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Provas virtuais Imprimir E-mail
Escrito por Flavio Costa   
Ter, 31 de Março de 2009

Entenda o funcionamento das provas virtuais e suas possibilidades.

A evolução dos sistemas de provas acompanha o desenvolvimento da indústria gráfica e suas necessidades. Vá­rios foram acei­tos e incorporados a gráficas e à rotina dos clien­tes, porém a finalidade sempre foi a mesma: prever o resultado final da impressão. Mesmo com esse objetivo único, as provas se prestam a vá­rios momentos do processo de impressão, assumindo finalidades diferentes: temos a prova de lay­out, de contrato, para “referência de cor”, flatplan (espelho), imposição (boneco) e ou­tras utilizações que já existiram e mui­tas que ain­da estão por vir. Cada uma delas tem um modelo equivalente que atendeu a um determinado momento tecnológico e histórico.

Dian­te da necessidade ­atual de agilizar o processo e cortes de tempos mortos, encurtando dis­tân­cias e apro­vei­tan­do as novas tec­no­lo­gias di­gi­tais, desenvolveu-​se o con­cei­to de soft­proof, que evo­luiu mui­to fazendo uso da tecnologia da informação (TI), de soft­wares, hard­wares e da Internet.

Os sistemas de provas vir­tuais (soft­proof), também chamados de provas remotas, permitem que se trabalhe via web, ou seja, todos dentro do mesmo am­bien­te em uma página de Internet. Esse é o grande di­fe­ren­cial: permitir que ins­tan­ta­nea­men­te se acesse provas em qualquer lugar do mundo e, através de uma web conferência, todos possam vi­sua­li­zar a mesma prova, ao mesmo tempo e discuti-​la. Essas possibilidades encurtam o tempo de aprovação de um trabalho, fazendo com que todos os envolvidos na ca­deia produtiva possam trabalhar em conjunto e em tempo real.

Podemos, então, definir soft­proof como uma tecnologia em que se usa um monitor para simular impressos em papel ou ou­tro substrato. Ao invés de imprimir uma prova, essa tecnologia permite que se controle, pelo monitor do computador, atributos como cor, overprints, separações, transparência e ou­tros fatores que possam cau­sar problemas na impressão. Isso traz economia de tempo e evita erros de con­cei­to e entendimento, já que se pode discutir e explicar melhor algo diretamente a quem irá executar o trabalho ou ao responsável pelo mesmo, em um am­bien­te vir­tual de trabalho colaborativo.

 

 

 

O que compõe o sistema?

Para melhor com­preen­são podemos dividi-​lo em dois grandes grupos de funções, três módulos de soft­wares e cinco funções de hard­ware. Lembrando que, de um fornecedor para ou­tro, essas divisões podem se alterar, mas de modo geral estarão próximas a este modelo.

Funções

Ge­ren­cia­men­to: Dentro do soft­proof é possível gerir os clien­tes, definindo os seus di­rei­tos de acesso por tipos ou hie­rar­quia de trabalho. É tipicamente usada por quem executa a prova, isto é, as gráficas, agên­cias de anún­cios, bu­reaus e editores que querem tornar suas páginas aces­sí­veis para prova e revisão remota. Por trabalhar com pri­vi­lé­gios de acesso, garante que somente pes­soas envolvidas e com permissão podem vi­sua­li­zar o trabalho e só poderão executar o que for autorizado.

Revisão: Razão de ser do soft­proof, permite ao clien­te ver seu trabalho em qualquer local através de um provedor web padrão. O ma­te­rial é visto em alta resolução, mesmo com arquivos grandes, a interação ocorre em tempo real e em um chat — parecido com o MSN — com espaço para anotar as correções ne­ces­sá­rias na página, como se fosse o overlay da prova física. O revisor pode rabiscar e escrever suas observações, pois tudo o que faz está em uma camada (overlay digital) sobre o arquivo original. Aqui ele possui ferramentas para verificar cor (conta gotas), solicitar correção de texto, medir dis­tân­cias, ver cor por canal, am­pliar detalhes e acio­nar o chat para o am­bien­te colaborativo. Nesse am­bien­te, tudo o que é fei­to no monitor do clien­te/revisor é visto também pelo fornecedor ou ou­tra pessoa envolvida no projeto e pre­via­men­te au­to­ri­za­da. Portanto, aspectos técnicos e que possam cau­sar problemas durante a impressão serão discutidos.

