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A nuvem é o futuro da computação? Imprimir E-mail
Escrito por Andrea Ponce   
Seg, 03 de Dezembro de 2012

Uma tendência do mundo tecnológico é a computação em nuvem, em inglês cloud computing, assunto muito explorado pelas empresas de tecnologia da informação e em alguns estandes na Drupa 2012. A inovação tecnológica é um dos principais fatores da integração mun­dial decorrente do processo de globalização. Dada a evolução das aplicações em direção à portabilidade e à mobilidade, os conceitos de no­te­book ou mesmo de desktop já não são su­fi­cien­tes. O mundo está em busca de conectividade, integração, rapidez e agilidade, itens encontrados na computação em nuvem.
Além da mobilidade, há também a questão do espaço de armazenamento. Ao mesmo tempo que geram um volume assombroso de informação, as pes­soas querem dispositivos cada vez menores, mais leves e ágeis e a resposta para essa demanda é a cloud computing. Através dessa tecnologia, empresas e usuá­rios têm acesso ime­dia­to a seus arquivos a qualquer hora e em qualquer lugar, através de vá­rios tipos de aparelhos, como desktops, smartphones, tablets e net­books conectados à internet, com máxima flexibilidade.
A tecnologia de computação em nuvem é uma rea­li­da­de em diversos paí­ses. Chegou ao Brasil recentemente e está sendo rapidamente adotada tanto no mundo coor­po­ra­ti­vo quanto no dia a dia das pes­soas. Es­pe­cia­lis­tas a consideram a nova fronteira da era digital. Há uma boa chance de você já ter tido alguma ex­pe­riên­cia com a computação em nuvem. Se você tem uma conta de e-​­mail como Hotmail, Yahoo! ou Gmail, enviou ou recebeu um arquivo pelo Dropbox ou Sendspace, você já utilizou a nuvem. O Dropbox é um dos vá­rios exemplos dos serviços de sincronização de arquivos e um dos primeiros a oferecer, gratuitamente, o armazenamento de arquivos em nuvem. A Goo­gle oferece vá­rios aplicativos que permitem o funcionamen­to e a interação do usuá­rio e rodam diretamente em seu navegador, entre eles Goo­gle Drive, Goo­gle Maps e Gmail.
Outro ponto crescente é a demanda por soft­wares na nuvem. Essa abordagem permite que as com­pa­nhias comecem a utilizar as novas versões rapidamente e com redução de custo em relação aos produtos tradicionais. A Adobe tem feito vá­rias tentativas de serviços na nuvem: a empresa espera que os usuá­rios compartilhem ideias, imagens, ge­ren­cia­men­to de arquivos, recursos da comunidade e aposta na hospedagem de seus softwares, entre eles os gráficos, para o modelo de computação em nuvem, o que possibilitará fácil compartilhamento de informações (saiba mais na matéria Adobe vai para a nuvem com aplicativos touch, da Tecnologia Gráfica nº 83).
Ba­sea­do nos diversos fatores que envolvem a nuvem, os mercados na­cio­nal e in­ter­na­cio­nal pre­veem para os próximos anos um aumento significativo de postos de trabalho para os setores de comunicação.

Conhecendo a nuvem
A computação em nuvem utiliza a internet como uma plataforma, possibilitando o acesso remoto a programas, serviços e arquivos sem que seja necessária a instalação dos aplicativos no computador: as informações estão na rede, basta estar conectado ao serviço online para usufruir dessa ferramenta. O fato de acessar seus dados em qualquer lugar ou horário e fazer seus backups sem necessitar de um equipamento específico torna a nuvem muito mais interessante.
Na cloud computing, ao invés de os arquivos ficarem armazenados nos computadores locais, utilizam-se servidores remotos com discos rígidos de enorme capacidade para o armazenamento. Com toda a geração do fluxo de dados, esse conjunto de servidores interligados requer uma infraestrutu­ra específica de ge­ren­cia­men­to, incluindo vá­rias funções, entre elas equilíbrio dinâmico e monitoramento do desempenho. Para ge­ren­ciar essa dinâmica, os servidores necessitam de imenso poder de processamento e ocupam espaços físicos gigantescos.
Cada aplicação tem seu próprio servidor dedicado, sendo que as aplicações são praticamente ilimitadas. Existe um servidor central que administra o sistema e monitora o tráfego das informações e as demandas do usuá­rio, garantindo que tudo fun­cio­ne sem grandes problemas. O servidor segue um conjunto de regras chamadas protocolos e utiliza um tipo es­pe­cial de soft­ware chamado middleware, cuja função é permitir que os computadores em rede se comuniquem uns com os outros. As com­pa­nhias que oferecem esse tipo de serviço têm de possuir, no mínimo, o dobro de servidores efetivamente utilizados, para manter todas as informações armazenadas como backup, evitando que falhas em um dos servidores afetem a utilização.
A computação em nuvem disponibiliza vá­rios serviços. Atual­men­te, existem aproximadamente 10 empresas com servidores no Brasil que oferecem serviços em nuvens públicas. Os mais comuns são:

