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Acabamento digital e convencional: unidos pelo nascimento, separados nas necessidades Imprimir E-mail
Escrito por Ivy Sanches   
Seg, 19 de Março de 2012

O processo gráfico digital, comparado ao processo con­ven­cio­nal, tem características diferentes que interferem diretamente na concepção do lay­out da gráfica, no fluxo de trabalho e também nas práticas operacionais, incluindo consequentemente o perfil dos colaboradores, que precisam ter o conhecimento adequado e o domínio das técnicas específicas compatíveis aos equipamentos e ao ritmo dos serviços prestados. Hoje, o que notamos no mercado de impressão digital é que seu crescimento muitas vezes está ligado às ações de empresas de pré-​­impressão, as quais, no desenvolvimento natural de seus ne­gó­cios, passam também a oferecer serviços de impressão digital.
Além disso, as gráficas que atendem a grandes e mé­dias tiragens tendem a implantar em seus parques gráficos setores dedicados à impressão digital com o intuito de rea­li­zar trabalhos especiais e também atender integralmente às necessidades de seus clien­tes. Mas, olhando mais de perto para esse cenário — que se expande em todo o mundo, inclusive no Brasil, em ritmos bem pe­cu­lia­res —, notamos algumas ressalvas. A inserção de equipamentos de impressão e alta tecnologia para atender a contento à demanda e à rapidez do mercado digital gera discussões e rea­va­lia­ções nos processos e nos equipamentos de pós-​­impressão.
O todo tem de interagir de forma perfeita e integrada para suprir as expectativas de prazo, qualidade e preço, pois, nesse mercado, que já é bastante competitivo, não existe espaço para falhas, atrasos, custos e perdas des­ne­ces­sá­rias.
Equipamentos e mão de obra têm que ser pertinentes à fluidez do processo e a configuração do equipamento de impressão deve ser coe­ren­te com a dos equipamentos de pós-​­impressão e processos de be­ne­fi­cia­men­to.

Acabamento: necessidades específicas
Os processos de pós-​­impressão tradicionais, incluindo as ações básicas de acabamento, como refile, vinco, dobra e al­cea­men­to, são ne­ces­sá­rios também nos produtos da impressão digital e a qualidade exigida é a mesma, porém o tempo de acerto é outro.
Salvo raras exceções, pensar num todo no fluxo de trabalho con­ven­cio­nal e digital (incluindo a pós-​­impressão) exige que se atente a algumas diferenças importantes. O timing de ambos os processos é diferente. Nos processos convencionais, o tempo de acerto é outro, o tempo para se ter a primeira impressão com condições de uso é outro. Sendo assim, a chegada do produto impresso para finalização também tem seu ritmo próprio, por mais ágeis e automatizadas que estejam se tornando as funções de impressão hoje em dia.
Se analisarmos fria­men­te o tempo geral de produção (impressão e acabamento) de um método con­ven­cio­nal offset e de um sistema digital, notaremos que, se usarmos os mesmos métodos de acabamento, trabalharemos com uma perda de tempo considerável, com um desperdício de ma­te­rial inaceitável e, portanto, no cômputo geral, a gráfica ficará com dificuldade de fechar sua balança.
Por exemplo, a matéria-​­prima utilizada para o acerto dos equipamentos tradicionais corresponde a uma boa parte da tiragem de um produto pro­ve­nien­te de impressão digital, ou seja, é impossível perder 10 folhas em uma tiragem de 100 ou 200 exemplares. O fluxo do processo produtivo também tem de ser contínuo no digital. Em gráficas que já “nascem” digitais,geralmente há menor resistência e a tendência é procurar investir em equipamentos com tamanho, setup e tecnologia compatíveis ao mercado digital.
A gráfica que nasce digital geralmente procura o máximo de competitividade e qualidade e, portanto, não tem dúvidas na hora da escolha de equipamentos que permitam e possibilitem um fluxo de produção coe­ren­te para gerar lucros e não permitir perdas e desperdício.
Contudo, nas gráficas que atendem tiragens maiores e investem no segmento digital pelas razões já citadas, há a tendência de tentar aproveitar os equipamentos e o fluxo de pós-​­impressão já existente. Essa prática geralmente prejudica a receita, pois, além do gargalo no setor de acabamento, gera-se um pre­juí­zo no fluxo de serviços maiores (não ne­ces­sa­ria­men­te mais importantes). Nesses casos, o setor da impressão digital passa a ser um problema ao invés de gerar di­fe­ren­cial à gráfica e alternativas de soluções aos clien­tes, o que prejudica ob­via­men­te o retorno rápido e esperado do investimento feito nas caras máquinas de impressão digital.

Enobrecimento digital
A questão vai além da simples adequação do acabamento à impressão digital. É comum, quando se pensa num impresso digital, que se trabalhe o lado emotivo do clien­te, a di­fe­ren­cia­ção não somente pela personalização como também por outros atrativos compatíveis à produção de peças promocionais muitas vezes uni­tá­rias.
Os processos de be­ne­fi­cia­men­to como verniz UV e hot stamping na impressão digital são muitas vezes suprimidos devido ao alto custo e à in­via­bi­li­da­de de terceirização em tiragens baixas. Isso contraria as necessidades e expectativas dos clien­tes de produtos pro­ve­nien­tes de impressão digital que buscam as mesmas alternativas de enobrecimento que o processo con­ven­cio­nal em mé­dias e altas tiragens permite.
Os processos de enobrecimento atual­men­te também são possíveis e acessíveis nas produções sob demanda. Hoje, convites ou qualquer outro impresso podem ser finalizados com técnicas de hot stamping em que a fita adere diretamente ao toner sem a necessidade de confecção de clichês ou matriz e ainda simula a aplicação de verniz UV, além da laminação holográfica. Isso possibilita agregar valor ao produto gráfico sem aumentar custos, uma vez que o equipamento é compacto e relativamente barato, além de integrar-se às novas tec­no­lo­gias, pois, por não ter clichê, permite a confecção de dados variáveis em hot stamping.
Já existem equipamentos dedicados, compactos, rápidos e principalmente acessíveis para a pós-​­impressão no mercado digital. Hoje é possível ter vinco e dobra si­mul­ta­nea­men­te, serrilhas, vincos perfeitos nas impressões a laser, alceadeiras práticas e precisas pensadas e cons­truí­das es­pe­cial­men­te para atender impressões sob demanda visando garantir produtividade, aperfeiçoar a qualidade e otimizar lucros.
Portanto, as possibilidades e adequações técnicas devem se moldar às expectativas e necessidades impostas pelo mercado. Ser conciso na tomada de decisões e na aquisição de equipamentos gráficos é fundamental, pois um fluxo adequado com equipamentos dedicados e corretos po­ten­cia­li­za os resultados na qualidade, atendimento de prazos, receita e rápido retorno de investimentos.

Ivy Sanches é professora de Produção Gráfica na Unip (Universidade Paulista) e assessora de diretoria na Diginove.

Texto publicado na edição nº 81