Dentro do status de aprovação de páginas, tudo o que é fei­to ou des­fei­to é guardado em um log de usuá­rio, permitindo em caso de di­ver­gên­cias identificar onde e porque aconteceram. Não há como dizer que algo não foi pedido, se no histórico consta a solicitação.

Módulos de soft­wares

Módulo de acesso externo: É essa porta que dá acesso ao sistema interno de processamento, ou engine, a partir de um navegador padrão externo. Esse módulo pode ser instalado na DMZ quando condições críticas de segurança são solicitadas. Caso contrário, em qualquer ou­tra máquina que os clien­tes possam ter acesso.

Módulo de processamento (engine): Módulo utilizado para rasterizar as páginas que serão disponibilizadas na Internet.

Servidor de usuá­rios: Como o nome já diz, trata-​se do servidor de usuá­rios. Aqui se faz a cria­ção de usuá­rios, a administração de permissões e regras para os mesmos.

Estes módulos podem ser instalados juntos, em uma mesma máquina, ou separados.

Funções de hard­ware

Essas funções devem ser es­ca­lo­ná­veis para prever au­men­to de volume de produção e de processamento, podendo, inclusive, em alguns casos, com exceção do equipamento do clien­te, estarem presentes em uma única máquina.

Equipamento do clien­te: Computador com navegador padrão responsável por conectar-​se com o servidor de provas e apresentá-​las no monitor. Es­pe­cial atenção deve ser dada ao monitor do clien­te, pois, se o objetivo é obter provas com qualidade de cor, ele deve estar calibrado, bem como ao am­bien­te em que está inserido para se garantir total fidelidade de cor. Existem monitores de alto desempenho encontrados no mercado bra­si­lei­ro para esse fim. Alguns sistemas de soft­proof verificam se o monitor do clien­te está calibrado, qual perfil está sendo usado e, caso o tempo de calibração estiver expirado, pedem uma recalibração. Se essa solicitação não for obedecida, a validação da prova pode não ser permitida.

Computador da interface de acesso externo: Aqui fica alocado o módulo que dá acesso ao sistema, a partir de um navegador externo; por questão de segurança pode ficar na DMZ.

Computador master: Responsável por executar o módulo de processamento (engine), todas as funções ne­ces­sá­rias do sistema e en­viar arquivos para os slaves (sistemas que servem a ou­tro computador que está conectado a ele em ligação distante).

Computadores slaves: Recebem os arquivos en­via­dos pelos masters, rasteriza-​os e os envia para a exibição na web.

Data Server: É a máquina responsável por armazenar arquivos e dados para processamento.

Aplicações

Podemos enxergar três grandes aplicações para o soft­proof: provas de páginas, provas de espelho e provas de imposição.

Provas de páginas (page ­proof): São as soluções que mais se encontram no mercado, cada uma com suas vantagens e desvantagens. Aqui, o importante é saber qual o nível de consistência e integração com o workflow, pois uma página aprovada pode au­to­ma­ti­ca­men­te entrar em produção ou mesmo em seu lugar em uma imposição de­pois de aprovada. Pode e deve mostrar em seu relatório o preflight dos arquivos, bem como permitir sua validação para produção.

Provas de espelho (flatplan): Visam controlar o fluxo produtivo de um impresso, em que estágio estão as páginas, quantas aprovadas, quantas em aprovação, se será necessário alterar ordem de página e ou­tras tarefas mui­to comuns em produção de revistas, livros e embalagens.

Provas de imposição (vir­tual book­let): Con­cei­to mais recente, mas já com uma ampla va­rie­da­de de soluções e possibilidades, di­fe­ren­cian­do-​se por aplicabilidade e capacidade de integração com workflows e ou­tros sistemas. Aqui, temos uma revista ou um livro vir­tual, em que se pode virar páginas e fazer a conferência de texto, posição de página, compensações de páginas e ou­tros.

Neste artigo, nos ateremos às pages ­proof.

Desafio: Tornar a imagem do monitor igual ao impresso
Para garantir que os sistemas de prova vir­tuais ­atuem como provas de páginas, é preciso buscar previsibilidade, consistência e coe­rên­cia de impressão, considerando o tipo de papel, o processo, os insumos e ou­tras va­riá­veis para que se obtenha uma prova, em monitor calibrado, con­fiá­vel. Dessa forma, é possível economizar tempo e recursos, algo que torna os preços, hoje quase sem margem de lucro, mais competitivos.

