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Canon busca proximidade com o setor gráfico Imprimir E-mail
Escrito por Margareth Meza   
Sex, 01 de Agosto de 2008

Fundada no Japão em 1937 com o objetivo de produzir câmeras fotográficas, a Canon atua hoje na fabricação de vários outros dispositivos, como multifuncionais de impressão, lentes profissionais para broadcasting e equipamentos ópticos para aplicação na indústria de semicondutores.

O mercado de máquinas e soluções de impressão ganha, a cada dia, mais espaço no portfolio da empresa. Anualmente, a corporação aplica boa parte de seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento de maquinário que atenda ao setor gráfico de grandes formatos.

Para falar desse crescente interesse pela área, a revista Tecnologia Gráfica conversou com Ivan Kotchtchekoff, supervisor de marketing e produtos da Canon do Brasil. O profissional ingressou na multinacional em 1995 como técnico em copiadora. Em seguida, assumiu as funções de analista de suporte e também de treinamento, cargo ocupado até 2003, quando foi contratado pela Lexmark. No entanto, a permanência na concorrente durou apenas seis meses, já que Ivan retornou para a Canon como analista de produtos. Kotchtchekoff é formado em Desenho Industrial pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Além disso, é pós-graduado em marketing e atualmente cursa pós-graduação em Administração no Ibmec SP, instituição especializada em economia e negócios.

Diferentemente de empresas como HP, Xerox e Kodak, a Canon, apesar de sua força em tecnologia de impressão digital colorida, demorou em investir em modelos de alta produção que atendessem diretamente o setor gráfico. Por quê?
Ivan Kotchtchekoff
– A Canon se desenvolveu naturalmente. Nossa origem é o mercado de cópias e de equipamentos de pequeno porte, direcionados ao consumidor final. Aos poucos, começamos a investir em soluções voltadas às gráficas, mas com uma linha leve. Exemplo disso é a primeira impressora comercializada no Brasil, em 2001, que imprimia 105 páginas por minuto. Hoje, temos a solução tecnológica ideal.


O que fez a Canon olhar com mais atenção para esse setor a partir de 2005?
IK
– Temos um portfolio completo e esse é o ponto principal. Além disso, há grande quantidade de gráficas e concorrência menos acirrada entre os fabricantes se comparada com o varejo. A Canon considera, por exemplo, três empresas concorrentes diretas para a imagePress C7000, fator extremamente positivo para nosso desenvolvimento.


Qual é a expectativa da Canon em relação ao crescimento da impressão digital no mundo nos próximos anos?
IK
– Mundialmente, as perspectivas são muito boas. No Brasil, a técnica cresce aos poucos. De qualquer forma, acredito que ocorrerá um posicionamento de mercado, ou seja, o offset e o formato digital absorverão trabalhos diferentes e não ocorrerá, a curto prazo, a eliminação dos métodos empregados atualmente.


No universo da impressão digital dentro da Canon mundial, o que representa, hoje, a impressão de altos volumes, voltada ao setor gráfico? Pode ser considerada uma área significativa? Qual sua participação no faturamento global da companhia? E no Brasil?
IK
– Não possuo essa informação. No Brasil não tenho dados exatos porque contamos com uma rede de revendas. Entretanto, os artigos gráficos têm boa representatividade para a Canon, mas não especificamente no segmento e sim no print-for-pay, mundo corporativo e publicitário. No campo gráfico, estamos no início de uma participação significativa.

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Quanto foi investido pela Canon, em 2007, em pesquisa e desenvolvimento nessa área?
IK
– Em 2007, a companhia investiu quase US$ 4 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, sendo que aproximadamente 30% desse valor foram aplicados em tecnologia digital. Para se ter idéia, a máquina em que mais investimos até hoje foi a ImagePress C 7000VP, exposta na Escola Senai Theobaldo De Nigris.


Qual é, atualmente, a performance de mercado da C7000VP? Quantas unidades foram vendidas no mundo desde o seu lançamento, em meados de 2007? E no Brasil?
IK
– No mundo, já vendemos muitas, mas não posso fornecer o número exato. No Brasil comercializamos algumas e estamos satisfeitos. Estamos realizando mais negociações, mas se trata de um equipamento que possui ciclo de negócios extenso, pois requer testes e homologação por parte dos clientes.


Em linhas gerais, quais as características técnicas desse produto e seus diferenciais? Qual a tecnologia empregada? Existe integração com linhas de acabamento?
IK
– É um dispositivo que imprime 70 páginas por minuto sem perder a velocidade com altas gramaturas de papel. Possui sensores ultra-sônicos que detectam a entrada de duas folhas ao mesmo tempo, evitando obstruções. A qualidade do trabalho é similar à obtida pelo offset. É preciso ser um profissional experiente para detectar diferenças entre os dois sistemas. Quanto à integração com linhas de acabamento, estamos lançando um acessório opcional, o Perfect Binder, responsável pelo acabamento on-line de livros com até 200 páginas e lombada quadrada.


Dentro da Canon, a impressão de grandes formatos (plotters) é distinta da impressão digital colorida de altos volumes (modelos como a C7000VP)?
IK – Não. Trabalhamos de forma integrada, para oferecer soluções completas ao cliente. No momento, temos 10 produtos na linha de grandes formatos que não abrangem apenas o universo gráfico.


Quais foram os lançamentos da Canon na Drupa 2008?
IK
– Não fizemos lançamentos. Optamos por apresentar máquinas que serão lançadas no decorrer deste e do próximo ano. Uma delas é a imagePRESS C1+, que imprime 14 páginas por minuto em cores e possui um quinto toner, o chamado toner transparente (clear toner), com função semelhante à do verniz. Apresentamos ainda novidades em relação a softwares para que possamos oferecer recursos não apenas ligados a hardwares.


Como a Canon vê o mercado brasileiro? Quais as principais estratégias para a conquista de clientes na área gráfica?
IK
– É extremamente importante para nós, pois está em crescimento. Temos buscado nos aproximar através de associações, como a Abigraf, e ao patrocinar eventos focados em gráficas para expor nossa linha. Além disso, inserimos anúncios em revistas e realizamos trabalhos com assessoria de imprensa para a divulgação na mídia. A Canon precisa ser conhecida no universo gráfico, não queremos ser lembrados somente em função das câmeras fotográficas.


A venda de impressoras de altos volumes para o setor gráfico no Brasil é feita através de distribuidores? Quais são os principais?
IK
– Nosso esquema de trabalho é diferenciado. Não trabalhamos como alguns concorrentes, que possuem canais diretos de distribuição para as gráficas. Por enquanto, temos uma venda direta em São Paulo, delimitada a transações realizadas na capital. Para atender a outras regiões, contamos com um grupo de revendas. São mais de 40 em todo o País.


Uma das principais questões nas gráficas que vêm investindo em impressão digital é a geração de demanda. Existe na Canon um trabalho, ou ações voltadas para os clientes das gráficas?
IK – Trabalhamos com as gráficas para mostrar como estas devem atuar com os clientes e o que podem oferecer a eles. Outro foco é o GE-Digi, o grupo empresarial de impressão digital da Abigraf, no qual participamos de reuniões com outros fabricantes, gráficas e fornecedores de softwares para contribuir com a difusão de informações úteis ao mercado. Por fim, contamos com o apoio da EFI, que desenvolve os servidores de impressão dos equipamentos. Essa corporação nos ajuda nas ações de venda e na orientação aos gráficos.

Para saber mais:
www.canon.com.br


Foto: Roberto Loffel

Texto publicado na Edição 62