  • Servidor cloud
  • Hospedagem de sites na nuvem
  • E-​­mail em cloud
  • Load balancer na nuvem – processo de distribuição, ba­lan­cea­men­to de carga de trabalho entre os servidores da mesma atividade.

A implantação depende da necessidade das aplicações e o acesso está re­la­cio­na­do ao modelo de ne­gó­cios, tipo da informação e a necessidade do nível de visão. Em muitos casos as organizações não desejam que os usuá­rios acessem determinadas informações do seu am­bien­te. Para tanto, existem vá­rios tipos diferentes de nuvens:
Nuvem privada – É cons­ti­tuí­da exclusivamente para um único usuá­rio. A in­fraes­tru­tu­ra da nuvem e os serviços são fornecidos através de um ambien­te vir­tual seguro, para uso exclusivo da empresa. A nuvem em­pre­sa­rial é blo­quea­da e totalmente ge­ren­cia­da, normalmente cons­ti­tuí­da por um data center privado.
Nuvem pública – É aquela executada por terceiros. A in­fraes­tru­tu­ra da nuvem e os serviços são de pro­prie­da­de de um provedor de serviços e são disponibilizados para as empresas públicas ou para múltiplos vizinhos em uma base compartilhada. A falta de privacidade na nuvem pública é uma questão importante: a maioria dos incidentes de hacking acontece na nuvem dos consumidores, mas a existência de vá­rias aplicações sendo executadas na mesma nuvem é um processo transparente tanto para os prestadores de serviços como para os usuá­rios.
Nuvem comunitária – A in­fraes­tru­tu­ra da nuvem e os serviços são compartilhados por diversas empresas com interesses em comum. Pode ser administrada local ou remotamente, por empresas ou por terceiros.
Nuvem híbrida – É uma composição dos modelos de nuvens públicas e privadas. A in­fraes­tru­tu­ra da nuvem e os serviços são compostos por duas ou mais nuvens que permanecem únicas, mas são utilizadas em conjunto. Neste caso a nuvem privada passa a ter seus recursos am­plia­dos a partir da reserva de recursos em uma nuvem pública.
A computação em nuvem, que pode ter diferentes modelos de serviços, com diferentes configurações, e ser composta de camadas, atual­men­te é dividida em 11 modelos de serviços. As mais populares são Saas, PaaS e IaaS.
Saas Soft­ware as a Service, ou Soft­ware como Serviço. Disponibiliza o soft­ware como um serviço. O soft­ware é executado em um servidor remoto. Não é necessário instalar o sistema no computador pes­soal, basta acessá-lo pela internet.
PaaS Plataform as a Service, ou Plataforma como Serviço. Utiliza uma plataforma como um banco de dados para as aplicações. Permite vá­rias utilizações como: armazenamento, banco de dados, suporte a programação e escalabilidade, entre outros.
IaaS Infrastructure as a Service, ou In­fraes­tru­tu­ra como Serviço. Quan­do se utiliza apenas o espaço de um servidor, normalmente com configuração di­re­cio­na­da a determinada necessidade.
A figura exemplifica de maneira simples o cenário composto por camadas:


