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A inclusão na produção de materiais gráficos Imprimir E-mail
Escrito por Vanessa da Silva Soares   
Qui, 23 de Dezembro de 2010

No projeto “Aplicação dos Fundamentos do Design Inclusivo na Produção Edi­to­rial com Enfoque nos Processos Gráficos”, apresentado por Stephanie G. Xa­vier e Vanessa S. da Silva Soa­res na última edição do Inova Senai, foram estudados aspectos como formato, dia­gra­ma­ção e cor com o objetivo de re­la­cio­nar necessidades específicas dos lei­to­res com os recursos técnicos que podem via­bi­li­zá-​­las nos ma­te­riais impressos. Para a apresentação do projeto foi elaborado um livro infantil, A Girafa Gigi, que contém em sua formatação diversos recursos que au­xi­liam seu ma­nu­seio, lei­tu­ra e interpretação.

Recursos técnicos: facilitadores da inclusão
O pri­mei­ro passo para ini­ciar um projeto inclusivo é definir seu con­teú­do. No caso, o livro A Girafa Gigi é composto de texto e ilustrações, sendo que entre esses elementos existe grande semelhança, o que possibilita ao leitor acompanhar a história através de um ou de ou­tro.

Formato
As editoras disponibilizam mui­tas opções de formatos de livro para o público infantil. Para esse projeto foi adotada a medida 225 × 260 mm (formato fechado), em que texto e ilustrações foram po­si­cio­na­dos de forma funcional e esteticamente agradável.
Sua encadernação por espiral exposta permite que o livro permaneça aberto. A utilização de dobras nas páginas (dobra francesa) faz com que tanto o lei­tor comum quanto o que possui bai­xa motricidade possam manuseá-lo com mais facilidade.

Diagramação
A disposição de texto e imagens no livro varia de uma página para ou­tra, de modo a impor ritmo à narrativa. A numeração é sublinhada a fim de destacar-se do bloco de texto.

Fontes
A fonte Sarakanda, desenvolvida pelo designer Alejandro Valdez Sanabria, foi aplicada ao texto, pois não contém serifas e possui em seus caracteres uma leve inclinação, que dá sentido à lei­tu­ra. A di­fe­ren­cia­ção nas terminações de seus caracteres tem o propósito de atender a crian­ças que pos­suem dificuldades de ler por serem portadoras de dislexia.
Fontes serifadas ou com efei­tos são um obstáculo para pes­soas portadoras de bai­xa visão e, embora seja aconselhada sua aplicação em blocos extensos de texto, vale a pena pesquisar fontes alternativas, que combinem aspectos sans e serif, como, por exemplo, a Lucida Ca­sual.
Os cui­da­dos com as fontes e os espaçamentos entre caracteres, palavras e parágrafos pode tornar o texto impresso compatível com a lei­tu­ra digital. A digitalização rea­li­za­da com escâner, com a opção OCR (Optical Character Re­cog­ni­tion) pode, pos­te­rior­men­te, ser interpretada por soft­wares como o BrasVox, que lê textos mostrados na tela do computador para pes­soas portadoras de
de­fi­ciên­cia vi­sual.

Transcrição braille
A transcrição do texto para brail­le é fei­ta con­ven­cio­nal­men­te por impressão de relevo seco. Uma alternativa que pode evitar a interferência da sobreposição da transcrição sobre o impresso comum (à tinta) é imprimir o brail­le com pigmento incolor, em impressoras plotter, ou com verniz fosco, na serigrafia.
Ainda na serigrafia é possível imprimir relevo na frente e no verso do papel, o que resulta no apro­vei­ta­men­to de ma­te­rial.


Esse sistema de impressão não cau­sa rupturas das fibras do substrato, como é comum no processo de impressão em relevo a seco, e pro­por­cio­na uma altura de toque para de­fi­cien­tes vi­suais em conformidade com as normas vigentes.

Ilustrações
As ilustrações do livro foram desenvolvidas com a intenção de que os ani­mais e am­bien­tes retratados fossem facilmente reconhecidos. As molduras que envolvem as ilustrações produzem a sensação de fechamento e con­ti­nui­da­de.

Cores
As cores aplicadas ao texto e às ilustrações foram definidas a partir da necessidade de se manter o contraste entre figura e fundo. A capacidade de distinção das cores pelo ser humano reduz naturalmente com a idade, sem contar que podem existir problemas congênitos como o daltonismo ou distorções provocadas por uso contínuo de medicamentos.
Os espaços de cor HSL e HSV au­xi­liam na escolha das cores por fornecer seus valores per­cen­tuais. O contraste de tom (exemplo: azul e amarelo) não é su­fi­cien­te para que isso ocorra. Para que exista uma diferença considerável entre uma cor e ou­tra, seus valores de saturação e iluminação devem ser diferentes (intervalo mínimo de 30 para mais ou para menos). Existem dis­po­ní­veis na internet filtros e soft­wares que convertem as cores das imagens, sendo possível então testar sua eficácia a partir de diferentes tipos de visão.


O filtro Vischeck pode ser acessado do site com o mesmo nome ou bai­xa­do para a pasta de filtros do Adobe Pho­to­shop. Outra opção é o soft­ware da Fujitsu, o Color Doctor, que fun­cio­na independente de ou­tros softwares. Essa função está disponível nos pacotes de aplicativo da Adobe a partir da versão CS4.

Contribuição e multiplicidade de conhecimento
Da cria­ção até sua finalização, o ma­te­rial impresso depende de um extenso fluxo de trabalho no qual colaboram diversos pro­fis­sio­nais. Em um projeto inclusivo são abordadas necessidades específicas, o que au­men­ta a responsabilidade para com a qualidade final do impresso.
Procedimentos como um ge­ren­cia­men­to de cores adequado, o fechamento do arquivo e sua impressão devem operar em um só nível de padronização. Isso porque a cada etapa do processo o ma­te­rial pode sofrer alterações que irão refletir em eficácia e na sua acei­ta­ção por parte dos consumidores.

Vanessa S. da Silva Soares é técnica gráfica formada pela Escola Senai Theobaldo De Nigris

Texto publicado na edição nº 75