home > Impressão > Convergência tecnológica: nem digital, nem offset
twitter
Banner Facebook

Parceiros

Convergência tecnológica: nem digital, nem offset Imprimir E-mail
Escrito por Ronaldo Arakaki   
Seg, 03 de Dezembro de 2012

Meses antes da Drupa, as discussões que se ouviam no meio gráfico giravam em torno de qual seria o grande mote da feira de 2012. Uma economia mun­dial em crise e a incerteza sobre o faturamento das empresas dos paí­ses desenvolvidos fizeram da Drupa 2012 um evento singular, uma vez que, para muitos executivos, a feira poderia, ou não, marcar a retomada do crescimento para o mercado gráfico mun­dial. Em parte, as previsões se concretizaram, e paí­ses como Brasil, Índia, China, África do Sul e nações do Orien­te Médio e Leste Europeu im­pul­sio­na­ram as novas aquisições tecnológicas. O ponto negativo foi a constatação de que a economia norte-​­americana e da Europa Ocidental permanecem estagnadas.
No campo tecnológico, a Drupa 2012 não mostrou grandes lançamentos, mas, sim, soluções que indicam convergência de tec­no­lo­gias através da parceria entre fabricantes de impressoras offset e digitais, utilizando o que há de melhor em ambas as tec­no­lo­gias para o desenvolvimento de novos equipamentos e, também, a integração de fluxos híbridos, unindo por meio de fluxos de trabalho (soft­wares) equipamentos de impressão offset e digital.
Gigantes do mundo offset anun­cia­ram par­ce­rias estratégicas com fabricantes de impressoras digitais. A própria Konica Minolta divulgou a parceria com a Komori para o desenvolvimento de um equipamento jato de tinta denominado KM1, formato B2. Trata-se de um projeto com sistema de alimentação por folhas soltas que possibilita de forma rápida a troca de diferentes substratos em comparação com equipamentos alimentados por bobina.
Você pode estar se perguntando agora o que a tendência de se construir fluxos de impressão híbridos tem a ver com a crise na indústria mun­dial. Eu explico. A indústria gráfica chegou a um ponto em que não é mais possível gastar rios de dinheiro para se “reinventar a roda”. Ou seja, não há mais dinheiro sobrando para ser jogado fora, e os investimentos em tec­no­lo­gias têm de ser empregados com cuidado e precisão.
Enquanto, inegavelmente, o segmento de impressão tra­di­cio­nal offset, com suas décadas de história, possui largas vantagens em aplicações de altos volumes para a produção de mí­dias massificadas, a impressão digital vem sur­preen­den­do ao tornar viáveis aplicações voltadas a nichos de produtos que, em contrapartida, são inviáveis no offset.
Os motivos já são conhecidos. Vale destacar a possibilidade de produzir pequenas quantidades com prazos extremamente curtos e principalmente utilizar dados variáveis, alcançando mercados one-to-​­one, o que é inacessível no processo offset.
Porém havia barreiras. Nos primeiros modelos de impressoras digitais não se tinha qualidade de ponto (nas passagens tonais), muito menos em ­­áreas “chapadas”. Contudo, a cada ano, me­lho­rias de qualidade e velocidade vêm sendo introduzidas na tecnologia digital com toner.
Outro passo importante são os custos. Por mais que se agreguem dispositivos para aumentar a automação e qualidade dos processos offset (troca de chapas, lavagem de blanquetas, alimentadores de tinta etc.), imprimir de forma massificada ainda era mais barato do que utilizar a impressão digital, e boa parte desse entrave provinha do preço dos consumíveis. Esse é outro cenário que está mudando. O custo dos consumíveis está caindo à medida que o volume de trabalhos feitos em equipamentos digitais aumenta.
