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Manutenção como ferramenta de qualidade Imprimir E-mail
Escrito por Douglas Pinheiro   
Seg, 19 de Março de 2012

No mercado gráfico ­atual, a concorrência entre as empresas se torna cada vez mais acirrada. Cada vez mais gráficas percebem a importância de ter um fluxo de trabalho produtivo eficaz, em que sejam mínimas as ocor­rên­cias que causem paradas de máquina e aumentem seus custos, já que gráfica vende hora/máquina, ou seja, cada minuto perdido significa pre­juí­zo para a empresa.
Nessa visão, a manutenção se torna um dos fatores de fundamental importância para a sobrevivência de uma organização, garantindo o prolongamento da vida útil de equipamentos, estrutura, ferramentas e até mesmo pessoas.
De forma geral, manutenção nada mais é que qualquer técnica que visa manter e/ou prolongar o bom fun­cio­na­men­to de equipamentos, ferramentas e estrutura pelo maior tempo possível.
Pode parecer uma coisa simples, porém cerca de 70% das gráficas ainda não fazem a manutenção de forma correta, gerando uma improdutividade de cerca de 30% a 40%, algo considerável quando analisamos os custos de produção da empresa.
No momento em que uma gráfica aplica um programa ou plano de manutenção está garantindo a integridade ope­ra­cio­nal de seus equipamentos, fazendo com que tenham um mínimo de problemas que prejudicam sua produção.
Contudo, quando falamos em manutenção, o que vem geralmente à mente da maioria dos gerentes, diretores e chefes de produção é máquina parada sem motivo e custo. Isso não é verdade. A manutenção vem para ser uma solução, e não um problema, algo que vai ser benéfico e trazer vá­rias vantagens para a empresa.

Manutenção corretiva
Manutenção corretiva sugere corrigir um problema, alguma coisa que já ocorreu na produção e que terá de ser resolvido ime­dia­ta­men­te, causando paradas de máquinas, atrasos na produção e maiores custos. Normalmente isso acontece pelo fato de não ter sido dado a devida atenção ao problema quando ele estava ainda no início, provocando o efeito “bola de neve”. O problema estoura fatalmente na hora que você precisa estar com tudo em ordem e fun­cio­nan­do.
Vamos dar um exemplo: em um dos trabalhos impressos, a chapa acabou danificando as extremidades dos rolos molhadores. Isso oca­sio­na retenção de tinta seca nas extremidades do papel durante a impressão de formatos maiores. Porém, como normalmente não entra esse tipo de trabalho, a solução fica para depois e acaba sendo esquecida. O problema ressurge no dia em que um trabalho urgente de formato máximo entra em produção. É preciso, então, parar toda a impressão para efe­tuar a substituição daquele rolo ou rolos, causando atraso na produção, aumentando a hora/máquina e onerando seus custos. Os índices de manutenção corretiva dentro de uma gráfica devem ser os mínimos possíveis para manter o bem estar da empresa.

Manutenção preventiva
Analisando esse cenário surge a questão: como reduzir os índices de correções dentro da produção? A manutenção preventiva vem para so­lu­cio­nar esse problema.
O termo vem de prever, antecipar, resolver um problema antes mesmo que ele ocorra. A manutenção preventiva é uma ferramenta eficaz de ajuda para as gráficas, pois tende a manter a boa qualidade dos equipamentos, elevando sua vida útil e vem atrelada a algo chamado plano de manutenção, que nada mais é do que a determinação de onde e como será aplicada a manutenção preventiva.
O plano de manutenção deve ser estudado junto com as pes­soas que vão ­atuar diretamente com ele: operadores, equipe de manutenção, PCP e gerentes de produção, ou seja, todos os departamentos que serão afetados direta ou indiretamente pela implantação desse projeto.
O grande problema é que, quando isso é apresentado para gerentes e diretores, muitas vezes o projeto só é visto do ponto de vista da máquina parada. Não se vê que a sua utilização em longo prazo tende a reduzir os custos, uma vez que reduzirá muito as paradas de máquinas por motivos simples, como falta de lubrificação ou por desgaste de peças-​­chave. A questão está na apresentação desses resultados em números. As vantagens ficam visíveis quando o plano é aplicado em uma gráfica onde as paradas de produção ocorrem por motivos mecânicos.

