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A importância estratégica da visão dos recursos internos Imprimir E-mail
Escrito por José Pires de Araújo Júnior   
Ter, 17 de Maio de 2011

A preo­cu­pa­ção das gráficas em manter a competitividade vem sendo alvo de discussão em diversos ní­veis e as as­so­cia­ções de classe e a área acadêmica não estão fora dessa discussão. A grande questão é: qual o caminho a ser tomado e que es­tra­té­gias são efi­cien­tes para superar os concorrentes e se estabelecer uma vantagem competitiva sustentável? Este artigo não pretende encerrar a discussão, mas tentará mostrar alguns caminhos possíveis e viá­veis dentro da rea­li­da­de bra­si­lei­ra, na qual vivemos um momento econômico favorável. Nossa si­tua­ção difere da de alguns paí­ses da Europa e do próprio Estados Unidos, onde a crise de 2008 foi mais rigorosa forçando as nações a socorrer as empresas, amargando um déficit que põe em risco a sua estabilidade econômica e política, contaminando seus vizinhos.
Os paí­ses que formam o chamado Bric estão sendo considerados a “Meca dos investidores” devido às oportunidades que oferecem, com riscos relativamente bai­xos. Essa si­tua­ção é ambígua. Ao mesmo tempo em que nossas reservas au­men­tam e grandes conglomerados têm como foco o mercado bra­si­lei­ro, nossas empresas vêm passando por problemas de competitividade. Esse quadro se agrava para o segmento gráfico. Apesar de sermos referência na área técnica, com reconhecimento in­ter­na­cio­nal dos serviços e produtos gráficos, nossa gestão precisa se preparar melhor para a nova onda de competição.

Dados econômicos
O estudo dos dados econômicos do segmento nos ajuda a com­preen­der melhor as razões que levaram o mercado gráfico a ter problemas de gestão.
Mais de 96% das gráficas bra­si­lei­ras são de pequeno e médio porte. Isso nos leva a crer que tais empresas enfrentem dificuldades na contratação de colaboradores com uma formação ge­ren­cial adequada. O gráfico do perfil escolar do fun­cio­ná­rio do setor traz informações relevantes para entendermos melhor as dificuldades no sentido de melhorar a gestão das empresas, mas também explica a qualidade técnica que é identificada pelo mercado. É importante notar que 51% dos empregados na indústria gráfica têm o segundo grau completo e apenas 8% têm curso su­pe­rior completo.
Segundo a revista inglesa The Economist, o Brasil é um dos paí­ses que mais deve crescer nos próximos anos. Alguns economistas, tanto do Brasil quanto es­tran­gei­ros, acreditam que o País deve ter um crescimento mui­to grande nos próximos 10 anos por conta da estabilidade econômica e do crescimento do mercado chinês.
Se por um lado temos uma visão favorável na conjuntura econômica, por ou­tro temos de entender que existirão mais concorrentes no mercado e em es­pe­cial no setor gráfico. Vale lembrar que no Brasil existem duas desvantagens competitivas para as empresas: o impacto fiscal e os problemas de in­fraes­tru­tu­ra.

Como se preparar para um futuro incerto
A melhor ma­nei­ra de se preparar para o futuro é planejar estrategicamente os caminhos que a empresa deve trilhar para ter lucro e manter-se competitiva. Vá­rios au­to­res condenaram no passado o planejamento estratégico porque ele nunca era seguido, o que não dei­xa de ser uma verdade. Porém, tudo era planejado sem o envolvimento das equipes, além de não dei­xa­rem claro quem eram os res­pon­sá­veis pela parte ope­ra­cio­nal. Os investimentos eram fei­tos de ma­nei­ra errada, a partir de cri­té­rios equivocados.
Segundo o escritor norte-​­americano Alvin Toffler, “ou você tem uma estratégia própria, ou então é parte da estratégia de alguém”. Partindo dessa afirmação, precisamos pensar em planejar o futuro de ma­nei­ra cri­te­rio­sa, com foco no negócio da nossa empresa.
De acordo com o pai da administração moderna, Peter Drucker, “o planejamento não é uma tentativa de predizer o que vai acontecer. O planejamento é um instrumento para ra­cio­ci­nar agora sobre que trabalhos e ações serão ne­ces­sá­rios hoje, para merecermos um futuro. O produto final do planejamento não é a informação: é sempre o trabalho”.
Mas quem vai ajudar o empresário a pensar o futuro da gráfica? E mais, como será a sucessão na empresa gráfica, principalmente nas empresas fa­mi­lia­res? Essas questões estão tirando o sono de mui­tos em­pre­sá­rios que passam por tal si­tua­ção.
O caminho é a pro­fis­sio­na­li­za­ção dos cargos de gestão, trazendo e mantendo na empresa pes­soas que estejam preparadas para entender os movimentos de mercado e que tenham capacidade para responder de ma­nei­ra rápida a essas mudanças.
Se tomarmos como exemplo grandes grupos bra­si­lei­ros como Votorantim e Itaú, veremos que estes buscam nas melhores faculdades de Administração, Economia, Engenharia e Ciên­cias Con­tá­beis seus futuros executivos. Elas sabem que, apesar de esses alunos ou recém-​­formados terem uma boa formação, esse conjunto de conhecimentos, como não poderia dei­xar de ser, é genérico, uma vez que os mercados são diversos. Os novos colaboradores não estão prontos para ­atuar como executivos, pois precisam aprender sobre os ne­gó­cios das empresas ou grupos. Dessa necessidade de ensinar os novos colaboradores e aprimorar os conhecimentos dos gestores da empresa é que nasceram as universidades corporativas.
Tal esforço vem apresentando resultados importantes para os grupos em­pre­sa­riais, trazendo vantagem competitiva sustentável para o mercado interno e, em mui­tos casos, para o externo.