A entrada da tecnologia jato de tinta como meio de produção com qualidade viá­vel para as aplicações de impressão digital também teve um impacto significativo. Mais veloz que os equipamentos de toner, e teo­ri­ca­men­te com custo mais baixo, a tecnologia jato de tinta pecava na qualidade — fator que, neste ano, em Düsseldorf, começa a ser superado por toda uma nova geração de máquinas de qualidade sur­preen­den­te. Ainda assim, ela tem de­sa­fios a vencer, pois, em comparação com a tecnologia eletrográfica, existe a necessidade de substratos específicos ou com pré-​­tratamento. Também é preciso que os fornecedores revejam aspectos de seus nichos de atua­ção, dedicando mais ou menos atenção a segmentos específicos, já que, dentro do universo da impressão digital, há uma grande heterogeneidade de aplicações — para cada qual existe um ou outro modelo mais eficaz —, tais como necessidade de volume, qualidade, custo-​­benefício etc.
Por fim, o último, mas não menos importante, elemento dessa cadeia é o retorno que se pode obter não somente através da tecnologia digital, porém além: unindo o mundo con­ven­cio­nal e digital.
Quan­do me refiro a retorno, penso no foco mais certeiro no público-​­alvo de uma comunicação impressa. Falar sobre a otimização do retorno proporcio­na­do pela mídia personalizada seria chover no molhado. A maioria dos gráficos já ouviu esse argumento em alguma palestra ou da boca de um vendedor. Refiro-me, portanto, a aplicações reais e que agregam valor num processo híbrido de impressão. O mundo formado por nossa “aldeia global” não tolera mais tão facilmente posturas etnocentristas ou a subjugação de culturas. Nunca a humanidade deu tanto espaço às diferenças.
O impacto sobre a comunicação dessa nova postura é enorme, e é aí que vislumbro a grande vantagem dos processos híbridos. O produto de massa con­ti­nua­rá a ter seu espaço, porém as gráficas devem, o quanto antes, estar aptas a oferecer aos clien­tes a possibilidade de se re­gio­na­li­zar e customizar seus produtos.
Isso vale para vá­rios segmentos e aplicações: ma­te­rial pro­mo­cio­nal de supermercado, agên­cias de automóveis, jornais e cadernos regionais, livros etc.
E como tornar esse pensamento, essa nova filosofia de trabalho, viá­vel para que, numa próxima Drupa, vejamos um cenário diferente, um mercado mais pujante e reaquecido?
A palavra de ordem é otimizar tec­no­lo­gias e processos pré-​­existentes, educar o mercado sobre as novas po­ten­cia­li­da­des dos hard­wares e soft­wares de impressão e pré-​­impressão e, com isso, fazer que os clien­tes (ou seja, gráficas) obtenham lucro. Gráficas saudáveis e lucrativas têm capital para reinvestir. E quando tudo fun­cio­na azeitado num parque gráfico, a parceria entre fornecedor e clien­te é reforçada. Creio que essa é a nova missão dos fabricantes de soluções: auxiliar seus clien­tes (gráficas) a crescerem e descobrirem novas po­ten­cia­li­da­des para seus ne­gó­cios.
Aqueles que seguem o modelo de simplesmente vender equipamentos e se despedir com um sonoro “adeus” estão com seus dias contados. A concorrência é acirrada e, quando falamos em ajudar os clien­tes a cons­truí­rem fluxos híbridos, estamos falando num estreitamento de relacionamen­to, em ajudar as gráficas, passo a passo, a redescobrirem potenciais para seus ne­gó­cios e abrirem novos leques de aplicações.
Sendo assim, 2012 marcou a era da convergência entre offset e digital. Num futuro muito próximo, o melhor desses dois mundos irá ficar e evoluir, trabalhando em conjunto.
Do lado dos fornecedores, este ano marcou uma revolução no que tange à mudança de postura. Nosso desafio é, mais do que nunca, fazer as gráficas assimilarem um novo modo de produção, otimizarem o mar­ke­ting com seus clien­tes através da impressão personalizada, di­mi­nuí­rem custos e crescerem.
Ter um mercado gráfico saudável no futuro depende, mais do que nunca, de nós.

Ronaldo Arakaki é gerente de mar­ke­ting e soluções da Konica Minolta.

Texto publicado na edição nº 84