Manutenção preditiva
Aqui estamos falando de um tipo de manutenção mais específica, efe­tua­da por es­pe­cia­lis­tas contratados — normalmente terceirizados. Por meio de equipamentos de controle e medição eles ava­liam partes do equipamento e controlam o desgaste de peças e sistemas, como, por exemplo, alterações nos rolos entintadores durante a impressão ou a temperatura de atrito dos meios durante o processo produtivo e como isso vai impactar a máquina.

Manutenção sistemática
Esse tipo de manutenção é aplicado em si­tua­ções em que não se pode fazer uma previsão de quando irá ocorrer o problema, como a queima de uma lâmpada ou um fusível. Nesses casos se aplica uma manutenção sistemática, na qual é efe­tua­da uma inspeção pe­rió­di­ca para averiguar a condição das partes e se elas necessitam de substituição.

O que é o plano de manutenção?
O plano de manutenção é o desenvolvimento das regras e normas para a rea­li­za­ção da manutenção. Essas questões devem ser estudadas com cuidado por gerentes e líderes de produção, pois o plano tende a modificar diretamente a produção da gráfica. É preciso ter em mente as seguintes questões ao desenvolvê-lo:

  • Quem ficará responsável pelo controle administrativo do projeto. Geralmente, ele fica a cargo dos líderes de produção, representante da manutenção e o PCP.
  • Quais equipamentos/estruturas farão parte do plano de manutenção e quais são suas especificações técnicas.
  • Qual é o fluxo produtivo da empresa e como o plano de manutenção vai afetá-lo.
  • Qual será o tempo disponível para a manutenção.
  • Necessidade de treinamento para os fun­cio­ná­rios envolvidos direta e indiretamente na execução do plano.
  • Suporte à documentação: toda atividade re­la­cio­na­da com a manutenção deve ser documentada, sobretudo para que questões como quem, quando, como e por que sejam respondidas.
  • Suporte à integração: é importante que os setores que acabam sendo envolvidos com o plano de manutenção tenham acesso às informações das atividades feitas pela manutenção, promovendo uma interação com os demais departamentos da empresa.
  • Garantia da qualidade: pe­rio­di­ca­men­te é analisada a característica dos impressos, sendo levantadas informações de quais problemas foram oca­sio­na­dos por motivos mecânicos e como fazer para que não se repitam.
  • Análise pe­rió­di­ca de defeitos nos impressos que possam ter sido causados por problemas mecânicos e identificação de ações para evitar que os defeitos se repitam.
  • Testes: análise mensal dos re­la­tó­rios de manutenção para verificar o nível de ocor­rên­cias no pe­río­do.

Por que planejar a manutenção?
A falta de uma manutenção planejada de máquinas também provoca problemas de qualidade e a diminuição da velocidade das máquinas.
Mas antes de ­criar um plano de manutenção é preciso entender por que os equipamentos quebram. É natural que as máquinas se desgastem com o tempo. Contudo, alguns fatores, como esforço adi­cio­nal e sobrecarga em componentes elétricos, tendem a aumentar esse desgaste, tornando a de­pre­cia­ção do equipamento mais precoce do que o estimado. Quan­do analisamos esses problemas, podemos concluir que os principais motivos para chegarmos nessas condições são a falta de lubrificação adequada, sujeira, poeira, impurezas, filtros de­fi­cien­tes, sistemas de troca de calor e de res­fria­men­to de­fi­cien­tes e operação incorreta da máquina e ferramentas em más condições de uso.
Essas ocor­rên­cias tornam fundamentais as ações de prevenção no sentido de fazer com que as paradas de máquinas se tornem menos frequentes. Por isso a elaboração, execução e documentação de um plano de manutenção se torna importante para uma organização. Devem-se contemplar o plano de lubrificação (rotinas, trocas, especificação), rotina de limpeza, verificação de desgastes e troca de componentes (filtros, correias, correntes, rolamentos, componentes elétricos).
Lembre-se que componentes têm vida útil determinada pelo fabricante. Uma vez vencido esse prazo, troque-os, mesmo que eles aparentemente ainda estejam em boas condições.
Com relação à operação incorreta, a melhor solução é o treinamento dos operadores. Elabore rotinas e procedimentos de operação da máquina e destaque os cuidados que deve haver com relação aos ajustes de máquina, lubrificação e limpeza.
Reserve pe­rio­di­ca­men­te um tempo para elaboração e revisão do plano de manutenção. Forme uma equipe e trabalhe em mutirão para que o tempo parado da máquina seja o menor possível. Antes da parada para a manutenção, certifique-se que os componentes que serão subs­ti­tuí­dos já estão disponíveis.