Como fun­cio­nam as provas de páginas
1. O clien­te/revisor, res­pei­tan­do seus di­rei­tos de acesso, recebe um e-​mail com um endereço de Internet (URL) e uma senha. Na pri­mei­ra vez em que isso ocorre, pode ser solicitado ao clien­te que permita a instalação de algum applet (pequeno programa escrito em linguagem Java para ser inserido numa página da web), um programa ou a alteração de algumas configurações de seu navegador (browser), bem como, que calibre seu monitor. De­pois disso, o clien­te estará acessando os arquivos armazenados em uma pasta pré-​definida no servidor.

Os soft­wares apresentam a possibilidade de ver a imagem em alta resolução e am­plia­da, de forma mui­to rápida. Cada fabricante apresenta sua solução para essa questão, mas, de um modo simplista, quando o clien­te/revisor solicita uma página, ela é mostrada no monitor pelo navegador. A cada zoom dado pelo usuá­rio é en­via­da uma solicitação ao engine, que rasteriza somente aquela parte da imagem em alta resolução e esta é reenviada ao browser. Isso garante que o usuá­rio possa verificar um detalhe da página am­plia­da em alta resolução e sem demora. Como apenas a parte se­le­cio­na­da do arquivo é transferida, esse tempo é pequeno mesmo em arquivos grandes.

2. Durante a revisão ocorre a interação de aprovação ou, quando problemas são detectados na página, o usuá­rio pode então inserir notas explicando as correções. Elas serão en­via­das para o servidor em tempo real e também armazenadas em um arquivo de log para pos­te­rior referência. Como vá­rios usuá­rios podem trabalhar em uma página ao mesmo tempo, cada um insere suas observações, que não podem ser editadas por ou­tros usuá­rios. As anotações são mantidas separadas em um arquivo XML e o arquivo original é dei­xa­do inalterado, fun­cio­nan­do como overlay vir­tual.

Existe, em alguns sistemas, a possibilidade de notificação au­to­má­ti­ca. Nesse caso, quando algum status de página é alterado, novas páginas ou versões estão dis­po­ní­veis e o usuá­rio com esse privilégio recebe uma notificação au­to­má­ti­ca por e-​mail ou no chat solicitando seu parecer.

3. O usuá­rio pode ­criar uma sessão de revisão e convidar ou­tros usuá­rios para participar dela. Todos os participantes na sessão podem inserir as suas pró­prias observações, que serão exibidas em tempo real a todos os vir­tual­men­te presentes, podendo se comunicar através do utilitário do chat. Assim, quando um usuá­rio move ou amplia a página, a imagem é alterada para todos os participantes para que possam ver claramente sobre o que estão discutindo.

Outras fun­cio­na­li­da­des

 

1. Ge­ren­cia­men­to de cores. O ICC pode ser atri­buí­do a documentos ou di­re­tó­rios. Na revisão de documentos é possível escolher um monitor, um documento e um perfil de simulação. Quan­do não existe um perfil especificado, o sistema usa um pré-​definido ou pode ser cria­do um novo perfil com instrumentos adequados e pro­fis­sio­nal qualificado. Se necessário, pode-​se fazer o down­load do arquivo e imprimir em papel uma prova remota.

2. Gestão de aprovação.
O objetivo final é otimizar a aprovação ou não da prova e para esse fim podem existir sistemas de gestão e au­to­ma­ção de provas.

Pode-​se ge­ren­ciar um processo de aprovação através da definição dos documentos que deverão ser aprovados, dos usuá­rios que estarão au­to­ri­za­dos a aprovar, e, finalmente, pela definição de status de aprovação exigido para cada documento. Por exemplo, um editor de revista tem prerrogativa de aprovar ou re­jei­tar todas as páginas da revista sob seus cui­da­dos e, enquanto ele não aprovar todas as páginas do arquivo, essa revista não será liberada para finalização.

Uma configuração de aprovação pode ser anexada aos di­re­tó­rios (pasta), o que significa que os documentos in­cluí­dos necessitarão de aprovação e seguirão a rotina configurada. A configuração de aprovação pode in­cluir sofisticadas regras e definir ­quais usuá­rios são permitidos e ne­ces­sá­rios para aprovar um documento. Um arquivo pode ser par­cial­men­te aprovado se a regra define que vá­rios usuá­rios devem aprová-​lo e apenas alguns deles o tenham aprovado até o momento.

Um e-​mail de notificação pode ser en­via­do au­to­ma­ti­ca­men­te para os usuá­rios quando um documento requer homologação e aprovação ou quando o seu status é alterado.

