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Cuidados no desenvolvimento de rótulos termoencolhíveis Imprimir E-mail
Escrito por Andressa Lê, Janayna Souza e Luciane de Lima, com a colaboração de Bruno Mortara e Marlene Dely Cruz   
Seg, 19 de Março de 2012

Rótulos são fundamentais para a co­mer­cia­li­za­ção de produtos, facilitando a sua identificação por parte dos consumidores e, muitas vezes, contendo informações legais obri­ga­tó­rias. Entre os rótulos produzidos pela indústria gráfica há aqueles feitos sobre substratos celulósicos — papel, cartão — e os feitos sobre substratos não celulósicos, tipicamente plásticos como po­lie­ti­le­no, polipropileno e outros. Entre os rótulos impressos sobre substrato plástico há uma nova tendência para a utilização dos que se moldam ao formato da embalagem, conhecidos como termoencolhíveis. Os rótulos termoencolhíveis, também chamados de slee­ves ou mangas, são rótulos impressos em filmes que têm a pro­prie­da­de de encolher ao serem aquecidos a determinada temperatura. Ini­cial­men­te o slee­ve é aplicado como um invólucro em torno do frasco, moldando-se ao seu formato.

O início
A produção de termoencolhíveis começou na França, no início de 1970, devido à necessidade de atender às novas exi­gên­cias dos mercados de produtos ali­men­tí­cios, cosméticos, far­ma­cêu­ti­cos e de limpeza doméstica que buscavam a combinação de quatro funções em uma única embalagem: decoração, informação, proteção e promoção. No Brasil, esse processo iniciou-se em São Paulo no começo dos anos 1980, mas só ganhou espaço no mercado por volta de 1990.
O processo preferido pelos fabricantes de rótulos termoencolhíveis em paí­ses como França, Argentina, China e Chile é a rotogravura. No início de sua implantação no Brasil também foi utilizada a rotogravura. No entanto, devido à baixa tiragem dos lotes, o processo se tornou economicamente in­viá­vel, dando lugar à flexografia. Esta, além de atender bem ao mercado de filmes em geral, também tem se aprimorado na busca por melhor qualidade e já lidera esse mercado há alguns anos.

Diferencial da tecnologia
O resultado dessa técnica é um vi­sual mais atraen­te e fun­cio­nal para a peça, que se converte num poderoso di­fe­ren­cial de comunicação e, consequentemente, facilita o processo de venda do produto. Isso o torna indicado para aplicação em embalagens com perfis assimétricos ou si­nuo­sos. Sua aplicação é extremamente eficaz, atraindo a atenção de consumidores e, por consequência, tornando-se alvo de interesse de designers e pu­bli­ci­tá­rios.
Para identificar os rótulos termoencolhíveis basta observar se os mesmos estão aplicados em contato direto com a embalagem, adequando-se perfeitamente ao seu formato. O efeito decorativo pode se dar em 360° ou até com o envolvimento completo da embalagem, podendo servir de lacre para a mesma. Atual­men­te, os substratos mais utilizados para a impressão desses rótulos são os filmes de PVC (cloreto de polivinila) e o PET (po­lie­ti­le­no tereftalato). Após o processo de impressão o rótulo pode ser aplicado em embalagens de diversos tipos de materiais, como vidro, metal, alumínio e plástico.
Além disso, as embalagens termoencolhíveis facilitam o processo de segregação dos re­sí­duos no momento da reciclagem, já que eles são encaixados e moldados ao frasco e não pos­suem nenhum ponto de cola, facilitando assim a separação entre o filme impresso e o próprio ma­te­rial da embalagem.
Apesar das inúmeras vantagens dos slee­ves, os autoadesivos predominam no mercado brasileiro e muitas vezes representam um menor custo para as empresas que almejam expor seu produto no mercado. Um dos fatores que con­tri­buem para isso é o fato de que os adesivos permitem a utilização de diferentes processos de impressão. O segredo da escolha entre um e outro está na adequação, ou seja, devem ser previstos os custos e analisado o impacto de vendas que se deseja obter.
Para maior comodidade dos clien­tes, a maioria das gráficas que ­atuam nesse segmento busca fornecer soluções completas para os rótulos termoencolhíveis, como assessoria, adaptações das artes, produção, impressão e até aplicação do rótulo no frasco.

