home > Entrevistas > Heidelberg e Manroland falam à Tecnologia Gráfica
twitter
Banner Facebook

Parceiros

Heidelberg e Manroland falam à Tecnologia Gráfica Imprimir E-mail
Escrito por Sandra Rosalen, especial para a Tecnologia Gráfica   
Ter, 02 de Outubro de 2012

Stephan Plenz, membro do conselho administrativo da Heidelberg, e Nuno Costa, diretor presidente da Manroland Brasil, foram entrevistados durante a Drupa para falar sobre a feira e as estratégias de ambas as empresas. A seguir, os principais trechos dessas conversas.

Stephan Plenz

 

Qual a estratégia da Heidelberg para a Drupa 2012?
Stephan Plenz – Em nossa preparação para a Drupa discutimos que tudo o que seria apresentado aqui deveria ser di­re­cio­na­do para as necessidades dos clien­tes. Isto é, quais são as grandes ten­dên­cias e quais são as respostas para as grandes perguntas dos gráficos. E essas respostas são diferentes conforme a área de atua­ção e o tamanho da gráfica.
Sobre as grandes ten­dên­cias posso citar impressão “verde”, e em cada área do nosso estande procuramos apresentar como a empresa pode se po­si­cio­nar nesta questão; e aumento de produtividade, outra questão fundamental, para a qual estamos oferecendo produtos que nossos concorrentes não oferecem. Um exemplo é o Hei Productivity para a área co­mer­cial com a impressora XL 106, com velocidade de 18.000 folhas por hora. Para os clien­tes que operam com altos volumes trouxemos equipamentos que também apresentam ainda mais produtividade. Já para menores tiragens nos formatos in­ter­me­diá­rios trouxemos a Anicolor, que trabalha sem maculatura e apresenta mais agilidade no setup.
Para os clien­tes que já operam com a linha SM e precisam de ganho de produtividade sem que esse salto seja diretamente para a linha top performance, oferecemos uma nova linha de equipamentos, a SX, que se situa entre as duas. Ela também é voltada para quem já trabalha com equipamentos top performance, mas precisa de máquinas para diversificar a produção.
No setor de acabamento os novos lançamentos para a Drupa seguem essa mesma estratégia: alta produtividade, flexibilidade, inclusive para área digital, e muitos equipamentos com 100% de automação.
Quais novidades o senhor indicaria, dentro do portfólio presente nesta edição da feira, para o mercado brasileiro?
SP – Os equipamentos das linhas CX e SX são ideais para o mercado brasileiro, pois oferecem ganho de produtividade e estão disponíveis em diversos formatos, desde 52 até 102. Para o acabamento, a alceadeira ST 500, também presente na Drupa, oferece velocidade, com diferentes níveis de automação.
Bernhard Schreier, presidente da Heidelberg, falou em seu discurso de abertura sobre esta ser a Drupa do modelo de negócio de sucesso. Como é esse modelo de gráfica do futuro?
SP – Primeiro temos que entender qual é o modelo de negócio do clien­te. É necessário determinar qual é esse modelo e como o clien­te pode desenvolvê-lo. Em todos os segmentos há espaço para alta rentabilidade. Para tanto, a gráfica deve aumentar sua produtividade, fazer bem o que determinou fazer, isto é, procurar ser a melhor na área que escolheu. As conclusões de nossos estudos mostram que os clien­tes não precisam mudar o modelo de negócio a todo o momento, mas sim afinar seu negócio para se tornar mais efi­cien­te.
Isso é um tanto paradoxal para o nosso mercado, no qual as gráficas trabalham com diversos produtos ao mesmo tempo. Não acontece em muitos casos uma es­pe­cia­li­za­ção definida?
SP – Sim, isso acontece no mundo todo. Mas há também no Brasil empresas que durante um tempo produziram um pouco de cada coisa, mas, quando decidiram crescer e se po­si­cio­nar como líder em um segmento, acabaram se es­pe­cia­li­zan­do. O mercado está se tornando cada vez mais apertado e a empresa deve di­re­cio­nar-se para a excelência. Hoje, com o crescimento da economia brasileira, há uma grande oportunidade para as gráficas crescerem. Isso deve ser feito através de uma visão do todo, não somente a máquina ou as pes­soas ou o aumento de produtividade, mas observar todos os fatores e melhorá-​­los em conjunto. Uma vantagem da es­pe­cia­li­za­ção é, por exemplo, o treinamento, que é muito mais efi­cien­te quando a empresa se concentra em um nicho.
Certamente existem gráficas que trabalham com um espectro amplo de produtos e são bem sucedidas. Isso depende muito do po­si­cio­na­men­to da empresa, qual clien­te atende, em que lugar está. Apenas como conceito é uma operação difícil exatamente pela multiplicidade.
Mais alguma informação que o senhor gostaria de citar?
SP – Durante muito tempo pensamos em como resolver o problema das pequenas tiragens, como fazer que esse volume seja economicamente viá­vel para a gráfica. Uma alternativa seria a impressão digital, mas no fim de uma tiragem de 1.000 exemplares a rentabilidade dessa produção não se concretizava. O que nós oferecemos é um fluxo de trabalho integrado, que indica o melhor caminho para o produto, seja ele digital, offset, offset com digital etc., e que o resultado dessa produção seja rentável e viá­vel para o clien­te. É uma grande ajuda para pequenas gráficas.

