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Testando uma impressora offset Imprimir E-mail
Escrito por Antônio Paulo Rodrigues Fernandez   
Seg, 23 de Novembro de 2009

Saiba quais são os testes que podem ajudá-lo a melhor avaliar uma impressora offset usada, no momento da aquisição.

No momento da compra de uma impressora usada, o gráfico precisa contar com algum método para checar se o equipamento se encontra em bom estado de conservação. Um teste de impressão não pode ser fei­to com qualquer tipo de imagem. Para que even­tuais problemas possam ser evi­den­cia­dos, é indispensável que o teste seja fei­to com uma imagem adequada a esse tipo de diag­nós­ti­co, caso contrário de­fei­tos mecânicos podem ser “disfarçados”, mesmo que sem a intenção do vendedor. É importante lembrar que os testes descritos neste artigo não oferecem garantia absoluta de que o equipamento está nas melhores condições.
A impressão de um teste não dispensa a análise direta, mi­nu­cio­sa, de um mecânico ex­pe­rien­te em máquinas gráficas. Esse pro­fis­sio­nal deve ins­pe­cio­nar detalhadamente engrenagens, man­cais e ei­xos, analisando folgas, desgastes, trincas etc. Deve também verificar a superfície de cada um dos cilindros impressores bem como os ­anéis ­guias, quando for o caso. O mecânico deverá, também, checar os rolamentos dos sistemas de tintagem e molhagem, bem como os diâ­me­tros e dureza dos rolos, sempre tomando como referência as especificações do fabricante da máquina. Também devem ser verificados os sistemas de alimentação, mar­gea­ção e saí­da.

A seguir, descrevemos testes simples e o que pode ser verificado em cada caso.

Chapado seco
A simples impressão de um chapado pode revelar manchas localizadas. Se forem cau­sa­das por blanqueta ou calços amassados (figura 1), a solução é simples. No entanto, se após a subs­ti­tui­ção desses itens as manchas persistirem (figura 2), pode se tratar do cilindro impressor ou do porta-​blanqueta amassado e mal res­tau­ra­do.

O chapado seco também au­xi­lia a verificar a dis­tri­bui­ção de tinta na direção pinça/contrapinça. Toda impressora apresenta um pou­co de irregularidade de tintagem. A análise do teste, vi­sual e com o au­xí­lio de um densitômetro, permite ao impressor identificar onde há mais e menos tinta em função da condição mecânica do equipamento. Se a diferença for exagerada, o teste pode revelar um de­fei­to da máquina não acei­tá­vel (figura 3).

Área contínua a 75%. Trata-​se da impressão da área total, com uma retícula uniforme, de 75%, ponto quadrado, com uma li­nea­tu­ra entre 150 lpi e 200 lpi (figura 4). Esse tipo de imagem é mui­to sensível a qualquer tipo de irregularidade mecânica. A análise vi­sual desse teste pode revelar:

  • Irregularidade nos calços (calços amassados)
  • Desgastes ou falha de usinagem na superfície dos cilindros impressores
  • Desgaste ou falhas de con­ti­nui­da­de nos ­anéis ­guias
  • Irregularidades na borracha dos rolos de tinta ou de molha (excentricidade, convexidade, concavidades e va­ria­ção de dureza).
  • Irregularidades nos ei­xos e batentes de ­apoio dos rolos de molha e tintagem (torção, formação de curva, trepidação e engripamento de rolamentos)
  • Falta ou excesso de folga entre as rodas dentadas, dentes ava­ria­dos
  • Im­per­fei­ções em ei­xos, man­cais e rolamentos
  • Problemas no transporte das folhas

A figura 5 mostra manchas conhecidas como “marcas de per­sia­na”, que podem de­nun­ciar pou­ca folga entre os dentes das engrenagens. Esse problema mecânico pode ser cau­sa­do pelo desgaste excessivo dos ­anéis ­guias. Outra cau­sa frequente das “marcas de per­sia­na” pode ser vibrações nas engrenagens, resultado de excesso de pressão ou do uso de menos calços na blanqueta do que o recomendado.

Pode ocorrer de um dos rolos tintadores estar marcado ou desregulado de tal forma que durante o processo de impressão o mesmo bate na borda do fim do vão do cilindro portachapas, cau­san­do manchas de impressão, as ­quais tendem a mudar li­gei­ra­men­te de posição a cada giro do cilindro (figura 6).
Duplagem dos pontos pode transformar a área de 75% num chapado (figura 7). Lembramos, no entanto, que duplagem é diferente do ganho de ponto cau­sa­do por excesso de tinta ou de pressão. A análise com um conta-​fios permite ao impressor di­fe­ren­ciar os dois fenômenos.

Grafismo fantasma
Permite verificar:

  • Falhas na inter-​relação dos sistemas de molhagem e tintagem
  • Regulagens de pressão dos rolos de tintagem e molhagem
  • Even­tuais falhas de dis­tri­bui­ção de tinta
  • Capacidade do equipamento de eliminar manchas de impressão

A figura 8 ilustra o “grafismo fantasma” impresso em condições ­ideais.
Falhas de regulagem do sistema de molhagem ou tintagem; rolos com diâ­me­tros in­fe­rio­res ao especificado pelo fabricante ou, ain­da, rolos com dureza fora do padrão podem cau­sar manchas na re­gião do “grafismo fantasma”, como mostra a figura 9.

 

 

 

 

 

 

Milimetrado
Possibilita verificar a condição de registro entre unidades de impressão. Numa impressora monocolor pode-​se observar o esquadrejamento das folhas durante a impressão (figura 10).
Falhas no transporte das folhas entre as unidades podem provocar problemas de registro e duplagem. As linhas do milimetrado que de­ve­riam, em condições ­ideais, se sobreporem per­fei­ta­men­te nas duas unidades, se apresentarão como mostrado na figura 11. O papel a ser usado nos testes descritos aqui devem ser, de preferência, o cou­ché brilho de 90 g/m² a 120 g/m². As melhores cores para impressão: cyan para o chapado seco, preto para a área de 75%, e magenta para o “grafismo fantasma”. Já no teste com milimetrado deve-​se usar tintas diferentes em cada unidade impressora.


 


 

 

 

 

O engenheiro Antonio Paulo Rodrigues Fernandez é técnico de Ensino da Escola Senai Theobaldo De Nigris.

 

Texto publicado na edição 69

 

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