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O que esperar da manroland do Brasil Imprimir E-mail
Escrito por Tânia Galluzzi   
Seg, 26 de Outubro de 2009

Desde julho, a manroland está com escritório próprio no Brasil. Segundo o diretor executivo da filial brasileira, Franz Fürstenberg, a meta é aumentar as vendas, aproximando-se dos clientes, sobretudo nos segmentos de jornais e embalagens. Nessa entrevista exclusiva, o executivo fala da estratégia da manroland para a região.

 

 

Passados alguns meses do anúncio da instalação do escritório bra­si­lei­ro, como o mercado gráfico está rea­gin­do?
Franz Fürstenberg – A manroland sempre foi considerada uma marca mui­to forte na América Latina, uma marca “high tech” de alta qualidade. No momento, os clien­tes estão nos dando as boas-​vindas e se mostram ali­via­dos, principalmente no Brasil. Tomando por base os aspectos positivos do passado, estamos oferecendo a assistência técnica, os serviços de consultoria e os produtos de tecnologia moderna em todos os formatos que tornaram bem-​sucedidos os usuá­rios de manroland em ou­tros mercados.

O que se altera com o encerramento da parceria entre a manroland e a MAN Fer­ros­taal em termos mun­diais?
FF – A razão para o término do acordo de representação está no fato de a MAN Fer­ros­

taal ter sido adquirida por um investidor de Abu Dhabi (IPIC, In­ter­na­tio­nal Pe­tro­leum

Investment Company). Esse investidor está principalmente envolvido na área petroquímica e fará uso da vasta competência da MAN Fer­ros­taal em grandes plantas in­dus­triais, focado no mercado do Meio Orien­te. Com esse desenvolvimento, no meio-​termo, a MAN Fer­ros­taal não mais terá o necessário foco no nosso negócio de máquinas impressoras e poderá não mais cui­dar de ma­nei­ra adequada das vendas e do serviço dos produtos da manroland. Nas re­giões até então sob a responsabilidade da MAN Fer­ros­taal, a manroland estabelecerá organizações de venda e serviço pró­prias, ou expandirá as existentes, como é o caso da manroland Asia Pacific, em Kua­la Lumpur, na Malásia, ou da manroland Web Service, em Sydney, Austrália. Isso disponibilizará aos clien­tes manroland um serviço de fábrica direto.

A manroland já pensava em abrir uma fi­lial no Brasil ou isso ocorreu devido ao fim
dessa parceria?

FF – A manroland está trabalhando fortemente na expansão re­gio­nal nos mercados emergentes. Isso é a pedra angular no nosso alinhamento estratégico. O portfólio de vendas e serviços da manroland, que foi oferecido pela MAN Fer­ros­taal, agora será centralizado na nova organização própria, a manroland do Brasil. Para poder estar à altura dos desafios encarados pela indústria gráfica de ma­nei­ra dinâmica, porém sustentável, a manroland fortalecerá o foco no mercado, nos clien­tes e no serviço. Assim poderemos responder com ­maior velocidade e efi­ciên­cia. Isto requer um elo mui­to próximo entre os fun­cio­ná­rios lo­cais e a matriz corporativa na Alemanha, o que somente pode ser conseguido com uma organização própria e uma marca forte.

A fi­lial bra­si­lei­ra pretende atender também a América do Sul?
FF – Sim, a manroland do Brasil é responsável pelos paí­ses da América do Sul.

Haverá estoque de peças?
FF – Sim, nós teremos vá­rios estoques de peças de reposição. O centro de peças dedicado aos clien­tes bra­si­lei­ros tem de ser em território na­cio­nal devido à burocracia de importação e será em São Pau­lo. Estamos definindo mais um ou­tro hub para abastecer clien­tes da nossa re­gião fora do Brasil, possivelmente no Chile.
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Quais os prin­ci­pais focos da manroland do Brasil?
FF – A manroland tem uma grande base instalada de máquinas impressoras planas, bem como de rotativas co­mer­ciais e jornal, sendo que o Brasil tem a ­maior quantidade de impressoras, seguido pelo México. É por isso que os dois grandes centros de competência estão localizados nesses paí­ses. Além dos sistemas de impressão, que abrangem desde a nova Roland 50, com formato 36 × 52 cm, até a Roland 900XXL, 130 × 195 cm, o portfólio da manroland inclui uma ampla gama de serviços (printservices, printcom, printnet, printadvice). Sem contar a venda de novos sistemas de impressão e ma­te­riais de consumo, a manroland presta ajuda aos clien­tes da América Latina que desejem adquirir impressoras seminovas ou re­con­di­cio­na­das.

No segmento de impressão offset plana há mais oferta do que demanda, acirrando ain­da mais a concorrência entre os fabricantes de equipamentos. Como a manroland do Brasil está lidando com esse cenário?
FF – A crise fi­nan­cei­ra e suas consequências dei­xa­ram suas marcas em todos os mercados e setores, in­cluin­do a indústria de impressão. Isso conduz à seguinte pergunta: onde estão as novas oportunidades, sobre as ­quais devemos nos concentrar nos próximos anos? A manroland está trabalhando contínua e intensamente na expansão re­gio­nal dos mercados em crescimento. Monitoramos cui­da­do­sa­men­te as ten­dên­cias ­atuais do mercado e constantemente discutimos as condições presentes dos ne­gó­cios da empresa, bem como a orien­ta­ção estratégica para o futuro. Já tomamos diversas medidas para garantir a adaptação de nossas estruturas, de modo que possamos emergir da crise ain­da mais fortes que antes.

O que o Brasil representa atualmente para a manroland AG em termos per­cen­tuais? E a América Latina?
FF – Não costumamos dar informações sobre participação de mercado. De qualquer forma, sempre almejamos ganhos de participação de mercado.

Qual a participação da manroland AG na manroland do Brasil?
FF – A manroland AG detém todas as ações, menos uma. Existe um acordo que prevê uma opção de compra (call op­tion).

O que a indústria gráfica bra­si­lei­ra pode esperar da manroland do Brasil no que se refere à assistência técnica?
FF – Mui­tos clien­tes que têm produtos de nossos competidores estão procurando o departamento co­mer­cial da manroland, tanto para máquinas rotativas quanto para máquinas planas, o que é um claro indício de que nosso perfil no mercado tem sido mui­to tímido no passado recente. Estamos nos empenhando para mudar isso de modo rápido e perceptível e vamos colocar uma ênfase es­pe­cial nos serviços de assistência técnica.

A imprensa in­ter­na­cio­nal divulgou em mea­dos de agosto uma possível fusão entre a Hei­del­ber­ger Druckmaschinen e a manroland AG. Como esse acordo pode se refletir nas operações da manroland do Brasil?
FF – De ma­nei­ra geral, nós não fazemos co­men­tá­rios sobre rumores do mercado.

 

Texto publicado na Edição 68