home > Produção Gráfica > O produtor gráfico pós-moderno
twitter
Banner Facebook

Parceiros

O produtor gráfico pós-moderno Imprimir E-mail
Escrito por Carlos Suriani   
Sáb, 01 de Novembro de 2008

Produção gráfica é a capacidade de materializar uma idéia criativa, estando em contato com formas, cores, estilos, materiais e tendências, dentro de um layout – conceito aplicado a um desenho.

Antigamente, o profissional de produção gráfica em uma agência de publicidade, dividia seu tempo produtivo basicamente entre a pré-impressão (acompanhando a fotocomposição dos trabalhos, marcação de cor, confecção de filmes limpos e provas de prelo) e o acompanhamento de produção, selecionando fornecedores, negociando preços, visitando e avaliando suas competências e pontualidade. Relegado ao quartinho dos fundos, o produtor gráfico encontrava-se muito distante do cliente, sendo as áreas de criação e atendimento suas únicas fontes de informações.

Esse quadro começou a ser alterado quando grande parte da aquisição de produtos gráficos passou a ser feita através dos departamentos de compras e/ou de marketing das empresas. As mudanças na atividade do produtor gráfico se intensificaram, também, com a difusão da tecnologia digital e a automação, cortando operações “braçais”, que consumiam muito tempo.
Com processos de pré-impressão mais simples, baratos e, por conseqüência, mais democráticos, muitas gráficas e bureaus começaram a prestar os serviços que o produtor tradicionalmente executava, diminuindo assim a necessidade de ter um produtor gráfico para acompanhar os trabalhos.


Novos rumos

Mas, aos poucos, podemos observar uma mudança nos rumos da produção gráfica. A mesma revolução tecnológica que trouxe facilidades às empresas, logo depois provocou complexidade: Surgem novas possibilidades que o mercado jamais imaginara.

Hoje, é possível combinar e utilizar os meios de comunicação como a Internet, impressão, telefonia móvel e TV em uma única campanha. O marketing deixou de ter a divisão tradicional de Above the Line (ações voltadas para a grande mídia) e Bellow the Line (direcionadas aos canais não tradicionais). Ações que antes eram consideradas menos importantes, hoje são bem-vindas graças ao advento da tecnologia. As agências de publicidade não desprezam nenhum meio de comunicação e montam campanhas sob medida, de acordo com a necessidade do cliente.

Quando os clientes perceberam que não precisavam ficar presos a modelos antigos de comunicação, começaram a desafiar suas agências a buscar alternativas. Esses novos canais de comunicação, ainda pouco explorados, demandam mais cuidados, tempo e planejamento para se veicular. Nesse momento, o produtor gráfico é mais uma vez convocado a ajudar na seleção e acompanhamento dos novos fornecedores, que surgem com novas tecnologias.

Só um profissional bem atualizado sabe diferenciar os diversos tipos de impressão e pode selecionar rapidamente o fornecedor mais adequada.Outra atribuição do produtor gráfico pós-moderno é o conhecimento básico em pré-impressão, como fechamento de arquivo, softwares de imposição e softwares como Illustrator, Photoshop e InDesign. Esses conhecimentos são úteis na prevenção de problemas, que muitas vezes passam despercebidos por parte dos criativos e só são notados na boca da máquina, quando o prazo já está estourado. O produtor gráfico deve agir preventivamente, orientando a criação e mostrando como montar um arquivo com mais qualidade.

Mas uma nova e nobre missão do produtor gráfico é a orientação do atendimento das agências. O atendimento possui grandes conhecimentos de marketing, mas é muito carente de informação técnica e não faz idéia de como os materiais são produzidos. Muitas vezes prometem prazos absurdos, indicam soluções inviáveis a seus clientes, na hora de produzir, muitos trabalhos não saem de acordo e nada pode ser mudado, por falta de tempo. O produtor deve promover e orientar o intercâmbio entre o atendimento da agência e os fornecedores.

Crossmedia

A utilização de forma integrada de meios de comunicação (crossmedia) exige uma nova atitude do produtor frente à diversidade de fornecedores que deve ser selecionada e administrada. Diante desse novo cenário, mais diversificado e multidisciplinar com tecnologias e processos específicos, surge o novo produtor gráfico, capaz de apoiar e conduzir os compradores de mídia. Para isso, ele deve possuir profundos conhecimentos de marketing e estar altamente capacitado para dialogar com clientes, contatos e diretores de arte das agências de publicidade.

O novo produtor, além de técnico, deve poder negociar e gerir de projetos. Com isso, a produção gráfica volta a ter o lugar de destaque que sempre mereceu, pois representa o elo de comunicação entre cliente, agência e fornecedores, assumindo o papel de coordenação.

O grande desafio

Mas além de ter bons conhecimentos de logística, selecionar com precisão os fornecedores, dialogar com clientes e direção de arte com conhecimento de causa, o produtor gráfico pós-moderno está diante de sua maior e mais desafiadora empreitada: produzir de forma sustentável todos os projetos que estão sob sua responsabilidade, provocando o menor impacto possível ao meio ambiente, para garantir a continuidade das futuras gerações.



Carlos Suriani, da Ogra Oficina Gráfica, é pós-graduando do curso Gestão Inovadora da Empresa Gráfica da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.
Agradecimentos Especiais: Sônia Pimentel, produtora gráfica da OZ Design; Cristiane Ramos, produtora gráfica da Bio Comm; e Flávio Prado, produtor gráfico da Fala!
.

Texto publicado na Edição 63