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O que é um produto de qualidade? Imprimir E-mail
Ter, 12 de Março de 2013

Há muito tempo o quesito qualidade deixou de ser um di­fe­ren­cial. O mercado, cada vez mais exigente e competitivo, anseia por produtos com excelentes padrões de qualidade. Mas você sabe especificar o que é um produto gráfico de qualidade?
A Comissão de Estudo de Processos em Impressão Offset do ABNT/ONS-27 elaborou o Ma­nual de ava­lia­ção técnica de não conformidade em impressão offset para auxiliá-lo nesta tarefa. A sua função é apontar possíveis defeitos que comprometam o impresso e classificá-​­los de acordo com os níveis de qualidade dos produtos previstos nesta cartilha, procurando auxiliar clien­tes e fornecedores na ava­lia­ção de não conformidade de materiais impressos em sistema offset.
O ABNT/ONS-27 é o Organismo de Normalização Se­to­rial, con­fia­do pela As­so­cia­ção Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) à As­so­cia­ção Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG), que visa coor­de­nar as atividades de normalização do mercado gráfico brasileiro e participar das discussões internacionais das normas pertinentes ao setor.
A ABNT é a representante ofi­cial do Brasil na Organização In­ter­na­cio­nal de Normalização (ISO), cuja missão é promover o estabelecimento de normas e padrões globalmente aceitos, com o objetivo de facilitar a troca in­ter­na­cio­nal de bens e serviços e auxiliar o intercâmbio in­te­lec­tual, cien­tí­fi­co, tecnológico e econômico entre as nações. As normas técnicas, tanto nacionais como internacionais, contêm especificações técnicas, cri­té­rios, regras e definições de características para garantir que materiais, produtos, processos e serviços atendam aos objetivos a que se propõem. Na área gráfica, estas normas definem desde especificações para insumos até cri­té­rios de qualidade para produtos finalizados.
Nesta edição publicamos os cinco primeiros itens da cartilha (nível de qualidade do produto, atributos de impressão, falta ou sobra de elementos da arte, registro e diferença de cor). Acompanhe os demais na próxima edição.

Nível de qualidade do produto (NQP)
O nível de qualidade do produto classifica os va­ria­dos tipos de impressos segundo a exigência do grau de conformidade de reprodução em relação à prova con­tra­tual. Os níveis de qualidade do produto estão classificados conforme segue:


Nível I: alta qualidade
São classificados como nível I os produtos que exigem absoluta conformidade entre a prova con­tra­tual e o impresso de produção. A informação transmitida requer elevada aproximação na reprodução de detalhes e cores. Podem ser citados como exemplos anún­cios de páginas inteiras e catálogos de luxo, entre outros.
Nível II: boa qualidade
São classificados como nível II os produtos que exigem um bom grau de conformidade entre a prova con­tra­tual e a produção impressa. A informação transmitida requer boa aproximação na reprodução de detalhes e cores. Podem ser citados como exemplos publicidade de produtos, livros de arte, catálogos de moda e arquitetura, entre outros.
Nível III: qualidade básica
São classificados como nível III os produtos que exigem conformidade média na reprodução em relação às provas contratuais. A informação transmitida requer aproximação aceitável na reprodução de detalhes e cores. Podem ser citados como exemplo seções editoriais de revistas, publicações das ­­áreas de via­gens e carreiras, entre outros.


Classificação de defeitos
A classificação de defeitos qualifica a importância da não conformidade para cada nível de qualidade do produto. O grau do defeito determinará a aceitação ou a rejeição do produto final. Os defeitos são classificados em duas ca­te­go­rias:
Va­ria­ção aceitável: são des­vios da conformidade que, embora graves, não impedem a utilização do produto ou afetam a informação. Por exemplo:
registro, tonalidade e outros.
Va­ria­ção não aceitável: são des­vios da conformidade que impossibilitam a utilização do produto ou afetam a informação. Por exemplo: troca de cor, falta de texto e impossibilidade de leitura, entre outros.

Atributos de impressão
Serrilhado
É o contorno irregular de uma imagem reproduzida em baixa resolução.
Método de avaliação
Ava­lia­ção vi­sual.
Tolerâncias

Fique por dentro
Resolução de imagem
As imagens exibidas na tela do computador são formadas por bilhões de partículas denominadas pixel. Pixel é a abre­via­tu­ra de picture element; é o menor elemento que constitui uma imagem digital, seja ela capturada por uma câmera fotográfica digital ou obtida por meio do es­ca­nea­men­to de um original. A quantidade de pixels por polegada li­near (ppi) que constitui uma imagem digital é chamada de resolução de entrada.
Em artes gráficas, a resolução de entrada está diretamente ligada à li­nea­tu­ra que uma imagem terá quando impressa. Isto quer dizer que o valor da resolução de entrada deve ser configurado de acordo com o valor da li­nea­tu­ra a ser empregada. Um arquivo utilizado para imprimir um ma­te­rial com 70 lpi, por exemplo, não terá a mesma resolução de um arquivo utilizado para imprimir um ma­te­rial com 300 lpi.
Existe um cálculo, amplamente utilizado e aceito no mercado, que determina que a resolução de entrada de uma imagem deve ser duas vezes maior que o valor da li­nea­tu­ra com a qual ela será reproduzida, e multiplicada pelo fator de am­plia­ção ou redução, caso a imagem tenha sido es­ca­nea­da. O produto deste cálculo é a resolução de entrada mínima que o arquivo digital deve possuir. Resoluções abaixo do valor obtido reproduzem imagens com bordas serrilhadas, as populares escadinhas, o que acaba comprometendo a qualidade da imagem impressa.