O termoencolhível na produção gráfica
Após a cria­ção da arte do produto, quando se tem uma ideia formada do resultado que se deseja alcançar, entramos na fase de pré-​­impressão. Essa é a etapa na qual as operações para produção de um ter­moen­co­lhí­vel se di­fe­ren­ciam de outros produtos gráficos. O primeiro desafio de se trabalhar com a pré-​­impressão de termoencolhíveis advém do fato de que a imagem que se gravou na forma e que depois foi transferida ao substrato sofrerá uma grande deformação causada pelo ter­moen­co­lhi­men­to. As provisões feitas na pré-​­impressão, nos arquivos digitais, para compensar tais deformações são de­sa­fia­do­ras e únicas no mundo gráfico. Nesse sentido a distorção da arte é um ponto crítico durante o processo de pré-​­impressão para termoencolhíveis.

A distorção na pré-​­impressão
Existem atual­men­te dois métodos para se rea­li­zar o procedimento: o ma­nual e o automatizado. Os dois métodos necessitam que cada elemento da cria­ção esteja em camadas separadas, ou layers, pois serão distorcidos um a um de acordo com a posição que irão ocupar no frasco e do nível de deformação que aquela área sofrerá durante o acabamento (ter­moen­co­lhi­men­to).
A compensação ma­nual é um trabalho mais artístico, que necessita de testes, medições, ajustes e rea­jus­tes, fazendo uso de soft­wares de cria­ção como o Pho­to­shop e o Illustrator. Esse processo é mais lento e menos preciso se comparado ao automatizado, pois a compensação é feita elemento a elemento e totalmente manipulada pelo operador. O tempo de execução também varia de acordo com a complexidade dos elementos da arte e do próprio frasco, enquanto no processo automatizado o soft­ware faz rapidamente todos os cálculos de compensação.
Já no processo automatizado é utilizado o soft­ware Esko Art­Pro com o plug-in do Grid­Warp ou Power­Warp. Para isso, é necessário fornecer as informações da faca do frasco, assim como da arte da embalagem. Com essas informações o soft­ware calcula a distorção apro­pria­da para cada elemento em cada área da arte, sendo capaz de gerar uma vi­sua­li­za­ção em 3D. Alguns elementos podem não sofrer distorção, como o plano de fundo da arte.

O termoencolhimento no acabamento
Após a etapa de impressão dos slee­ves, seguem-se alguns procedimentos essenciais para que a embalagem chegue ao seu objetivo final e esteja pronta para o mercado consumidor.
É nessa fase de acabamento que se encontra outro grande di­fe­ren­cial, pois os rótulos são encaminhados ao túnel de encolhimento (ver ilustração acima), equipamento responsável pela ação de encolher o slee­ve em torno do frasco.
Pode-se dividir o processo de acabamento em duas etapas: a aplicação e o encolhimento.
A aplicação das mangas nos frascos pode ser feita de forma ma­nual ou automática, dependendo dos recursos disponíveis no túnel:

  • Na operação ma­nual, profissionais ficam po­si­cio­na­dos na esteira de entrada do túnel, fazendo a abertura das mangas, já cortadas, e “vestindo” os frascos, que são colocados sobre a esteira transportadora que leva ao processo de encolhimento.
  • A operação automatizada ocorre quando o próprio equipamento possui um cabeçote eletromecânico que rea­li­za as operações de corte da bobina para obtenção das mangas e já as aplica sobre os frascos dispostos na esteira em
    direção ao túnel.

Na etapa do encolhimento, é possível encontrar diferentes tipos de túneis com diferentes tec­no­lo­gias de aquecimento: elétricos, a vapor ou mistos (combinando ar quente e vapor). Em geral, suas principais variáveis são a potência, o tempo, a velocidade e a temperatura, que são definidas de acordo com o substrato e o shape (frasco).
O uso da tecnologia de termoencolhíveis é altamente indicado em produtos de alto valor agregado. Esses itens devem chamar a atenção do consumidor naqueles poucos instantes em que ele está dian­te das gôndolas do supermercado, provocando o impulso de compra. Esse rótulo pode ser encontrado em diversos segmentos, como brindes, cosméticos, produtos químicos e far­ma­cêu­ti­cos, produtos de hi­gie­ne e limpeza, alimentos, bebidas e produtos para automóveis.
A tecnologia ter­moen­co­lhí­vel produz embalagens com vi­sual mais atraen­te e fun­cio­nal, facilitando a comunicação e o processo de venda, despertando novas ideias e possibilidades no mercado. Dian­te das vantagens mercadológicas obtidas com seu uso, é possível prever boas perspectivas de crescimento no mercado de embalagens, tendência já observada nos paí­ses mais desenvolvidos.

Andressa Lé, Janayna Souza e Luciane de Lima são ex-​­alunas do curso técnico de Pré-​­Impressão da Escola Senai Theobaldo De Nigris.
Colaboraram Bruno Mortara e Marlene Dely Cruz, do Naipe – Núcleo de Apoio à Inovação e Pesquisa, na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Texto publicado na edição nº 81