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O impacto ambiental do descarte de embalagens com tintas de impressão Imprimir E-mail
Escrito por Renato Lins Tame Parreira e Claudio Roberti. Colaborou: Marlene Dely Cruz   
Seg, 12 de Agosto de 2013

 

A ava­lia­ção dos impactos ambientais do descarte das embalagens impressas engloba a soma de todos os impactos ao longo do ciclo de vida destes materiais, sendo, portanto, uma tarefa complexa. Desta forma, quanto menor a perda no processo produtivo de impressão, menores os impactos ambientais, 
levando à redução dos re­sí­duos sólidos.
A tinta de impressão gráfica líquida e pastosa, pelos dados levantados pela ABTG em 2008 junto aos seus as­so­cia­dos na ava­lia­ção dos indicadores ambientais para o setor gráfico, teve um consumo de 0,58 a 47 kg/t, com geração de re­sí­duos sólidos aterrados de 0,7 a 7 kg/t e de re­sí­duos sólidos coprocessados1 de 0 a 40 kg/t, onde kg/t indica a quantidade de quilogramas de tinta por tonelada de produto impresso na gráfica conforme o 
processo de impressão.
Com base nisso, podemos concluir que os principais danos decorrentes da poluição as­so­cia­da ao uso do solo são:
• A disposição inadequada de re­sí­duos sólidos leva à infiltração do chorume2 para as camadas mais profundas, causando contaminação dos solos, de aquíferos sub­ter­râ­neos e de mananciais;
• Disposição inadequada de re­sí­duos sólidos com a presença de elementos, compostos e/ou metais pesados nas embalagens de papel, cartão, papelão, de produtos ali­men­tí­cios, jornais, revistas etc., com tintas de impressão gráfica líquida ou pastosa.

 

Os elementos, compostos ou metais pesados são absorvidos pelo corpo humano por meio do ar, água, alimentos e contato térmico, com tendência à acumulação de metais pesados. No caso de re­sí­duos sólidos, a preo­cu­pa­ção am­bien­tal re­la­cio­na-se com sua elevada toxidade e facilidade para bioa­cu­mu­la­ção, além de seu uso em grande escala em processos produtivos diversos, incluindo tintas 
de impressão gráfica.
A si­tua­ção é agravada com ma­té­rias-​­primas como os pigmentos responsáveis pela cor da tinta de impressão, que podem conter elementos ou compostos com metais pesados que não seguem laudos técnicos de análises para os valores mínimos permitidos dos metais pesados, conforme o quadro I da Norma Brasileira EB 2082, de dezembro de 1990, ou Norma Europeia EM 71‑3, de dezembro de 1988.
As embalagens impressas que não seguem as normas citadas, quando descartadas em lixões ou aterros sa­ni­tá­rios, contaminam o solo, os cursos d’água e os len­çóis freá­ti­cos, crian­do si­tua­ção de perigo para a saú­de do homem e de outros seres vivos além de impactos ambientais.
No caso dos metais pesados presentes nas tintas de impressão gráfica líquidas e/ou pastosas, o descarte das embalagens impressas podem acarretar contaminação do solo e do lençol freá­ti­co, além de problemas de li­xi­via­ção.
As fábricas de tinta de impressão gráfica, por sua vez, devem adotar rígido controle de qualidade através de laudos técnicos de suas tintas para que esses elementos e/ou compostos com metais pesados estejam nos limites mínimos estabelecidos pela norma. Por sua vez, as gráficas devem exigir que os lotes fornecidos apresentem laudos que comprovem a produção de tintas com níveis adequados de metais pesados, de forma a minimizar os impactos ambientais decorrentes do descarte de embalagens impressas e garantindo a maior proteção dos recursos naturais.

1 Destruição térmica de resíduos.
2 Mistura de água e resíduos da decomposição do lixo, o chorume pode infiltrar-se no solo dos lixões e contaminar a água subterrânea.


Referências
ABTG, Cartilha de boas práticas ambientais 
para a indústria gráfica, 2008.
ÁGUA e contaminantes. Disponível em: http://www.springway.com.br/agua_contaminacao_fisico.htm. Acesso em: 20 out. 2011.
CONCEIÇÃO, F.T. Da. Poluição ambiental: fundamentos, gerenciamento e controle – Jul. 2010. Claretiano, Batatais, SP.
NATUREZA ECOLÓGICA. Disponível em: http://naturezaecologica.com/revolucao-sobre-a-ecologia/. Acesso em 22 out. 2011.


Renato Luis Tame Parreira é docente 
e pesquisador no Núcleo de Pesquisa em 
Ciências Exatas e Tecnológicas da Universidade de Franca e tem pós-​­doutorado em 
Química pela Universidade de São Paulo. 
Claudio Roberti é bacharel em Química pela 
Faculdade Oswaldo Cruz, especialista em 
Gestão Ambiental pelo Centro Universitário 
Claretiano e professor de Tintas de Impressão 
da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica. 
Colaboração: Marlene Dely Cruz, do Núcleo 
de Apoio à Inovação e à Pesquisa (Naipe) 
da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Artigo publicado na edição nº 86