Nuno Costa

As no­tí­cias sobre o processo de insolvência da Manroland deixaram muitos gráficos no mundo, e é claro, também no Brasil, preo­cu­pa­dos. Como está a operação da Manroland neste momento?
Nuno Costa – A Manroland AG, no dia 25 de novembro de 2011, iniciou um processo de insolvência, que é como uma pré-​­concordata. Na Alemanha, as leis são muito claras e nós temos um prazo para apresentar uma solução. Essa solução foi encontrada. A Langley Holding, no dia 10 de fevereiro de 2012, adquiriu a parte de máquinas planas da Manroland e também todas as sub­si­diá­rias que existem no mundo, cerca de 40. A parte de rotativas foi adquirida pela L. Possehl, que é um grupo alemão. Os acio­nis­tas de ambos têm uma estrutura muito sólida, um balanço pa­tri­mo­nial muito forte e, portanto, dão todas as ga­ran­tias aos nossos clien­tes com base instalada e aos futuros clien­tes da continuidade da marca.
Fale um pouco sobre a Langley Holding.
NC – A Langley Holding é um grupo que existe desde 1975. O dono é Antony Langley, um in­dus­tria­lis­ta, que possui a 24‒ª maior fortuna da Inglaterra. Atual­men­te a Langley Holding fatura 500 milhões de euros por ano, com uma taxa de rentabilidade em torno de 14%, que é uma marca digna de registro. Esse único dono vai con­ti­nuar a investir na Manroland, assegurando o caixa necessário para pesquisa e desenvolvimento e a continuidade de todo o nosso portfólio. Assim, nossos clien­tes só têm que ficar descansados.
E quanto ao grupo L. Possehl, que adquiriu a parte de rotativas?
NC – Trata-se de uma fundação com cerca de 170 anos, faturamento de 2,5 bilhões de euros por ano, 130 empresas e 8.000 fun­cio­ná­rios no mundo.
Quais foram os lançamentos da Manroland na Drupa?
NC – Estamos apresentando a Roland 700 HiPrint UV, com tecnologia InlineFoiler. É um novo desenvolvimento tecnológico em relação ao sistema an­te­rior, que apresenta uma economia do foil de 50%. É uma máquina altamente customizada e este é o caminho que a Manroland quer seguir. Máquinas com elevado valor agregado e alto valor tecnológico.
(Veja mais sobre as características deste equipamento em “Manroland” nesta edição)
Qual é a estratégia da Manroland quanto ao mercado no Brasil?
NC – Os alvos são os segmentos edi­to­rial, pro­mo­cio­nal e de embalagem. A Roland 700 aqui na Drupa está di­re­cio­na­da para embalagens, mas os equipamentos da Manroland para o Brasil são para todos os mercados.

Texto publicado na edição nº 83