Equipe de manutenção
A equipe de manutenção é formada pelos responsáveis pela aplicação direta do projeto, dentre eles mecânicos, operadores e PCP. São eles que vão ­atuar diretamente analisando si­tua­ções, fazendo correções, efe­tuan­do ajustes, ou seja, colocarão a mão na massa. A equipe de manutenção deve estar diretamente conectada com os setores gerenciais da empresa, informando as atividades que estão sendo ou serão feitas nos equipamentos para que haja a troca de informações entre os setores.
Ela também deve ser treinada para efe­tuar as atividades que serão desenvolvidas para que não haja problemas durante a manutenção por falta de conhecimento da mesma.
E, finalmente, a equipe deve dispor de todos os equipamentos ne­ces­sá­rios para a atividade e esses devem estar em perfeita ordem e calibrados para serem utilizados.

Como transformar a manutenção em diferencial de qualidade
Quan­do pensamos em competitividade, temos de ter em mente o que nós somos, onde estamos e onde queremos chegar. Muitas vezes não é de interesse de uma gráfica se tornar uma grande empresa com centenas de fun­cio­ná­rios e ter uma planta com uma área enorme, com o que há de mais moderno em equipamentos para produção. Porém, todos buscam a melhoria de seus processos, redução dos tempos de produção e de custos e aumento do lucro. Nesse aspecto, a manutenção pode sim se tornar um di­fe­ren­cial competitivo. Uma gráfica onde existe uma linha de produção constante, o mínimo de paradas de máquinas por manutenções corretivas, e na qual os equipamentos e ferramentas estão sempre em ordem, limpos e bem cuidados, se torna um atrativo para os clien­tes. Isso sem falar que a possibilidade de atrasos é bem menor, assim como devoluções de trabalhos pelos mais diversos motivos.

Trabalhando a ideia da manutenção com seus funcionários
Para que o projeto de manutenção seja bem sucedido, um ponto cru­cial deve ser abordado: a cons­cien­ti­za­ção dos profissionais envolvidos. Eles são as principais ferramentas para o sucesso de um projeto como esse. É importante que o fun­cio­ná­rio entenda seu papel na organização e no projeto, que a sua colaboração trará be­ne­fí­cios não só para a empresa, mas também para si próprio, que o conhecimento que ele obterá no decorrer do processo poderá lhe trazer vantagens no futuro, que sua proa­ti­vi­da­de é bem-​­vinda, deixando claro o que está sendo feito para que o pro­fis­sio­nal não sinta que isso possa se tornar algo que poderá lhe tirar o emprego. Caso contrário, o fun­cio­ná­rio pode deixar de ser um colaborador e se tornar um sabotador, fazendo todo o investimento em um projeto vir por terra.
Reú­na seus fun­cio­ná­rios, seja claro ao explicar o que está sendo desenvolvido e ouça o que eles têm a dizer, pois eles são as melhores pes­soas para dizer quais são os problemas diá­rios. Dessa forma, a probabilidade de fracasso de um projeto como esse é bem menor.

Douglas Pinheiro é aluno do curso superior de Tecnologia em Produção Gráfica, da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica

Texto publicado na edição nº 81