As demais vertentes mudam a cada dia. Em curto prazo outros serviços estarão segmentados; entretanto, o ­ideal é conhecer alguns deles:
DaaS Development as a Service, ou Desenvolvimento como Serviço. Ferramentas compartilhadas de desenvolvimento e de serviços ba­sea­dos em mashup (site personalizado ou uma aplicação web que usa con­teú­do de mais de uma fonte para ­criar um novo serviço completo). Este modelo possui maior flexibilidade para compartilhar informações e acesso dos usuá­rios.
CaaS Com­mu­ni­ca­tion as a Service, ou Comunicação como Serviço. Uso de uma solução de comunicação unificada hospedada no data center do provedor ou fabricante.
EaaS Everything as a Service, ou Tudo como Serviço. Quan­do se utilizam todos os recursos que envolvem a tecnologia da informação como um serviço: in­fraes­tru­tu­ra, plataformas, soft­ware e suporte.
TaaS Testing as a Service, ou Ensaio como Serviço. Oferece um am­bien­te onde os usuá­rios podem testar aplicações e sistemas de maneira remota, simulando o comportamento da execução.

Vantagens
Escalabilidade – É a capacidade de um sistema de suportar um aumento de carga total quando os recursos (normalmente do hard­ware) são requeridos. É um importante benefício da computação em nuvem, permitindo que as empresas reduzam custos e, ao mesmo tempo, tenham acesso às mais recentes tec­no­lo­gias.
Acesso remoto – A possibilidade de acessar dados, arquivos e aplicativos a partir de qualquer lugar, bastando uma conexão com a internet para tal. Elimina a necessidade de o usuá­rio manter todo o seu con­teú­do em um único computador.
Armazenamento – Os documentos são armazenados, na maioria das vezes, de maneira automática, dispensando ­upload local. Este recurso prevê que uma cópia de toda a informação dos clien­tes seja feita e armazenada em outros dispositivos de backup. Fazer có­pias de dados como um backup é chamado redundância.
Soft­wares – As atua­li­za­ções dos soft­wares são rea­li­za­das sem necessidade de intervenção do usuá­rio e sem a instalação no computador. Não é necessário pagar por uma licença integral de uso de soft­ware; as com­pa­nhias não têm necessidade de comprar um conjunto de soft­wares ou licenças para cada colaborador.
Efi­ciên­cia energética – É subs­tan­cial a efi­ciên­cia energética oferecida pela computação em nuvem comparada a servidores tradicionais. Isso porque os custos operacionais são menores, a nuvem possui maiores taxas de utilização, consome menos energia, refrigeração e espaço físico e, por consequência, contribui para a preservação e uso ra­cio­nal dos recursos naturais.
Qua­li­da­de na informação – Os dados en­via­dos podem ter grandes fluxos de informação que não perdem qualidade e não se desconectam dos usuá­rios.


Desvantagens
Uma enorme desvantagem da computação em nuvem é justamente a necessidade do acesso à internet. Sem o acesso o usuá­rio compromete todas as informações, documentos ou serviços oferecidos. Mas esta não é a única preo­cu­pa­ção dos es­pe­cia­lis­tas.
Velocidade de processamento – Para um complexo fluxo de informações ou para uma grande taxa de transferência são ne­ces­sá­rias uma boa amplitude da banda e uma conexão com a internet estável, efi­cien­te e rápida.
Custo – Para alguns casos existe um custo para este tipo de serviço.
Segurança – O fator mais crítico é a segurança e a privacidade, considerando que os dados ficam online o tempo todo. O conceito de as informações importantes estarem em posse de outras empresas preo­cu­pa muitas pes­soas. A sensibilidade de informações confidenciais nas empresas obriga a implementação de um controle de acesso dos usuá­rios e da informação. Esse controle deve ser privilégio do administrador, pois a privacidade do clien­te não pode ser comprometida. Outro fato preo­cu­pan­te é o de ser alvo dos hackers.
A computação em nuvem é uma rea­li­da­de cada vez mais sólida no mercado. Ela abre novas possibilidades no mundo dos ne­gó­cios. Para o setor gráfico, a nuvem pode ser parte de um novo modelo de comunicação, a possibilidade de oferecer serviços terceirizados, como dia­gra­ma­ção, lay­out e pré-​­impressão, além de uma solução estratégica para a expansão de novos mercados, via­bi­li­zan­do, por exemplo, as plataformas web-to-​­print. Interessou-se? Na próxima edição, saiba mais sobre a tecnologia que está mudando a forma de as gráficas se re­la­cio­na­rem com seus clien­tes.

Andrea Ponce é coordenadora técnica e consultora sênior da ABTG.

Texto publicado na edição nº 84