Falta ou sobra de elementos da arte
Em relação ao arquivo original, é a ausência ou a presença de imagens, ilustrações, gráficos ou textos pertinentes ou estranhos à arte, respectivamente. Geralmente este problema está re­la­cio­na­do a falhas de interpretação do RIP (Raster Image Processor).
Método de avaliação
Ava­lia­ção vi­sual.
Tolerâncias

Registro
Registro é o po­si­cio­na­men­to correto da sobreposição entre todas as lâminas das cores da impressão. A falta de registro pode ser entre dois ou mais componentes de uma imagem ou texto impresso.
Método de avaliação
Ava­lia­ção vi­sual auxiliada por um conta-​­fios com escala gra­dua­da em 0,05 mm.
Procedimento
Escolher uma área com a maior densidade de cor e medir o maior dis­tan­cia­men­to entre as cores que compõem a imagem. Textos vazados facilitam a medição.
Tolerâncias

Diferença de cor
Diferença de cor é a va­ria­ção de cor entre dois impressos idênticos analisados sob condições de vi­sua­li­za­ção padrão. Por meio da diferença de cor é possível ava­liar o grau de fidelidade da folha padrão em relação à prova con­tra­tual e a oscilação de cor durante o processo.
Diferença perceptível: é a diferença entre a prova con­tra­tual e o impresso que, analisada sob condições de vi­sua­li­za­ção padrão, apresenta va­ria­ções oca­sio­na­das somente pela diferença entre os substratos utilizados e/ou processos de impressão.
Diferença objetiva: é a diferença entre a prova con­tra­tual e o impresso que, analisado sob condições de vi­sua­li­za­ção padrão, apresenta alterações de cor sem pre­juí­zo da informação. Por exemplo: um gramado que se apresenta mais amarelado ou mais azulado em relação à prova; uma roupa marrom que se apresenta mais amagentada ou mais amarelada em relação à prova.
Diferença crítica: é a diferença entre a prova con­tra­tual e o impresso que, analisado sob condições de vi­sua­li­za­ção padrão, apresenta alteração de cor com pre­juí­zo da informação. Por exemplo: tons de pele que se tornam verdes; um gramado que se torna marrom.
Método de avaliação
Ava­lia­ção vi­sual sob condições de vi­sua­li­za­ção padrão.
Tolerâncias

Quan­do a diferença de cor é detectada, convém que o impresso seja ava­lia­do com o uso de um espectrofotômetro, de acordo com os cri­té­rios de medição da norma ABNT NBR NM ISO 13.655. Neste caso, o impresso deve conter uma tira de controle e as to­le­rân­cias passam a ser controladas pela va­ria­ção do DE.

Tolerâncias


Padrões de cor para o processo
O sistema colorimétrico CIE Lab foi desenvolvido pela Com­mis­sion In­ter­na­tio­na­le de L’Eclairage para quantificar cores e compará-​­las numericamente entre si.
O espaço cromático do sistema de cor CIE Lab é um espaço tri­di­men­sio­nal que com­preen­de três eixos determinantes: o primeiro (L) define os valores de luminosidade; o segundo (a) define as va­ria­ções entre o vermelho e o verde e, por fim, o terceiro (b) define as va­ria­ções entre o amarelo e o azul vio­le­ta. Desta forma, uma cor é expressa por um conjunto único de três coor­de­na­das que representam a mesma cor em qualquer parte do mundo.
Pelo sistema colorimétrico CIE Lab é possível comparar duas cores distintas calculando-se a distância geo­mé­tri­ca entre uma e outra dentro do espaço cromático. Esta distância é denominada diferença de cor ou DE. Tanto as coor­de­na­das CIE Lab como o DE podem ser facilmente conhecidos utilizando-se um espectrofotômetro.
A Norma ABNT NBR NM ISO 12.647-2 traz as coor­de­na­das CIE Lab correspondentes aos sólidos das cores CMYK e suas sobreposições impressas sobre cinco tipos de pa­péis diferentes. Normalmente, uma prova de cor, e, por conseguinte, a produção impressa, é ava­lia­da adotando-se as coorde­na­das CIE Lab da ABNT NBR NM ISO 12.647-2 como alvo com uma tolerância de até 5 para o DE.
As coor­de­na­das CIE Lab correspondentes às demais porcentagens de cores CMYK podem ser encontradas nos datasets Fogra, desenvolvidos de acordo os cri­té­rios da ISO 12.647-2 para diferentes tipos de pa­péis:

Os datasets Fogra estão disponíveis no endereço eletrônico http://www.fogra.org/.

Glossário
Atributos de qualidade: são aqueles que têm a pro­prie­da­de de afetar a qualidade de um produto impresso quando fogem da especificação. Exemplo: registro, formato, carga de tinta e outros.
Prova de contrato: prova que tem a capacidade de mostrar todas as possibilidades cromáticas do processo final da impressão, conforme normas ISO 12.647. As provas precisam ser calibradas e caracterizadas conforme a norma ISO 12.647-7 em vigor. Nos casos em que não forem fornecidas provas, a gráfica manterá as especificações para o processo conforme a norma ISO 12.647 do processo de destino com suas to­le­rân­cias.
Condição de vi­sua­li­za­ção padrão: padrão de vi­sua­li­za­ção nas condições definidas pela norma ISO 3664:2000.
Folha padrão: folha impressa, aprovada pelo clien­te ou responsável da gráfica, cujo resultado se iguala à prova de pré-​­impressão e, por isso, é usada como referência para o resto da tiragem (Graphos).

Texto publicado na edição nº 85