Os próximos executivos da indústria gráfica brasileira
A indústria gráfica bra­si­lei­ra tem características mui­to específicas que devem ser consideradas para o desenvolvimento de uma estratégia que busque vantagem competitiva sustentável. Sobretudo pelo fato de termos mais de 90% de empresas fa­mi­lia­res de pequeno e médio porte, em sua maio­ria calcada exclusivamente na estratégia da competição por preço.
Vale lembrar que mesmo no mercado gráfico há modelos de ne­gó­cios que inovaram sem passar ne­ces­sa­ria­men­te pelo investimento em maquinário, e sim através de soluções para os clien­tes, como, por exemplo, logística e ge­ren­cia­men­to de ativos in­tan­gí­veis. Mas essa nova ma­nei­ra de pensar estrategicamente a gráfica necessita de um recurso mui­to importante: pes­soas.
Tal necessidade já está clara para boa parte das gráficas, rea­li­da­de identificada em uma pesquisa que foi rea­li­za­da com os alunos da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Perfil de empregabilidade dos alunos que iniciam o curso de Tecnologia em Produção Gráfica
O gráfico mostra que 68,63% dos alunos que entram no pri­mei­ro semestre do curso su­pe­rior já trabalham na indústria gráfica e, portanto, trazem consigo um saber do mundo gráfico.
Levantamentos fei­tos semestralmente para o Índice de Qua­li­da­de do Senai mostram que mais de 90% dos alunos do 8‒º semestre estão trabalhando dentro do segmento. E é neste semestre que os alunos apresentam o seu trabalho de conclusão, no qual fazem uma consultoria para resolver um problema real dentro de uma gráfica.
Esses trabalhos são ava­lia­dos por uma banca de professores, em­pre­sá­rios e es­pe­cia­lis­tas do mercado gráfico ou dos seus fornecedores, que questionam e criticam os trabalhos, ajudando no crescimento pro­fis­sio­nal dos alunos.
O gráfico ao lado mostra a dis­tri­bui­ção geral dos alunos da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica e apresenta uma visão geral da ocupação pro­fis­sio­nal dos alunos do 1º até o 8º semestre, mostrando que 92% já atua no segmento. Dos 8% que não estão na área, vá­rios trabalham para os fornecedores do setor.
A competição vem au­men­tan­do cada dia mais. O que vai manter a empresa viva e crescendo é, sem dúvida, uma boa estratégia para atender o clien­te de ma­nei­ra a transformá-lo em um par­cei­ro. É necessário identificar quais recursos são estratégicos para a empresa. Com certeza, os recursos humanos devem ser tratados como tal. Trabalhar os recursos humanos de uma empresa pode assegurar um di­fe­ren­cial competitivo sustentável.
Perder um colaborador preparado é o pesadelo de diversas empresas de grande porte, porque elas sabem da importância das pes­soas motivadas e preparadas. Portanto, pense:

  • Qual é o meu negócio?
  • Quem é o meu clien­te?
  • Que tipo de colaborador eu preciso para atingir os meus objetivos?
  • Como farei para manter e motivar os meus colaboradores?

Essas questões são fun­da­men­tais para quem pretende pensar em desenvolver um bom planejamento, possibilitando à empresa crescer e prosperar em um mercado competitivo.

José Pires de Araújo Junior é formado em Administração de Empresas, pós‑graduado em Mar­ke­ting e mestrado em Administração. É professor da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

Texto publicado na edição nº 77