de durabilidade ainda menor.
Em muitos desses papéis está presente uma quantidade exagerada de branqueadores ópticos na massa e no revestimento, colocando em risco os resultados finais. Explico. Os espectrofotômetros da indústria gráfica são capazes de emitir e ler luz de qualidade espectral D50, a 45°/0° ou a 0°/45°. Essa luz emitida tem um certo conteúdo de energia UV, que na leitura é desprezado. No entanto, quando o papel contém quantidades razoáveis de branqueadores ópticos, essas energias na área invisível do espectro são transferidas para a área do azul, contaminando o suporte e as cores que forem impressas sobre ele. Tudo fica mais azul, dificultando a vida dos amarelos, dos verdes e dos vermelhos. E nossos instrumentos são incapazes de detectar essa contaminação de azul. O instrumento “vê” uma coisa e nossos olhos, outra!
Uma maneira de sabermos se certo papel é qualificado é através da consulta do excelente trabalho feito pela Fogra alemã, que certificou substratos de provas. As informações se encontram em um PDF que pode ser baixado no endereço www.fogra.org/services-​de/pdfs/fogracert_proofsub.pdf.
Durabilidade das cores (ink fastness)
No entanto, um problema que permanece obscuro é a vida útil das provas, mesmo daquelas que estejam colorimetricamente de acordo com a norma de provas NBR ISO 12647-​7. O uso de tintas e substratos não conformes pode sim comprometer a 
durabilidade da prova.
Qual deveria ser a duração de uma prova? Considerando-​se o ciclo de vida de um anúncio, de uma matéria editorial ou de uma peça promocional, as provas não precisam durar mais que 180 dias e, muitas vezes, duram pouco mais que algumas semanas. No entanto, durante esse período, as cores devem ser estáveis.
Num experimento apresentado na última reunião da ISO pela representação da Tailândia, foram coletadas amostras de dois equipamentos e sete tipos diferentes de substratos. Em cada prova foi colocada uma tarja de controle Ugra/Fogra Media Wedge V3 e esta foi medida com um instrumento X-​Rite Eye-​One 3, 5, 10, 20 e 30 dias após a impressão, a fim de acompanhar possíveis problemas de instabilidade nas cores impressas, ou fastness.
Os principais fatores de mudança das cores das provas são causados pela ação da luz, dos raios UV, do ozônio e do contato com a celulose do papel, que se oxida por conta do oxigênio do ar e, ao 
amarelar, baixa o L* e eleva o b*.

O sucesso na utilização de provas na indústria gráfica depende de:

* Correta utilização de tecnologia de sistema de 
provas: calibração, caracterização e verificação
* Seguir os alvos da NBR ISO 12647-​7, explicados na Cartilha de Provas da ABTG
* Utilizar insumos adequados: tintas de acordo com a indicação do fabricante e papéis certificados
* Executar verificações da calibração diaria ou semanalmente, recalibrando o sistema sempre que for necessário. 

Bruno Mortara é superintendente do ONS27, coordenador da Comissão de Estudo de Pré‑Impressão e Impressão Eletrônica e professor de pós‑graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.