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As retículas de impressão, ponto a ponto Imprimir E-mail
Escrito por Ana Cristina Pedrozo Oliveira   
Qua, 06 de Julho de 2011

Ilusão de ótica? Sim, cons­truir imagens coloridas utilizando quatro tintas dis­tri­buí­das em quantidades diferentes por meio de pontos parece incrível! Pois, como sabemos, é dessa forma que conseguimos trazer para os materiais impressos as fotos que tanto fascinam os consumidores das peças gráficas.
Ob­via­men­te podemos reticular também as cores es­pe­ciais, como as produzidas por meio da escala Pantone, au­men­tan­do assim a quantidade de cores resultantes. Porém, mais do que reproduzir cores, as retículas são respon­sá­veis por características importantes no resultado final do impresso.
Analisando as imagens impressas, podemos notar que, quanto ­maior o número de pontos, ­maior é o detalhamento da foto. Mas esse ra­cio­cí­nio não deve ser visto de forma tão simplista.
O au­men­to na quantidade de pontos de uma determinada reprodução esbarra nos limites técnicos dos sistemas de impressão. Em todos existem tamanhos mínimos de geração do ponto na matriz. Sendo assim, se essa referência não for res­pei­ta­da, a imagem terá um resultado inverso ao esperado, ou seja, os detalhes irão desaparecer, ao invés de tornarem a imagem mais nítida. Da mesma ma­nei­ra, o atrito gerado no momento da impressão deve ser considerado. Alguns pontos, de tão pequenos, acabam desaparecendo.
Outro fator mui­to importante é o substrato que receberá a tinta durante o processo. Quan­to mais poroso, mais absorvente será. Portanto, se o ponto de retícula for mui­to pequeno, acabará au­men­tan­do de tamanho, juntando-se aos pontos adjacentes. O resultado final será um grande borrão. Bem distante do que queremos quando reproduzimos imagens nos nossos impressos. O ­ideal é gerar a quantidade de pontos de retícula compatível com a absorção do substrato, através do controle dos valores de li­nea­tu­ra.
Utilizada na grande maio­ria dos ma­te­riais impressos, a retícula con­ven­cio­nal, conhecida também como li­near ou ain­da AM (Amplitude Modulada), possui os pontos de tamanhos diferentes, os ­quais estão dispostos em linhas. É possível controlar a quantidade dos pontos determinando a li­nea­tu­ra, medida em lpi (linhas por polegadas) ou lpc (linhas por centímetro), além de escolher o po­si­cio­na­men­to desses pontos, determinando a angulação em que estão dispostos, sendo o padrão amarelo 90°, magenta 75°, preto 45° e cyan 15°. Essas angulações podem ser alteradas para obter diferentes resultados, além de depender do sistema de impressão em que o ma­te­rial está sendo reproduzido (1).


O que acontece é que, mesmo com os controles men­cio­na­dos an­te­rior­men­te, temos uma formação li­near na mudança dos tons, pela própria disposição dos pontos. Não é raro enxergar “de­graus” ou mudanças bruscas de tons em gra­dien­tes. Para resolver problemas desse tipo, algumas formas diferentes de reticulagem foram introduzidas na reprodução das imagens.

Retícula estocástica
Conhecida também como FM (Frequência Modulada), não possui diferença no tamanho dos pontos, dis­tri­buí­dos de forma alea­tó­ria. Foi trazida para o Brasil pela ABTG em 1993 por meio do Projeto HiFi Color, com coordenação de Fernando Pini, então diretor de tecnologia da ABTG, na tentativa de au­men­tar o nível de detalhamento das imagens reproduzidas, eliminar o moi­ré (de­fei­to resultante da angulação incorreta dos pontos) e obter cores de alto impacto, conforme informação disponível no site da entidade. Porém, as gráficas tinham de­fi­ciên­cias es­tru­tu­rais que im­pe­diam a obtenção de dados ajus­tá­veis e cria­ção de padronizações importantes para o uso da retícula estocástica. Sem contar o fato de que na época o fotolito era o único meio para geração da matriz de impressão. A utilização de sistemas de gravação digital (CtP) trou­xe uma nova oportunidade para a utilização dessa retícula (2).


Pela exigência de repetibilidade e fidelidade na reprodução das cores, atual­men­te as empresas de embalagens são as mais be­ne­fi­cia­das pelo uso da retícula estocástica, devido à evolução das tec­no­lo­gias de impressão, os controles do fluxo de trabalho e as normatizações dos processos.

Retícula híbrida
Com o grande fluxo de ma­te­riais e a necessidade de processos cada vez mais produtivos e que garantam uma estabilidade na qualidade final, foi desenvolvida uma nova tecnologia de reticulagem que corrige os problemas da retícula li­near e diminui a sensibilidade a va­ria­ções do processo da estocástica: a retícula híbrida (3).


Essa reticulagem é gerada de forma inteligente, misturando a retícula li­near e a estocástica por meio de um algoritmo. O RIP que possui essa tecnologia ras­treia o ma­te­rial a ser impresso e aplica a retícula estocástica nas áreas de destaque e a li­near nos tons mé­dios, permitindo assim grande qualidade de impressão na transição das cores e controle dos grisês, além de um ganho significativo de detalhamento nas imagens.
As retículas híbridas pos­suem nomes co­mer­ciais dependendo do sistema de workflow. A Povareskim, por exemplo, co­mer­cia­li­za a iTone, que, segundo a empresa, consegue economizar até 20% do consumo de tinta no processo produtivo. A ­Screen disponibiliza a Spekta, enquanto que a retícula híbrida da Agfa é denominada de Sublima. A Hei­del­berg dispõe da reticulagem híbrida no sistema de fluxo de trabalho Prinect. Todos os fabricantes garantem que a qualidade da imagem reproduzida com essa retícula tem um alto ganho de detalhamento (4).


Vá­rios produtos gráficos podem se be­ne­fi­ciar da utilização desse tipo de retícula, destacando-se os que pos­suem ­maior número de fotos com alto nível de detalhamento, como catálogos de moda, bebidas e ­joias, revistas de arte e embalagens sofisticadas. O mercado na­cio­nal permanece na experimentação da retícula estocástica. Mui­tas das gráficas entrevistadas con­ti­nuam utilizando a retícula li­near, bastante conhecida pelos impressores pela facilidade no uso. Algumas estão implantando a retícula estocástica em função dos investimentos em novos equipamentos, adoção de procedimentos normatizados e sistemas de qualidade, itens in­dis­pen­sá­veis para utilização de retículas mais sofisticadas.

Ana Cristina Pedrozo Oliveira é produtora gráfica da Fábrica de Ideias Comunicações e ministra treinamentos em instituições como Senai, ABTG, Dabra, Bytes & Types e GraphWork, além de prestar consultoria em empresas por todo o Brasil.

Texto publicado na edição nº 78