3. Automação do ciclo de aprovação via JDF
. Um ciclo de aprovação ba­sea­do em JDF permite que qualquer sistema compatível possa ini­ciar um ciclo de aprovação au­to­ma­ti­ca­men­te.

Isto fun­cio­na da seguinte ma­nei­ra:

  • O soft­proof recebe um arquivo JDF e cria au­to­ma­ti­ca­men­te uma estrutura de diretório contendo os documentos para aprovação.
  • Com base nas informações in­cluí­das no arquivo JDF, cria au­to­ma­ti­ca­men­te os usuá­rios ne­ces­sá­rios para aprovar os documentos e as notas já anexadas a estes.
  • Cada usuá­rio necessário para a aprovação recebe uma notificação por e-​mail.
  • Cada vez que um documento é aprovado ou re­jei­ta­do, o workflow que originou a solicitação em JDF recebe uma notificação.
  • Quan­do o último documento está aprovado ou re­jei­ta­do, toda a estrutura de di­re­tó­rios e todos os elementos cria­dos au­to­ma­ti­ca­men­te após a recepção do arquivo JDF são removidos do servidor.
  • Toda a cria­ção e remoção do am­bien­te de aprovação JDF é transparente para os usuá­rios. Eles recebem apenas uma notificação exigindo a sua aprovação ou re­jei­ção dos documentos.


Considerações fi­nais

Barra de controle
Conforme sa­lien­ta­do pela organização SWOP, cada arquivo em um sistema de soft­proof deve in­cluir uma barra de controle de cor, como a GATF/SWOP Proo­fing Bar. No mínimo, essa barra deve conter as cores pri­má­rias sólidas e duas cores em overprint, bem como ­­áreas de 25%, 50% e 75% de 133 lpi em cada uma das cores de processo. Outras ­­áreas com 1%, 2%, 3%, 5% e 95%, 97%, 98%, 99% podem ser particularmente ­úteis para provas di­gi­tais.

Área de trabalho
A luz am­bien­te na sala em que ficará o monitor calibrado deve ser controlada. Isso significa que o espaço deve ser livre de qualquer parede com cores fortes e/ou objetos que possam afetar negativamente a visão periférica do usuá­rio. A iluminação am­bien­te não deve va­riar mui­to em brilho ou temperatura de cor (por exemplo, em diferentes momentos do dia e/ou ano).

Ideal­men­te, a sala deve ser pintada em cor cinza neu­tro e iluminada por uma lâmpada do tipo D5. Nesses casos, é também necessário que a iluminação seja verificada pe­rio­di­ca­men­te quanto à real temperatura de cor para neu­tra­li­zar os efei­tos que a lâmpada sofre com o tempo. A área de analise de cor do monitor deve ser protegida da invasão de luz incidente ou refletida e mantida a pelo menos um metro de distância das paredes.

Analisando hardcopy e soft­proof

Quan­do o arquivo é vi­sua­li­za­do no monitor, em comparação com o mesmo arquivo impresso em uma folha em uma cabine de controle, o usuá­rio deve garantir que o ângulo de visão para a folha seja o mais perto possível do ângulo de visão vi­sua­li­za­do no monitor. Na melhor si­tua­ção, o es­pe­cia­lis­ta deve ver tanto o monitor quanto a prova física de frente. Com isso, ao observar ­­áreas específicas na prova física e compará-​las com o monitor, o usuá­rio será capaz de perceber nas duas provas, monitor e papel, a correspondência de cores.

Devido à natureza ­atual da tecnologia de monitores LCD, não é possível fazer correspondência entre a saí­da de luz de um monitor (ou seja, o valor ANSI Lumen) para a iluminação de uma cabine de vi­sua­li­za­ção. Conseqüentemente, o brilho do monitor deve ser ajustado para o seu ponto máximo, enquanto o brilho da cabine é cui­da­do­sa­men­te ajustado de modo a corresponder, o mais próximo possível, à iluminação do monitor.

Uma ma­nei­ra fácil de fazer essa calibração por comparação é dar zoom em uma área branca (papel) do arquivo e dessa forma encher completamente a tela do monitor com o “branco do papel”. Isso permitirá que o usuá­rio, em seguida, reduza a intensidade luminosa da cabine, igualando vi­sual­men­te com luminosidade do monitor.
Para download da Cartilha de Provas Digitais clique aqui.

Flavio Costa é gerente técnico comercial da Electronic Imaging Integration, representante da Dalim SoftWare

Texto publicado na Edição 65