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Revestimentos de borracha: cuidados gerais Imprimir E-mail
Escrito por Alexandre Maltez. Colaborou: Sonia Marinera   
Ter, 26 de Novembro de 2013

A qualidade da rolaria de uma impressora offset é de fundamental importância para que sejam garantidos os melhores resultados na impressão. Muitos impressores não dão o devido valor à qualidade e à regulagem da rolaria e, em função disso, acabam enfrentando problemas de impressão, os quais tentam resolver de outras maneiras. Mesmo com os melhores procedimentos, os rolos sofrem um desgaste pelo uso e é necessário que seu revestimento seja refeito. Neste artigo vamos explicar como os revestimentos do rolo são subs­ti­tuí­dos e os cuidados que devem ser tomados com a rolaria.
Como é feito o revestimento de um rolo?
O revestimento de rolos é feito por empresas es­pe­cia­li­za­das. O primeiro passo para que o revestimento seja feito da melhor maneira possível é a gráfica informar corretamente ao fornecedor desse serviço as características técnicas desejadas — dureza da borracha, comprimento e diâ­me­tro do eixo (ferro; sabugo), diâ­me­tro do eixo (ferro; sabugo) e diâ­me­tro e comprimento da borracha (final), além do modelo do equipamento.
O processo inicia-​­se com o desbaste da borracha a ser subs­ti­tuí­da até a sua total extração. Esse procedimento requer cuidados para que o eixo do rolo não seja atingido e danificado. Se isso acontecer, a estrutura deve ser restaurada, já que a quebra do eixo em máquina poderá causar, além de danos à impressora, acidentes de trabalho.
A estrutura do rolo é usinada para que alcance o diâ­me­tro desejado, com medidas uniformes em toda a sua extensão. Na limpeza e usinagem, os eixos dos rolos são limpados com instrumentos adequados, e se even­tual­men­te necessitarem de reparos é nessa fase que acontecerá essa ação, principalmente nas pontas.
Após a limpeza e usinagem, é rea­li­za­do o ja­tea­men­to com granalhas de aço para que a borracha nova possa ser fixada de forma segura. Segue-​­se a pintura e aplicação de adesivos para a fixação da borracha e de suas camadas pos­te­rio­res. Aplica-​­se então uma fina camada de borracha específica para finalizar a preparação do eixo antes de receber 
a camada final.
A aplicação da borracha “crua” é feita em largas tiras, as quais são submetidas antes a um processo de eliminação de impureza. A composição e a qualidade da borracha a ser aplicada é um fator crítico para o desempenho do rolo em máquina. Existem diferentes tipos de polímeros no mercado, com diferentes pro­prie­da­des físico-​­químicas. Esses polímeros são combinados e acrescidos de aditivos, corantes e solventes, obtendo-​­se va­ria­das composições com o objetivo de garantir ao rolo o desempenho e a resistência adequados.
A quantidade de borracha aplicada deve considerar um excesso que depois será desbastado e retificado até o diâ­me­tro final. O rolo é então protegido com papel e enfaixado com tiras de tecido umedecido para manter a envoltura de borracha bem dis­tri­buí­da na superfície.
Em seguida, o rolo, já revestido, segue para a vulcanização em autoclaves, sob temperatura e pressão controladas. Após essa etapa, a borracha já adquiriu suas pro­prie­da­des físico-​­químicas finais. O rolo é então desbastado com rebolos de grana va­ria­da até se obter o diâ­me­tro final aproximado. Na retífica a usinagem continua, com grande precisão, chegando-​­se ao diâ­me­tro correto. Finalmente o rolo é submetido ao controle de qualidade e embalado para remessa à gráfica.
Rolaria nova na gráfica . . . E agora?
Pela sua sensibilidade, os rolos devem ser ma­nu­sea­dos tão cuidadosamente como se fossem de vidro. Uma simples queda ou batida poderá danificá-​­los e prejudicar o seu desempenho.
Os rolos reserva devem ser armazenados em locais com umidade controlada e sem luz direta. A luz excessiva pode provocar rachaduras na superfície da borracha. Na impossibilidade de se evitar a incidência direta da luz, deve-​­se ao menos proteger os rolos embrulhando-​­os com papel. Os rolos dever ser mantidos sempre suspensos em cavaletes, apoiados pelos eixos extremos. Armazená-​­los diretamente sobre alguma superfície, ou mesmo uns sobre os outros, pode provocar danos irreversíveis à borracha. Na ausência de eixo metálico nas extremidades, recomenda-​­se a introdução de hastes dentro do tubo. Mesmo armazenados de forma correta, em cavaletes e suspensos, os rolos devem ser girados pe­rio­di­ca­men­te para evitar-​­se o abaulamento da borracha pela ação da gravidade. A armazenagem próxima às salas de impressão pode causar danos à borracha, devido ao ozônio liberado pelos motores dos equipamentos e pela alta temperatura próxima às máquinas.
Outros cuidados fundamentais devem ser observados durante o ajuste dos rolos na impressora e sua operação. É muito importante controlar corretamente a pressão entre os rolos, ajustar as faixas de contato segundo as especificações do equipamento, evitar o uso de solventes agressivos, incompatíveis com a composição da borracha e lavar adequadamente o equipamento após o uso, entre outros aspectos.
Os mancais devem ser ins­pe­cio­na­dos regularmente, limpados internamente e trocados se estiverem danificados, antes da colocação dos rolos novos. Da mesma forma, os rolamentos devem ser checados e trocados se necessário, sempre utilizando os que pos­suem proteção lateral. Em máquinas de impressão con­ven­cio­nal, com sistema de molhagem a moletom, os rolamentos devem ser protegidos com ma­te­rial sintético nas suas laterais para evitar oxidação e devem ser lubrificados após as lavagens. Rolamentos sem proteção podem soltar suas esferas com o tempo e causar sé­rios danos aos cilindros de impressão do equipamento.

Qual o melhor momento 
para a troca da rolaria?
A troca dos rolos do sistema de tintagem deve ser rea­li­za­da no conjunto completo. Muitas vezes, por economia, a gráfica tende a fazer a troca apenas dos rolos aplicadores. Dessa forma, a vida útil dos rolos será reduzida, uma vez que os outros rolos desgastados in­fluen­cia­rão no sincronismo do sistema. Além disso, o sistema não alcançará seu melhor desempenho, 
comprometendo a qualidade da impressão.

Alexandre Maltez é instrutor de práticas avançadas em impressão offset na Escola Senai Theobaldo De Nigris. Colaborou Sonia Marinera, da Rubbercity Artefatos de Borracha.

Artigo publicado na edição 87