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Norma para produtos encadernados deve sair em 2016 Imprimir E-mail
Escrito por Maíra de Oliveira   
Ter, 22 de Abril de 2014

Quem trabalha no setor de pós-​­impressão sabe de cor os problemas mais comuns: o ma­te­rial muitas vezes já chega à última etapa do processo produtivo com problemas de registro, sem área de sangria, marcas de corte, vinco ou dobra, para citar os mais corriqueiros. São pontos que podem passar despercebidos ao longo das etapas de produção e só são notados pelo pro­fis­sio­nal do acabamento, que precisa fazer o possível para re­me­diar tais falhas — quando possível. Essas ocor­rên­cias de não conformidades atrapalham em muito a vida do pro­fis­sio­nal de acabamento e os “métodos alternativos” possíveis para corrigir as falhas tornam o processo lento e improdutivo.
Foi pensando em melhorar o fluxo de produtos e informações dentro da gráfica e evitar esse tipo de problema que surgiu, em 2009, a proposta de se ­criar um grupo de trabalho para discutir requisitos para pós-​­impressão dentro do comitê técnico de normalização em tecnologia gráfica da ISO (TC 130). O grupo de trabalho conta hoje com a participação de cerca de 50 es­pe­cia­lis­tas de 14 paí­ses, entre eles Alemanha, Japão, China, Estados Unidos, Suí­ça e Brasil.
A proposta deste grupo, que vem tomando corpo ao longo dos anos, é a elaboração de documentos que possam facilitar a co­mer­cia­li­za­ção de produtos gráficos entre os paí­ses, as compras públicas e o próprio fluxo de trabalho dentro das gráficas.
O primeiro passo nesse sentido foi fazer um levantamento das normas nacionais existentes que abordassem o tema. A delegação brasileira, que desde o início se comprometeu em participar ativamente do projeto, apresentou a NBR 14869 Tecnologia gráfica – Livros, Parte 1: Classificação e Parte 2: Livros didáticos e a NBR 15201 Tecnologia gráfica – Livros – Classificação de defeitos de impressão e de pós-​­impressão e métodos de ensaio. As delegações da China, Estados Unidos e Suí­ça também colaboraram com documentos nacionais e os primeiros rascunhos foram desenvolvidos.
O projeto ini­cial era desenvolver uma norma em sete partes, mas essa ideia foi subs­ti­tuí­da por um projeto composto por quatro documentos, sendo seus temas: requisitos gerais, produtos encadernados, 
embalagens e acabamento su­per­fi­cial.
A proposta desse conjunto de normas é definir parâmetros para os componentes de um produto não acabado e para os atributos que precisam ser verificados para que ele possa passar pela pós-​­impressão sem problemas. Além de facilitar a comunicação das necessidades do setor de pós-​­impressão dentro da gráfica, essa proposta pode ser vista também como uma forma de resguardar o produtor; uma vez que os procedimentos sejam seguidos adequadamente haverá menores chances de ele ser responsabilizado por eventuais problemas.
Os rascunhos foram alvo de grandes debates, na medida em que as exi­gên­cias para pós-​­impressão são diferentes em cada país, mas os dois primeiros temas já estão em desenvolvimento. O texto base para “produtos encadernados” foi elaborado e amplamente revisado nos últimos anos antes que o projeto fosse ofi­cial­men­te registrado junto à ISO, o que aconteceu no início de 2013. A partir do momento que um projeto é registrado na ISO ele recebe um prazo de 36 meses para passar por quatro es­tá­gios de elaboração e votação e, finalmente, ser publicado. Por isso, a previsão de publicação dessas normas é 2016 e 2017, respectivamente.
A ISO 16762 apresenta requisitos gerais que serão elaborados de forma mais específica pelos outros três documentos. Ela pode ser dividida em cinco grandes blocos de requisitos e recomendações: requisitos para matéria-​­prima (seleção de ma­te­rial, esquadro etc); requisitos para materiais in­ter­me­diá­rios (sangria, marcas de corte, sentido de fibra etc); requisitos para o processo e para o am­bien­te (temperatura e umidade, perdas de processo, controle de qualidade etc); inspeção e medição (que inclui uma referência à nossa NBR 15201 Tecnologia gráfica – Livros – Classificação de defeitos de impressão e de pós-​­impressão e métodos de ensaio) e requisitos para embalagem e transporte do produto final (armazenamento, identificação etc).
Já a ISO 16763 é di­re­cio­na­da para materiais encadernados. Ela cobre, em linhas gerais, as etapas de refile e dobra, tratando de tipos, métodos de controle e to­le­rân­cias de medidas; organização de cadernos e inserção; requisitos para a encadernação, incluindo métodos e to­le­rân­cias para a aplicação de costuras, grampos e os diferentes tipos de cola, bem como de espirais e requisitos para materiais de confecção de capas. Esta norma conta ainda com uma seção sobre controle de qualidade e anexos abordando especificações para materiais e métodos para testes como o page pull e page flex (ainda sendo definidos).
Um ponto importante para observar em ambos os documentos é que boa parte dos seus requisitos definem itens que precisam ser adequados antes do produto chegar à pós-​­impressão a fim de garantir a qualidade. Hoje os dois trabalhos em desenvolvimento são acompanhados de perto pela comissão de estudos de pós-​­impressão do ONS-27. Paralelamente ao desenvolvimento do ma­nual de boas práticas para pós-​­impressão — ­atual trabalho do grupo —, os es­pe­cia­lis­tas membros da comissão acompanham as alterações feitas nos documentos da ISO e en­viam suas opi­niões para colaborar com a elaboração do projeto.
Se este tema lhe interessa ou à sua empresa, a participação nos trabalhos da comissão é aberta a todos os interessados, bastando entrar em contato com a secretaria do ONS-27, na ABTG. Os participantes têm acesso a todos os projetos e documentos em desenvolvimento.


Maíra de Oliveira
é técnica gráfica e secretária do ONS27.

Artigo publicado na edição nº 88