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Black backing, white backing - O que é? Para que serve? Como se utiliza? Imprimir E-mail
Escrito por Bruno Mortara   
Ter, 02 de Fevereiro de 2010

O suporte usado como base para análise colorimétrica de provas e impressos pode influenciar essa medição. Conheça as opções normalizadas.

Os controles colorimétricos são parte fundamental das atividades numa gráfica, desde a pré-​impressão, onde medimos as provas, até a impressão, quando medimos os impressos para saber se estão em conformidade com as especificações estabelecidas pela empresa. Quan­do fazemos essas medições es­pec­trais de amostras impressas — um impresso ou uma prova —, temos de nos preo­cu­par com o suporte ou a base sobre a qual faremos a medição da amostra. Isso porque mui­tos dos suportes utilizados na indústria gráfica não são totalmente opacos. Isso faz com que as características dos ma­te­riais que estão por trás da amostra, servindo de ­apoio, e quando a amostra é impressa frente e verso, interfiram nas lei­tu­ras obtidas pelo instrumento. Nesses casos, o fator de refletância é alterado por pequenos índices de transparência dos ma­te­riais medidos, alterando os valores colorimétricos obtidos na lei­tu­ra, a partir dos cálculos dos dados es­pec­trais.
Se o suporte da amostra for opaco, os ma­te­riais de ­apoio têm pou­ca ou nenhuma in­fluên­cia nos resultados obtidos, porém, nos de­mais casos, podemos compensar isso com um ­apoio preto, chamado originalmente de ­black backing.
Caso contrário, lidando com amostras de pou­ca opacidade, os ma­te­riais de ­apoio têm mui­ta in­fluên­cia nos resultados obtidos e um ­apoio preto ou ­black backing, es­pe­cial­men­te nas ­­áreas de bai­xa cobertura de tinta, pode interferir nas lei­tu­ras colorimétricas. Nessa si­tua­ção, o ­apoio branco ou white backing é mais aconselhado. Há ain­da a possibilidade de se colocar sob a amostra diversas folhas do mesmo papel da amostra, também denominado auto-​apoio ou self-​backing.
Nas artes gráficas temos diferentes aplicações e indicações para o ­apoio branco e para o ­apoio preto e é difícil estabelecer regras precisas para sua aplicação. A ISO determinou diversos ce­ná­rios e regras para cada caso na norma in­ter­na­cio­nal ISO 13655, Graphic technology — Spectral mea­su­re­ment and colorimetric com­pu­ta­tion for graphic arts images. Num artigo vin­dou­ro falaremos dos diversos ce­ná­rios previstos nessa importante norma. Por ora nos concentraremos no uso de ­apoios normalizados para medições es­pec­trais.

black backing
Os ma­te­riais de ­apoio pretos são definidos a partir da norma ISO 5‑4. Ela fala de densitometria, que já previa o uso de ­apoios normalizados, especificando determinadas características:

  • Suporte com característica espectral não seletiva, isto é, a abrangência da difusão de densidade espectral refletiva, entre os comprimentos de onda de 400 nm a 700 nm, não deve exceder a 5% da densidade média obtida no mesmo intervalo. Isso significa que o reflexo do preto da amostra não deve ter ‘preferência’ por nenhuma área es­pe­cial do espectro ou seja, seus ei­xos a* e b* estão próximos de 0.
  • A refletância do ­apoio preto deve ser difusa. Ou seja, não se deve perceber nenhum reflexo exagerado quando observado de qualquer ângulo em condições típicas de iluminação de es­cri­tó­rios.
  • O ­apoio deve ter uma densidade de refletância vi­sual ISO de 1,50 ± 0,20. Isso faz com que a amostra tenha um valor do CIE L* entre 15 e 27, ou seja, uma refletância entre 2 % e 5 %.

white backing
Os ma­te­riais de ­apoio brancos devem ter determinadas características, também especificadas na ISO 13655:

  • Devem ser opacos (cerâmica, plástico ou papel], com opacidade igual ou ­maior que 99.
  • A refletância do ­apoio branco deve ser difusa. Isso significa que não se deve perceber nenhum reflexo exagerado quando observado de qualquer ângulo em condições típicas de iluminação de es­cri­tó­rios.
  • Seu valor colorimétrico CIELAB C* não deve exceder 2,4. Ou seja, a con­tri­bui­ção dos ei­xos a* (magenta versus verde-​limão) e b* (amarelo versus azul) tem de ser mínima, restringindo qualquer tonalidade ou ‘invasão cromática’ no branco do ­apoio.
  • Não deve ser fluo­res­cen­te, isto é, não deve ter emissões na banda de captura do instrumento, advindas de ­­áreas do espectro não vi­sí­veis, quando iluminado pela luz do instrumento. A fluo­res­cên­cia é capaz de alterar os valores (es­pe­cial­men­te de b*) para DeltaE de até 10!
  • Ter um fator de refletância espectral acima dos da tabela ao lado, mas com um valor do CIE L* que não exceda 96,4. Isso significa que o ­apoio deve ser branco mate e não brilho.

Observação: Mui­tos dos instrumentos que são utilizados em artes gráficas pos­suem fontes luminosas de tungstênio ou tungstênio-​alógeno. Embora essas lâmpadas emitam subs­tan­cial­men­te menos ra­dia­ção ul­tra­vio­le­ta (UV) do que a norma D50 exige, o pou­co que é emitido pode ain­da cau­sar excitação fluo­res­cen­te nos suportes das amostras, intensificando o azul na medição dos pa­péis, resultando em medições com b* mui­to negativo.

Conclusão
As medições de provas nunca devem ser fei­tas sobre uma mesa ou ou­tra superfície não normalizada. As mesas de lei­tu­ra como a do iOne são normalizadas e são consideradas um white backing adequado. No entanto, a maio­ria dos pa­péis de prova não pode ser medida sobre ou­tras su­per­fí­cies que não um white backing. No caso da au­sên­cia de mesa de lei­tu­ra pode-​se lançar mão do ex­pe­dien­te (quando o papel de prova for conforme à NBR ISO 12647‑​7) de empilhar três folhas e colocá-​las sob a amostra como self-​backing.
As medições de impressos somente em uma face também não devem ser fei­tas sobre uma mesa ou ou­tra superfície não normalizada.
Um problema dos pa­péis utilizados na indústria gráfica é o uso de OBA (Optical Brightner Addictive), ou seja, bran­quea­do­res óticos que atri­buem fluo­res­cên­cia ao papel. Isso faz com que antes de se usar diversas folhas do papel de impressão como self-​backing, temos que ter certeza de que o ma­te­rial não contenha OBA. Isso pode ser determinado com uma lei­tu­ra de laboratório da superfície do papel com um instrumento com filtro UV e de­pois sem o filtro UV. Se hou­ver uma diferença marcante, esse papel não deve ser utilizado para backing ou até para impressão!
Quan­do medimos amostras impressas na frente e no verso é imprescindível a utilização do ­­black backing. As amostras destinadas ao ­apoio preto devem ser bem analisadas antes de serem adotadas, a fim de se evitar problemas. Uma vez encontrado o ma­te­rial adequado deve-​se verificar pe­rio­di­ca­men­te sua qualidade.

 

Bruno Mortara é superintendente do ONS27, coordenador da Comissão de Estudo de Pré-Impressão e Impressão Eletrônica e professor de pós-graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica

Texto publicado na Edição 70